Sistema Cantareira: sites com informações que podem ser usadas em atividades didáticas



Imagem compartilhada pela querida Raquel Almeida, bióloga e organizadora da @infoambiental.  São duas imagens do mesmo ponto do Sistema Cantareira. A imagem de cima é de 2012 (com mais água) e a de baixo é de 2014 (seca, muito seca).
Figura 1: Imagem compartilhada pela querida Raquel Almeida, bióloga e organizadora da @infoambiental. São duas imagens do mesmo ponto do Sistema Cantareira. A imagem de cima é de 2012 (com mais água) e a de baixo é de 2014 (seca, muito seca).

Decidi escrever um texto para situar leitores que não são de São Paulo. No entanto, acredito que ajudará mesmo os leitores de São Paulo. E o texto me ajudou também, pois para escrevê-lo tive que pesquisar alguns números e aprendi bastante coisa.

Em primeiro lugar, o que é o Sistema Cantareira?

Para responder isso, vou ter que começar contando o que a SABESP faz: ela é responsável pelo abastecimento de mais da metade dos municípios paulistas (364 dos 645). Vinte e seis milhões de habitantes são atendidos pela SABESP, no fornecimento de água potável e tratamento de esgoto. Se a SABESP é eficaz ou não nessa tarefa, vou deixar cada um de vocês decidirem. O que estou apresentando são apenas números.

A SABESP é responsável pela administração de 6 grandes sistemas de armazenamento. Cada um desses sistemas, é composto por uma rede de reservatórios e sistemas de tratamento de água. Os sistemas são os seguintes:

– Sistema Cantareira
– Sistema Alto Tietê
– Sistema Guarapiranga
– Sistema Alto Cotia
– Sistema Rio Grande
– Sistema Rio Claro

No site da SABESP é possível acompanhar como anda a situação de cada um desses sistemas em termos de abastecimento. Basta clicar nesse link. O interessante desse link é que ele apresenta dados desde 2003. Quando, por exemplo, escolho a data de hoje (21 de Outubro de 2014), tenho as informações dos volumes armazenados em cada um dos Sistemas. Vou separa a informação obtida para o Sistema Cantareira:

out-2014
Figura 2: Volume  armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 21/out/2014. Fonte: SABESP

Ou seja, em 21/10/2014 (hoje, no caso), há apenas 3,3% do volume armazenado, conforme indicado na Figura 1. Quem lembra do post que escrevi ontem, lembra que falei em 3,5% (a informação era do fim de semana).  Já caiu um pouquinho, mesmo com a chuva de domingo e de terça pela madrugada. Foi uma chuva relativamente fraca e ainda não estamos distantes da média do mês (conforme indicado na Figura 2, a média é 130,8mm e até hoje choveu apenas 24,9mm, pouco menos de 1/5 da média).

Quando a gente compara com o comecinho do ano, 01/01/2014:

jan2014
Figura 3:Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 01/jan/2014. Fonte: SABESP

A Figura 3 mostra que em 01 de janeiro de 2014, o volume armazenado no Sistema Cantareira era de 27,2%. Já era baixo,  pois a estação chuvosa 2013/2014 foi muito ruim. E a situação só piorou, pois os meses de janeiro e fevereiro foram secos.

E por que falam tanto do Sistema Cantareira? Por diversas razões. Primeiro porque o Sistema Cantareira é o maior dos Sistemas administrados pela SABESP, abastecendo 8,8 milhões de clientes da empresa. Depois porque é o mais prejudicado. Quando pego as informações do dia 21/10/2014, observa-se que ele é o com menor volume armazenado:

todos21out
Figura 4: Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para cada um dos Sistemas de abastecimento administrados pela SABESP. Informação referente ao dia 21/out/2014. Fonte: SABESP

A Figura 4 mostra que o Sistema Cantareira é o que encontra-se em situação mais crítica, seguido pelo Sistema do Alto Tietê. O sistema que está com maior armazenamento é o Sistema Rio Grande, com 71,8% até 21/10/2014.

Em janeiro/2010 tivemos chuvas muito acima da média na maior parte do Estado de São Paulo-SP. A Estação Meteorológica do IAG-USP registrou 653,2mm de chuva (quase 3x a média climatológica). Lembrando que os dados da Estação Meteorológica do IAG-USP são informações observadas no PEFI (Parque Estadual das Fontes do Ipiranga), na Zona Sul da cidade. No entanto, me lembro bem que choveu muito ao longo de toda a cidade. E a Estação do Mirante de Santana (que é do INMET), por exemplo, também registrou recordes para Janeiro/2010. Conhecendo essa informação, escolhi Janeiro/2010 para mostrar o contraste com Janeiro/2014 (Figura 3):

Figura 4:Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 01/jan/2010. Fonte: SABESP
Figura 5:Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 01/jan/2010. Fonte: SABESP

A Figura 5 mostra um abastecimento de 99,8%. Um conhecido meu que trabalha na SABESP narrou que as comportas do sistema precisaram ser abertas, pois o volume de água era muito grande. Ou seja, vemos aí a necessidade de obras de ampliação desses sistemas de armazenamento (pelo menos na minha opinião), para aproveitar eventuais excedentes de água.

Para moradores de São Paulo: Como posso saber qual sistema abastece minha casa? De acordo com informações do IDEC:

A distribuição de água em São Paulo

Segundo a Sabesp, o sistema de abastecimento da região metropolitana de São Paulo é integrado: são oito complexos responsáveis pela produção de 67 mil litros de água por segundo, para atender 33 municípios atendidos pela empresa, além de outros seis que compram água por atacado (Santo André, São Caetano do Sul, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Diadema e Mauá). Esses oito complexos são:

Sistema Cantareira: é o maior da Região Metropolitana de São Paulo. Na Estação do Guaraú são tratados 33 mil litros de água por segundo destinados a 8,1 milhões de pessoas das Zonas Norte, Central e partes das Zonas Leste e Oeste da capital, bem como os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André. O sistema é formado pelos rios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Juqueri (Paiva Castro);

Alto Cotia: a água vem da represa Pedro Beicht, formada pelos rios Capivari e Cotia do Peixe. A captação é feita na represa da Graça e transportada para a Estação de Tratamento Morro Grande. A produção de 1,2 mil litros de água por segundo abastece cerca de 409 mil habitantes dos municípios de Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Vargem Grande;

Baixo Cotia: a água vem da Barragem do Rio Cotia, sendo tratados 900 litros por segundos para abastecer aproximadamente 361 mil moradores de Barueri, Jandira e Itapevi;

Alto Tietê: o sistema é formado pelos rios Tietê, Claro, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí, Grande, Doce, Taiaçupeba-Mirim, Taiaçupeba-Açu e Balainho. São tratados 15 mil litros de água por segundo para atender 3,3 milhões de pessoas da Zona Leste da capital e dos municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Mauá, Mogi das Cruzes, parte de Santo André e dois bairros de Guarulhos (Pimentas e Bonsucesso);

Sistema Guarapiranga: é o segundo maior sistema de água da Região Metropolitana, localizado nas proximidades da Serra do Mar. Sua água é proveniente da represa Guarapiranga (formada pelos rios Embu-Mirim, Embu-Guaçu, Santa Rita, Vermelho, Ribeirão Itaim, Capivari e Parelheiros) e da Represa Billings (Rio Taquacetuba). Produz 14 mil litros de água por segundo e abastece 3,7 milhões de pessoas das Zonas Sul e Sudoeste da Capital;

Estação Ribeirão da Estiva: capta água do Rio Ribeirão da Estiva e produz 100 litros de água por segundo. Abastece 38 mil pessoas dos municípios de Rio Grande da Serra;

Sistema Rio Claro: localizado a 70 km da Capital, produz 4 mil litros por segundo. A água vem do rio Ribeirão do Campo e é tratada na Estação Casa Grande. Abastece 1,5 milhão de pessoas do bairro de Sapopemba, na Capital, e parte dos municípios de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André;

Rio Grande: é um braço da Represa Billings. Produz 5 mil litros de água por segundo e abastece 1,2 milhão de pessoas em Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André.

Depois de ter compilado essas informações do IDEC, descobri que o ISA (Instituto SocioAmbiental) criou um site que deixa a pesquisa ainda mais automatizada. Veja aqui. basta informar o seu CEP :). Escolhi um CEP específico, de um ponto da Zona Sul,  e funcionou:

Figura
Figura 6: Resultado de uma consulta no site do ISA. Consultado em 21/10/2014

A ferramenta mostra que o CEP que coloquei corresponde a uma região abastecida pelo Sistema Guarapiranga (Figura 6). O volume apresentado pela ferramenta (43,2%), indicado acima da Figura 6, difere um pouco do que vi no site da SABESP (Figura 4: 42,8%). É provável que a ferramenta do ISA pegue informações do dia anterior, mas não tem problema. O que acho importante destacar nessa ótima iniciativa da ISA é que é possível ver informações sobre o Sistema. É possível conhecer suas dimensões, os rios que abastecem as represas e o total de água fornecido.

Além disso, o ISA destaca não somente a falta de chuvas como ameaça para o sistema. Falam na degradação ambiental, causada pela ocupação urbana irregular e pelo desmatamento.

Na minha opinião: Professoras, o site do ISA e o site da SABESP são importantes ferramentas de ensino e conscientização. Apresentem os sites aos seus alunos, orientem pesquisas nos sites (escolham datas e CEP’s variados) para fomentar discussão na sala de aula. Utilizem também notícias e reportagens para orientar a discussão.