Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2014: o que teve?



Entre os dias 8 e 11 de outubro, a USP participou da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que é promovida anualmente pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Trabalhei nos quatro dias de evento e aproveito para trazer para vocês algumas imagens do que vi por lá :).

É um evento de caráter nacional, promovido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Escrevi um texto sobre o evento aqui, mas como foi para o portal do IAG-USP, fui mais técnica e falei do evento como um todo. No Meteorópole, vou poder falar de minhas impressões pessoais e falar um pouco do que vi como visitante, já que nos momentos de folga dei uma circulada pelo evento para conhecer algumas atrações.

A principal atração esse ano foi o dinossauro, sem sombra de dúvidas.

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 [pausa dramática: vocês vão ver muitas fotos tremidas por aqui, porque estive usando uma câmera MUITO CHATA que pertence ao Sr. Emerson. Some isso a minha inabilidade como fotógrafa]

Mas o que é esse dinossauro? Ele é uma reprodução completa do esqueleto do Tapuiassaurus macedoi, dinossauro brasileiro! A propósito, o nome dessa exposição é Cabeça dinossauro: o novo titã brasileiro. É uma exposição itinerante e ficará no Parque CienTec até dia 31 de Janeiro de 2015! Gratuita 🙂

Além da reprodução do esqueleto do Tapuiassaurus macedoi, a exposição conta com o fóssil do crânio do dito cujo. Cheguei a comentar sobre ela nesse post:

Crânio do Tapuiassaurus macedoi, em exposção itinerante do Museu de Zoologia da USP entitulada Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro. Atualmente está em exposição no Parque CienTec da USP (vai ficar lá até o final de janeiro de 2015, corram lá!)
Crânio do Tapuiassaurus macedoi, em exposção itinerante do Museu de Zoologia da USP entitulada Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro. Atualmente está em exposição no Parque CienTec da USP (vai ficar lá até o final de janeiro de 2015, corram lá!)

 

Por falar em fósseis, a exposição também exalta o trabalho do paleontólogo. Os painéis contam um pouco da rotina de trabalho desse profissional e mostram como é o trabalho de obtenção de um fóssil: desde os trabalhos de campo, publicação da descoberta e do trabalho de popularização. Havia, por exemplo, uma vitrine com os instrumentos de trabalho do paleontólogo de campo e nessa hora lembrei da Sybylla. Infelizmente a foto ficou péssima, mas dá pra ver bússola, martelo, caderneta de campo, etc:

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Em outras vitrines da exposição, é possível ver outros fósseis e outras curiosidades. Por exemplo, os coprólitos (fezes fossilizadas):

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Na verdade, qualquer material orgânico pode ser fossilizado. E isso é bem explicado nos painéis da exposição. Ganhei uma apostila introdutória de paleontologia e assim que eu lê-la, conto algumas coisas para vocês. E claro, se alguém conhece o assunto e quiser contribuir, seja super bem vindo! Escreva nos comentários.

Fósseis de outros animais, também descobertos no Brasil, também estavam expostos. É o caso do peixe do Araripe:

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O evento também falava das grandes extinções em massa que acabaram com a maior parte das espécies. Gostei da ênfase no fato que estamos vivendo a sexta extinção em massa (só pseudocientista e leitor da Veja não aceita nisso):

 

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O texto de um dos painéis dizia: “O ser humano é o principal agente do sexto evento de extinção em massa. Habitats naturais são destruídos, cedendo espaço para cidades, agricultura e pecuária. Entre 100 e 150 espécies são extintas diariamente (taxa mil vezes maior que a natural). Isso representa uma séria ameaça a sustentabilidade de nossa espécie na Terra.”

Nota mental: Prometo que no próximo evento levarei minha própria máquina!

A exposição também fala da importância dos fósseis para o estudo da Evolução das Espécies. Menciona o pioneiro na anatomia comparada, Thomas Henry Huxley. Ele era conhecido como “buldogue de Darwin”, tamanho crédito e defesa que ele fazia a Teoria da Evolução.

Curiosidade: Thomas Henry Huxley era avó de Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo. Na verdade, ele foi patriarca de uma família com vários nomes de destaque internacional. Além de Aldous, outros netos de Thomas Henry se destacaram internacionalmente: Sir Julian Huxley (o primeiro diretor da UNESCO e fundador do World Wildlife Fund – WWF) e Sir Andrew Huxley (o fisiologista e ganhador do Prêmio Nobel).

A imagem abaixo mostra algumas cópias de alguns trabalhos de anatomia comparada de Thomas Henry Huxley. Essas cópias também fazem parte da exposição:

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Na saída da exposição, havia uma Oficina de Fósseis. As monitoras, alunas de Licenciatura em Geociências da USP, eram uns amores e ótimas professoras. Antes de colocar a mão na massa, elas explicavam aos participantes o que era um fóssil. A explicação era muito boa e encantava pessoas de todas as idades. Sem contar que toda a explicação era completamente científica e lógica, claro totalmente o oposto do lamentável fato narrado pelo Pirula.

Depois da excelente explicação, os participantes podiam escolher entre fazer uma trilobita carnívora ou herbívora de gesso. Eu escolhi a herbívora, homenagem aos amigos vegetarianos:

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Minha trilobita ficou linda. Pintei de branco porque sou muito clássica rs, mas havia outras cores disponíveis.

Saindo da pegada fóssil, passei no stand de Medicina Tropical. Havia muitos recursos didáticos, explicando o que é DNA e a recombinação do RNA nos vírus. Elas usavam contas de bijuteria para explicar, ótima ideia. Infelizmente não pude parar para tirar fotografias, estava com um pouco de pressa. Também passei rapidamente no stand do Museu de Zoologia, com corrida de baratas e diversas curiosidades sobre insetos. Também não consegui fotografar.  Uma pena, mas quando você está trabalhando em um evento acaba ficando restrita ao seu setor de trabalho.

Por falar em meu setor de trabalho, ajudei no Museu de Meteorologia. E consegui tirar algumas fotinhos. A imagem a seguir mostra uma mesa com diversos equipamentos de escritório da primeira metade do século XX. Há também parte de um telégrafo, que é do século XIX. É incrível, mas as pessoas se encantam com a calculadora (a direita). Sim, porque se a gente comparar essa calculadora mecânica super pesada com as calculadoras eletrônicas de bolso (e falo das mais simples), a gente nota que elas tem as mesmas funções! Incrível. Outro item que faz muito sucesso na imagem abaixo é a “caneta de pena” e o mata-borrão. As esferográficas foram uma revolução e tanto!

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E por falar em equipamentos de escritório, e essas máquinas de escrever? Quando explicamos aos visitantes mais novos que era assim que as pessoas escreviam cartas, trabalhos acadêmicos e outros documentos, eles ficam impressionados. Cheguei a usar uma máquina de escrever para digitar um trabalho escolar. Isso foi lá por volta de 1995, pouco antes de meu pai adquirir nosso primeiro computador. Era um horror! Eu nunca fiz curso de datilografia, então imaginem minha dificuldade. Apesar de tudo isso, até hoje…

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 Há sim, no acervo do Museu de Meteorologia também há dois souvenirs bem típicos da cultura brasileira, mas que foram emprestados de culturas estrangeiras (típico num país multicultural como o nosso). O primeiro deles é o Galinho do Tempo. Durante o evento, o bichinho só ficou azul, o que indica tempo seco. Falei sobre o funcionamento do Galo do Tempo (expliquei porque o danadinho muda de cor) nesse post.

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Por falar em tempo seco, faço aqui uma reclamação: recebemos muitas escolas durante o evento. Vi muitas crianças passarem mal por causa do tempo quente e seco. Muitas estavam com roupas completamente inadequadas ao passeio: estavam de calça jeans, camiseta preta, sandália…. E muitas não carregavam sequer uma garrafinha d’água para reabastecer. Sabe, acho que os pais precisam dar mais detalhes a isso. E as mesmas reclamações de comportamento que fiz na exposição dos Maias, valem para este evento. Acho que estou ficando ranzinza, mas é impossível não ficar diante de tanta atitude sem noção.

Mas vamos prosseguir com o acervo do Museu de Meteorologia. Outro souvenir famoso, relacionado com o tempo, é a Casinha do Tempo. Meus leitores mais antigos lembram-se que rolou até promoção aqui no blog. Atualmente não é mais permitido fazer sorteios em blog (na verdade, nunca pode, mas poucas pessoas sabiam).

Expliquei como a Casinha do Tempo funciona nesse post. Em outro post, contei a história desse bibelô.  Tenho uma na minha casa (eu também tinha um galinho, mas ele foi severamente ferido por um gato assassino quando eu morava em São José dos Campos rs).

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Como mencionei nesse texto,  o Museu de Meteorologia também conta com um acervo historiográfico, com fotografias e documentos, que contam a história das primeiras atividades científicas organizadas em São Paulo-SP. Conta a história da Comissão Geographica e Geológica, que nasceu bem na virada do século XIX para o século XX. Essa extinto comissão deu origem a diversos institutos de pesquisa em funcionamento até hoje.

Infelizmente tirei poucas fotos do evento, mas tudo tem um lado bom (a otimista): o Museu de Meteorologia tem acervo permanente. Dessa forma, quem tiver interesse em agendar uma turma para conhece-lo pode entrar em contato com o Parque CienTec. E a exposição Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro vai ficar no Parque CienTec até 31 de Janeiro de 2015. Há tempo suficiente para conhecer as duas exposições.