Pássaros podem voar dentro das nuvens?



Mais uma curiosidade sobre aves!

Tudo começou quando eu estava escrevendo um post sobre o planar das aves, sobre como elas utilizam as térmicas para planar e economizar energia. De pesquisa em pesquisa, comecei a pensar se as aves entram dentro das nuvens. Mas eu consegui responder essa pergunta fazendo outra pergunta:

Quais aves voam mais alto?

Foi quando encontrei essa fantástica lista da Wikipedia. Na lista, temos as aves que voam mais alto. A grande recordista é essa lindona aqui:

Ruppelsvulture

O grifo-de-rüppell, abutre-de-rüppell, grifo-pedrês ou abutre-grifo-de-rüppell (Gyps rueppellii) é uma ave do tipo abutre, parente do nosso querido urubu (que tem uma paixão inexplicável por anemógrafos). Como já disse centenas de vezes, não sou bióloga e portanto não conheço os detalhes técnicos das aves. Sou apenas uma apreciadora da natureza e bastante curiosa sobre os animais.

Essa ave maravilhosa é endêmica da África Central e já foi encontrada sobrevoando alturas de 11.300 m! Para entendermos o que isso significa, vamos a conhecido diagrama com nuvens em alturas diferentes (que já foi repostado inúmeras vezes aqui no blog):

Nuvens em diferentes alturas. Adaptado de Ahrens, D. Meteorology Today.
Nuvens em diferentes alturas. Adaptado de Ahrens, D. Meteorology Today.

Reparem que acima de 7000m, já encontramos nuvens altas. Ou seja, o grifo-pedrês conhece todas as nuvens de todas as alturas. Repare que na lista de recordistas temos também o Condor Andino, que já foi encontrado voando em uma altura de 4500m

Ou seja, observando a imagem acima, notamos que pelo menos perto das nuvens, muitos pássaros já voaram. Mas a pergunta é: será que eles entram nas nuvens?

De acordo com o zoólogo Luis Villazon na edição da BBC Focus  de Setembro/2014, voar dentro das nuvens não é muito diferente de voar na chuva. As aves voam mais devagar, dessa forma conseguem evitar chocar-se com algum obstáculo. Villazon usou como exemplo uma outra ave que já foi avistada sobrevoando cerca de 8800m: o cisne-bravo, animal símbolo da Finlândia.

Cisne-bravo (Cygnus cygnus). Fonte: Wikimedia Commons
Cisne-bravo (Cygnus cygnus). Fonte: Wikimedia Commons

Mas agora é hora de usar um exemplo brasileiro, falando de algo que já vi.  Lá na região da Chapada Diamantina (lugar que amo, onde tenho queridos parentes e amigos), minha família tem uma pequena propriedade rural que fica relativamente perto do sopé de uma serra:

Minha tia e meu primo :)
Minha tia e meu primo :). Foto de 2005, se não me engano. Adoro essa porque tá tudo verdinho e nessa época minha outra tia (que morava na casa), ainda era viva. Faz alguns anos que minha tia faleceu e nos últimos 3 anos uma seca persistente tem deixado a vegetação bem castigada 🙁 

Nevoeiros (ou seja, nuvens bem baixas) são bem comuns em manhãs frias. Olhando para o fundo da casa em um dia de nevoeiro, não é possível nem ver a montanha (que chama-se Serra do Tromba). Já vi algumas rolinhas mortas, caídas do lado de uma das paredes da casa. Acredito que quando há nevoeiro, elas ficam “desorientadas” e eventualmente chocam-se na parede, imaginando talvez que ainda estejam nas nuvens.

Ou seja, mesmo tomando cuidado as aves podem ter acidentes fatais se voarem dentro de nuvens.