Brasil em 2050: como seria a previsão do tempo de um dia de inverno



Para entender bem o vídeo acima, é preciso voltar em Maio/2014, quando falei do AR5, um novo relatório do IPCC. Dividi minhas considerações em duas partes:
Parte I: Expliquei o que é o IPCC e como os grupos de trabalho estão divididos;
Parte II: dei mais detalhes sobre os principais impactos na América Latina

Mapa regional dos impactos das Mudanças Climáticas na América Latina. Esse gráfico é adaptado e traduzido do AR4 (2007), do Grupo de Trabalho II.
Mapa regional dos impactos das Mudanças Climáticas na América Latina. Esse gráfico é adaptado e traduzido do AR4 (2007), do Grupo de Trabalho II.

De maneira bastante didática, o vídeo acima mostra como seria a previsão do tempo para o Brasil em um dia de inverno. Chuvas intensas no extremo sul  da Região Sul e no oeste da Região Norte do Brasil. Seca muito intensa no oeste da Amazônia e na Região Nordeste, compreendendo principalmente o sertão.

Em 2012, estive no Sertão. Falei sobre ter subido o pico do Barbado e mostrei algumas fotos da aventura, retratando esse lindo lugar rico em belezas naturais e biodiversidade. E nessa época, muitas regiões enfrentavam um sério problema de falta d’água. Lembro de ficar um ou dois dias sem poder tomar banho. Alguns talvez estejam lendo isso e achando ‘nojento’, pois não estão percebendo a seriedade do assunto. Infelizmente já é a realidade de muitas regiões do sertão brasileiro durante a estação seca. A seca tem ficado mais duradoura. Os moradores mais velhos da região falaram muito sobre isso, quando estive lá. A falta d’água tem sido um problema muito sério na região, historicamente ignorada pelos governantes.

Voltando ao vídeo, após mostrar a hipotética previsão de 2050, a apresentadora faz um link com o que aconteceu nos últimos meses. Chuvas muito intensas na região do Rio Iguaçu, muitos alagamentos e prejuízos de milhões de dólares.  Ou seja, os impactos das mudanças climáticas já fazem parte do nosso dia a dia. Observem os dados, falem com as pessoas mais velhas (que dirão que era muito diferente quando elas eram jovens). Os impactos já estão presentes e tenho percebido que os negacionistas tem “calado a boca”, porque contra fatos não há argumento que resista.

(Ou talvez meu ouvido esteja tão seletivo que tenho ignorado com sucesso os negacionistas, não sei)

No vídeo, o Prof. Dr. Jose Marengo, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), diz que a temperatura média em todo o Brasil podem ter aumentos que ultrapassarão os 4°C! Além disso, o pesquisador afirma que a chuva aumentará no extremo sul do Brasil e no oeste da Amazônia. Marengo também destaca redução da chuva na Região Nordeste e no leste da Amazônia. O Prof. Marengo também é enfático em dizer que as mudanças climáticas são responsabilidade da humanidade, pois os gases de efeito estufa que emitimos fizeram com que a temperatura média do planeta aumentasse. Mais didático e direto do que isso, impossível. E além disso, ele deixa muito claro que a única forma de reduzir os impactos é reduzindo a emissão desses gases. Não há “milagre”, como algumas pessoas pregam por aí. Vai ser necessário um esforço conjunto da humanidade.

Ao final do vídeo, Ban Ki-moon, Secretário Geral da ONU, reforça que poderemos reduzir os impactos do aquecimento global através da redução da emissão de gases de efeito estufa. Ban Ki-moon fala da necessidade de todos trabalharem juntos para tornarem a nossa sociedade mais segura e mais resiliente.

O vídeo foi uma produção da WMO (Organização Meteorológica Mundial – World Meteorological Organization). Eles fizeram diversos vídeos, legendados em diversos idiomas, para aumentar a conscientização sobre as mudanças climáticas. Todos os vídeos podem ser vistos nessa playlist.

Infelizmente, fico com a impressão que as pessoas em geral ficam apenas no “blá blá blá” e há pouca ação.  Podemos fazer nossa parte, cortando nossas emissões desnecessárias de gases de efeito estufa e escolhendo candidatos que tenham em suas agendas um compromisso com o meio ambiente.

Falei um pouco mais sobre esse vídeo no Jornal de Serviços.