O Relatório Brundtland



Há muito tempo atrás, fiz um curso de educação ambiental. Foi muito proveitoso, uma pena que não pude concluir o módulo seguinte do curso, pois tive que mudar de cidade para trabalhar. Nesse primeiro módulo, falamos muito do Relatório Brundtland.

O Relatório Brundtland também é conhecido pelo título “Nosso Futuro Comum“. Esse documento é importante, dentre outras coisas, porque  ajudou a popularizar o termo desenvolvimento sustentável. O documento foi publicado em 1987 pela Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, comissão organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Gro Harlem Brundtland
Gro Harlem Brundtland

A definição de desenvolvimento sustentável dada pelo documento é:

“o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.”

Outro dia vi uma pessoa inconsequente e que infelizmente é uma espécie de Abelha Rainha da Internet (o filme Garotas Malvadas me emprestando o termo rs). Essa pessoa dizia que não se preocupa com o meio ambiente porque segundo ela, “a Terra se recupera mesmo”. De fato, as condições vão mudar e vão se tornar adversas. O ponto é que a vida do ser humano na Terra pode não ser mais possível do jeito que conhecemos. Os resultados das mudanças climáticas já estão acontecendo e diversas ações de mitigação já estão em curso.

Essa pessoa inconsequente infelizmente é daquelas que “não gosta de pessoas” e “prefere os animais”. A notícia é que todos os seres vivos estão sofrendo com os impactos das mudanças climáticas. E eu gostaria de pensar no futuro dos filhos dos meus amigos, das crianças que sorriem pra mim na rua (e de seus futuros filhos). E também gostaria de pensar no futuro dos meus futuros filhos. Pensar em sustentabilidade é pensar no futuro de cada criança que a gente vê brincado por aí.

O Relatório Brundtland pode ser lido na íntegra aqui.Está em inglês e para ler cada um dos capítulos, basta clicar sobre eles. Infelizmente encontrei uma versão em Português apenas no Scribd (e é preciso pagar para baixar o conteúdo).

O Relatório Brundtland tem esse nome em homenagem a uma importante mulher: Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega na época em que o relatório foi publicado. Ela chefiava a Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento na ocasião e sua luta em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável já eram conhecidas na Noruega. Gro é política, médica e diplomata. Mais uma das inúmeras mulheres que participaram de decisões importantes e que muitas vezes são esquecidas.

Segundo o documento, uma série de medidas devem ser tomadas pelos países para promover o desenvolvimento sustentável. Como por exemplo:

– Limitação do crescimento populacional: e isso tem tudo a ver com o feminismo! Em países onde a desigualdade ente gêneros é menor, o crescimento populacional também é menor.
– Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo: coisa que o governo do Estado de São Paulo não se preocupou!
– Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas: muitas iniciativas na Floresta Amazônica tem feito com que os índices de desmatamento diminuam na região. Para construir um empreendimento grande, as empresas esbarram em uma avançada legislação ambiental. Acredito que o Brasil avançou muito em termos de preservação.
– Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis: Nisso o Brasil está muito atrás! Onde estão os painéis solares no Sertão Nordestino, onde seriam um excelente investimento? Destaquei esse grande conjunto de painéis solares lá na China, apenas como exemplo.
– Aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas. Compramos produtos de péssima qualidade e baixa durabilidade (e certamente fabricados com pouco controle ambiental ou respeito pela dignidade do ser humano) da China. A maioria das coisas que a gente compra vieram da China, basta olhar os rótulos e as embalagens com cuidado.
– Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores: apesar de programas como PAC, acho que estamos muito atrás nisso. A migração ainda é grande, há poucos empregos e oportunidades em cidades muito afastadas dos centros urbanos. E os pequenos produtores ainda tem dificuldade de produzir e vender os seus produtos. O produtor rural muitas vezes não tem terra e precisamos de uma urgente e séria Reforma Agrária;
– Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia). Falo por São Paulo, mas acredito que é bem parecido em todo país. A educação pública é péssima, principalmente porque os professores não são reconhecidos e valorizados. É a maior dificuldade do mundo conseguir um exame pelo SUS. Quem tem um pouquinho de dinheiro acaba investindo em um plano de saúde, o que ainda não é garantia de um serviço de qualidade.

Acredito que o Relatório Brundland foi uma das primeiras discussões sérias sobre desenvolvimento sustentável. Talvez foi uma das primeiras vezes em que se colocou na mesa que o atual modelo de crescimento econômico gerou sérios desequilíbrios: sociais e ambientais. A miséria e a degradação ambiental estão diretamente relacionados. Infelizmente, ainda há muitas pessoas que tem dificuldade em perceber essa relação. Os modelos de desenvolvimento sustentável e compensação ambiental tem sido implantados de diferentes formas ao longo dos anos. Na minha modesta opinião ainda não há uma implantação “séria” do desenvolvimento sustentável por parte de grandes empresas, pois todas elas ainda servem ao capitalismo.

Um dos pontos que levo em consideração ao escolher candidatos para terem meu voto nas próximas eleições, é o compromisso com o meio ambiente. Acredito que hoje em dia votar tornou-se uma tarefa que pode ser feita com mais consciência, já que a internet possibilita:

– uma boa pesquisa sobre o histórico do candidato;

– uma boa análise de suas propostas.

Antes eu lembro que as pessoas só contavam com aqueles poucos segundos na TV (falo dos cargos legislativos e/ou de partidos com pouca representatividade) e dos tais santinhos (que tinham só a foto e o número do sujeito). Hoje podemos pesquisar, saber o que o candidato pretende fazer. A questão ambiental, para mim, é uma das prioridades.