Multiplicação da água: o uso da reserva técnica (volume morto)



Voltando no tempo (só um pouquinho rs): no dia 21 de Outubro de 2014, publiquei esse post com informações sobre o volume dos reservatórios, dando atenção especial ao Sistema Cantareira, o mais prejudicado pela seca prolongada.

No site da própria SABESP, é possível acompanhar o volume dos reservatórios. Clique aqui e escolha a data.  Para ilustrar o post de hoje, escolherei a data de hoje mesmo: 29 de Outubro de 2014.

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Pera aí, pára tudo: mas no dia 21 de Outubro, tínhamos somente 3,3% de volume armazenado. E agora, em 29/10/2014, temos 12,7%. Como isso aconteceu? Para entendermos melhor, vamos voltar um pouco mais no tempo, em 15 de Maio de 2014, quando a primeira cota do volume morto começou a ser utilizada. A partir do dia 16 de Maio de 2014, o site da SABESP passou a mostrar um gráfico:

 

volumemorto1A imagem acima, de 16/05/2014 mostra duas barras: a primeira, com o volume útil até 8,2%. A segunda, com o volume útil + reserva técnica (volume morto), aumentando assim a quantidade de água disponível para o abastecimento no Sistema Cantareira.

Mas afinal, o que é esse tal volume morto? É a água abaixo do nível das comportas. Essa água está abaixo dos canos de captação e normalmente não é utilizada. Especialistas afirmam que essa água possui detritos acumulados, como metais pesados. Por essa razão, é prejudicial a saúde. O governo de São Paulo não foi transparente com com a crise hídrica, desde o começo. Claro que interesses eleitorais explicam isso: para não prejudicar a re-eleição de Alckmin, em nenhum momento os governantes e os dirigentes da SABESP foram sinceros com a população. Uma CPI investiga porque a SABESP não informou a população.

Acontece que uma outra parte do Volume Morto foi adicionado como água para captação em 29/10/2014 (hoje). Dessa maneira, como indica o gráfico abaixo, a SABESP informa que agora temos 12,7% de volume armazenado.

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Logo concluímos que boa parte da população da RMSP está consumindo água de péssima qualidade. Água contaminada por metais pesados, que se acumulam em nosso organismo. Além do risco de contrair uma doença bacteriana ou viral, também há o risco de sofrer das consequências do acúmulo de metais pesados no organismo.

Nesse post, falei das discussões sobre a falta d’água feitas por especialistas em um workshop que participei.  Nesse evento, a preocupação dos especialistas com a crise hídrica foi geral. Uma das preocupações mais graves foi: não existe um plano de contingência. Ou seja, se a água do Sistema Cantareira acabar, a população dos bairros e cidades abastecidos não possuem um “plano B”. Ficarão sem água. Será que terão que deixar suas casas? O que poderá ser feito? E o cenário meteorológico não é muito favorável. A atuação do fenômeno El Niño pode fazer com que a seca continue nos próximos meses.

O post anterior (sobre poluição do ar) era um pouquinho otimista. Desculpe, leitores, mas com a crise hídrica não dá para esboçar nenhum otimismo.