Resenha de Novembro de 1963, Stephen King



Vou fazer a resenha de um livro de Stephen King que tem menos de 3 anos de lançamento. Inclusive logo que foi lançado no Brasil (começo de 2013), a Folha fez uma resenha-propaganda-divulgação. Lembro de ter lido a resenha e ficado curiosa. Curiosa por tratar-se de um novo livro de um escritor que admiro muito e curiosa com o tema.

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Quem é fã de Arquivo X deve se lembrar do Canceroso. Esse personagem misterioso, que fumava compulsivamente, fazia parte de uma organização acima do FBI, CIA e até acima do próprio Governo dos EUA. A série explorava diversas teorias da conspiração e em um episódio dedicado a morte de J.F. Kennedy, o responsável pelo assassinato teria sido o próprio Canceroso (que se não me engano, teria atirado de dentro de um bueiro). Lee Oswald, de acordo com a série, teria sido apenas um bode expiatório e estava lá no Depósito de Livros para realmente ser pego. A propósito, numa das poucas e últimas declarações que Oswald teria dado logo após o crime, ele teria dito que era apenas um bode expiatório. Oswald  foi assassinado um dia após de seu crime por Jack Ruby, admirador fanático do presidente morto.

A morte do presidente J.F. Kennedy é um assunto que suscita todo tipo de teoria da conspiração e gera combustível para a ficção especulativa. Teria sido mesmo Oswald? E se foi mesmo Oswald, ele teria bolado tudo sozinho? Qual seria a motivação de Oswald? Ele teria alguma ligação com Cuba ou com a Rússia? Foi coisa de dentro dos EUA, do próprio FBI? Foi coisa de algum fanático opositor texano que estava na multidão?

Parece difícil aceitar que o próprio Oswald poderia ter feito isso sozinho. Um sujeito sem educação formal, muito pobre, ex-fuzileiro naval e com delírios provocados por mania de grandeza teria a coragem de matar o presidente? Tudo indica que sim, que ele fez tudo sozinho. Inclusive na época e nos anos posteriores ao assassinato de Kennedy, muitas investigações foram feitas. Investigaram o círculo de conhecidos de Oswald, sua família, sua esposa russa, seus antigos empregos, etc. Tudo indica que ele agiu sozinho, guiado por um delírio de ignorância e idealismo absurdo. Mas será que não existe 0,01% de probabilidade de que essas investigações tenham chegado a uma conclusão errada?

Quando uma pessoa representa a esperança de novos tempos e morre em seu auge de popularidade, como Kennedy ou Dom Sebastião I de Portugal, logo surgem as lendas e as hipóteses. E se ele tivesse sobrevivido? Será que o mundo teria sido diferente? Para Al Templeton, dono de uma lanchonete em Novembro de 1963, a resposta é sim. Templeton acredita que não haveria guerra do Vietnã e a igualdade racial logo teria sido alcançada. Martin Luther King Jr. não teria sido assassinado. E Templeton consegue convencer o professor Jake Epping, cliente fiel de sua lanchonete. Mas as coisas não ficam apenas no terreno da suposição. Acontece que a despensa da lanchonete de Templeton guarda um segredo: uma possibilidade de retorno ao passado. Sim, uma espécie de porta, no maior estilo “A Torre Negra”. Talvez se caminhar devagar por esta porta,  será possível ver um nevoeiro e monstros do Todash? Bom, essas são conjecturas da fiel leitora e resenhadora 😉

Só que há várias regras nesse retorno ao passado: o retorno ocorre em uma data específica, será necessário esperar. É possível voltar também. Mudanças grandes ou pequenas podem acontecer. Efeito Borboleta: qualquer mudança na Terra de Antigamente pode representar mudanças grandes ou pequenas na Terra do Futuro. E será que se pode viajar no tempo sem restrições ou sem preços a pagar? Bom, para saber de tudo isso é necessário ler Novembro de 1963!

O livro conta com aqueles clichês deliciosos de Stephen King, por exemplo:

– O professor de inglês e/ou escritor de sucesso ou frustrado, com questões e problemas em sua vida particular;

– Um personagem com problemas com álcool e/ou drogas;

– Um personagem com dificuldades intelectuais, mas que representa um ideal de bondade e/ou possui poderes paranormais;

– Uma pessoa desprezada pela sociedade, mas que sabe mais do que os outros sobre temas que estão abaixo da superfície;

– Crianças que representam ideal de bondade e/ou são paranormais;

– Grupo de amigos que é fiel, que passou (ou não) por uma situação difícil e ameaçadora no passado (que só os deixou mais unidos);

 Ou seja, é um típico livro de Stephen King. Quem ama os clichês criados pelo autor vai adorar o livro. A coisa menos Stephen King que tem no livro é: história de amor. Se você é sensível como eu, vai chorar em algumas partes. O momento-amor me lembrou até Água para Elefantes, não sei bem o porquê.

De acordo com o que li, King queria ter escrito Novembro de 1963 na década de 1970. Ele já tinha o projeto do livro, mas segundo o próprio autor, achou melhor que tenha saído quase 50 anos depois do crime. Ele teve mais tempo de pesquisar. Sim, algumas partes do livro são bem fiéis a história.

E se você leu a série A Torre Negra vai notar uma amarração de Novembro de 1963 com a série. Porque todos os feixes levam à Torre. E é assim que Rei do Maine consegue vender livros.

Relações entre personagens/cenários/situações nos livros de Stephen King. Por Tessie Girl.
Relações entre personagens/cenários/situações nos livros de Stephen King. Por Tessie Girl.

Recomendo o livro, mesmo que você não seja familiarizado com o autor e nunca tenha lido outros livros dele. E se você gosta de História Norte-Americana da época, vai gostar bastante também. Considerando esse aspecto histórico, diria que é um dos melhores livros de King.