Aurora em Saturno



 

A imagem mostra auroras ocorrendo nos dois pólos do Senhor dos Anéis, nosso querido Saturno. A imagem não é recente. Foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble e foi divulgada para imprensa em 07 de janeiro de 1998. Encontrei a imagem em altíssima definição nessa galeria de fotos da NASA.

Auroras em Saturno. Fonte: imagem obtida pelo telescópio Hubble em 1998.
Auroras em Saturno. Fonte: imagem obtida pelo telescópio Hubble em 1998 (ultravioleta)

As auroras em Saturno são causadas pelos ventos solares que ‘sopram’ em direção ao planeta. É o mesmo mecanismo que causa as auroras na Terra. A grande diferença é que as auroras de Saturno só podem ser vistas sob luz ultravioleta. Como a camada de ozônio da Terra absorve a maior parte da radiação ultra-violeta, não é possível que um observador em um telescópio localizado na superfície da Terra consiga enxergar as auroras de Saturno. Portanto, elas só podem ser vistas do espaço. São ondulações que evoluem lentamente e aparentemente independem da rotação do planeta. Ao mesmo tempo, surge uma espécie de cortina de brilho que pode seguir a rotação do planete e possuem escalas de tempo de minutos. Dessa forma, de acordo com J.T. Trauger (Jet Propulsion Laboratory), da NASA, a aurora de Saturno é alimentada tanto pelo campo magnético de Saturno quanto pelo fluxo de partículas carregadas provenientes do Sol (o vento solar).

Esse interessante fenômeno começou a ser estudado em 1979, quando a sonda Pioner 11 observou um brilho nos pólos do planeta, no espectro do ultra-violeta distante. As sondas Voyager 1 e 2 mapearam pela primeira vez o campo magnético de Saturno. A primeira imagem da aurora de Saturno foi vista pela primeira vez em 1994/1995, pelo Hubble. Com o aumento da sensibilidade para luz ultra-violeta, novas imagens puderam ser adquiridas nos anos seguintes. Essas imagens forneceram mais detalhes, mas em 2010, a Sonda Cassini pode trazer ainda mais detalhes sobre este curioso fenômeno:

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Aurora Austral em Saturno. Fonte: Imagem de 2008 (divulgada em 2010) da Sonda Cassini (espectro infravermelho). Cores realçadas artificialmente.

A imagem acima foi divulgada em 2010 e trata-se de uma imagem colorida artificialmente (com “cores falsas”, ou seja, não correspondem a realidade e servem apenas para realçar o fenômeno). Apesar de ter sido divulgada para a imprensa em 2010, a imagem é de 2008 e foi feita combinando 65 observações individuais, cada uma com duração de 6 minutos. Dessa forma, foi possível realçar o fenômeno. Na imagem, é possível ver apenas a Aurora Austral (no pólo Sul). O curioso da imagem da Cassini é que ela foi feita a partir de observações que usaram um sensor infra-vermelho. Ou seja, as auroras saturnianas não são “visíveis” apenas no ultra-violeta.

E em Fevereiro/2014, o JPL-NASA divulgou alguns vídeos obtidos através da Sonda Cassini que mostram as auroras saturnianas dançando lindamente pelos pólos do planeta. Para baixá-los, clique aqui.

A missão Cassini-Huygens (que ficou conhecida apenas por Cassini) ganhou esse nome em homenagem a família Cassini, uma família ítalo-francesa de cientistas, com membros de destaque que atuaram nos séculos de XVII  a XIX. E Huygens é uma homenagem a Christiaan Huygens, astrônomo, matemático e físico holandês. Huygens descobriu os anéis de Saturno (apesar de Galileo Galilei já ter conseguido observá-los com sua luneta,  não conseguiu ver os detalhes). Como um dos objetivos da missão é justamente estudar os anéis desse planeta, nada mais justo do que homenagear Huygens.

A missão é uma cooperação entre a Nasa, Agência Espacial Européia e Agência Espacial Italiana. É possível ver notícias da missão em dois sites: http://www.nasa.gov/cassinihttp://saturn.jpl.nasa.gov.

A sonda Cassini-Huygens foi lançada ao espaço em 15 de outubro de 1997. Lembro até hoje o destaque da imprensa na época de seu lançamento. Ela só entrou na órbita de Saturno em 01 de Julho de 2004, ou seja, 7 anos depois! Pensar em exploração espacial (e só estou falando do Sistema Solar) é pensar em médio prazo. Tem que ter paciência. Enquanto não mandamos pessoas para os confins do Sistema Solar, temos que nos contentar com as sondas e os robozinhos. Mas não importa, quem gosta de ciência fica muito feliz com cada imagem recebida e os pesquisadores envolvidos nos projetos devem ficar super ansiosos e satisfeitos a cada etapa alcançada.