Mais um caso de charlatanismo na Meteorologia

Não é um Heliógrafo, é uma bola de cristal mesmo. Fonte: Free Digital Photos

Não é um Heliógrafo, é uma bola de cristal mesmo. Fonte: Free Digital Photos

É pessoal, existem charlatães em todas as áreas do conhecimento. São pessoas que aproveitam-se da ignorância, do desespero e da necessidade de outras pessoas e vendem soluções milagrosas sem nenhuma base científica.

Meu colega de profissão Kleber L. Rocha Filho destacou, indignado, um site chamado Chuva21. Não vou dar cliques para esse tipo de atividade, então se você tiver curiosidade, procure no Google. Essa empresa (não sei se podemos chamar assim), garante chuva para a agricultura. Eles inclusive “garantem chuva a partir da média pluviométrica mensal, ou seu dinheiro de volta (custos operacionais pagos adiantados)”.

Sim, no maior estilo daqueles folhetos de clarividência que recebemos no centro da cidade!

Nenhuma empresa séria de consultoria em meteorologia faria essa proposta! A consultoria do especialista custa dinheiro, faça chuva ou faça sol. E quem contrata essas empresas sérias, com profissionais altamente capacitados e dedicados, sabe a diferença positiva que isso  faz no gerenciamento de sua atividade econômica.

O caso mais emblemático de charlatanismo na meteorologia aqui no Brasil provavelmente é a tal Fundação Cacique Cobra Coral. Falei deles nesse post. Inclusive fiz piada dessa instituição em meu discurso de formatura (fui oradora, juntamente com minha amiga Sandra I. Saad). Eu não tenho medo ou qualquer sentimento negativo ao fazer piada com esse tipo de coisa. Respeito o Espiritismo e todos os praticantes dessa e de qualquer religião, mas não posso admitir desrespeito com o conhecimento. Não posso admitir que pessoas sejam enganadas por esses charlatães mal intencionados, que muitas vezes utilizam de maneira desonesta o nome de instituições sérias.

Para deixar minha opinião, destaco um trecho do capítulo 9 do livro Dragões do Eden, de Carl Sagan. Eu adoro esse trecho, até falei dele quando falei da teoria da conspiração do HAARP (reveja o post aqui):

No último capítulo de A Escalada do Homem, Bronowski confessou-se entristecido “por me ver subitamente cercado, no Ocidente, por um sentimento de terrível perda de vigor, um distanciamento do conhecimento”. Na minha opinião, ele se referia parcialmente á muito limitada compreensão e apreciação da ciência e da tecnologia – que moldaram nossas vidas e nossas civilizações – nas comunidades públicas e políticas, mas também â crescente popularidade de diversas formas de ciência marginal, popular ou pseudociência, misticismo e magia.

Observamos hoje no Ocidente (mas não no Oriente) o ressurgimento do interesse por doutrinas vagas, anedóticas e muitas vezes experimentalmente errôneas que, se verdadeiras, anunciariam pelo menos um universo mais interessante, mas também que, se falsas, implicam um descuido intelectual, uma ausência do espírito de luta e um desvio de energias não muito promissor para nossa sobrevivência.

Entre essas doutrinas acham-se a astrologia (a opinião de que as estrelas a centenas de trilhões de quilômetros, que estavam subindo no momento em que eu nascia em um edifício fechado, influenciam profundamente meu destino), o “mistério” do Triângulo das Bermudas (que comporta muitas versões de que um objeto voador não-identificado atua nas imediações das ilhas Bermudas e faz desaparecer navios e aviões), os relatos a respeito de discos voadores em geral, a crença em astronautas vindos à Terra no passado, a fotografia de fantasmas, a piramidologia (inclusive a opinião de que minha lâmina de barbear fica mais afiada dentro de urna pirâmide de cartolina do que dentro de um cubo do mesmo material), a cientologia, auras e fotografias Kirlian, a vida emocional e as preferencias musicais dos gerânios,a cirurgia psíquica, a terra plana e oca,a profecia moderna,o entortamento de talheres a distância, as projeções astrais, o catastrofismo velikovswiano, a Atlântida e o Mu, o espiritualismo, e a doutrina da criação especial da natureza por Deus ou por deuses, apesar de nossa pio funda correlação, tanto do ponto de vista bioquímico quanto da fisiologia cerebral, com os outros animais.Pode ser que haja uma ponta de verdade em algumas dessas doutrinas, mas sua aceitação disseminada demonstra uma falta de rigor intelectual, uma ausência de ceticismo, uma necessidade de substituir as experiências pelos desejos.