A “Cientista” Grávida – A Série – Gravidez e o calor (episódio 2)



ID-100181645Desde que descobri que estava grávida, comecei a ler bastante sobre o tema. Olha, ando topando com muito chorume virtual, mas também encontrei informações valiosas. O segredo é sempre saber filtrar.

O que mais gosto são dos relatos das outras gestantes. E isso a gente encontra em fóruns. Eu me inscrevi em dois fóruns bem grandes sobre o universo materno. E nessa época de verão, notei que muitas gestantes reclamam do calor e dizem sentir um calor mais intenso do que quando não estavam grávidas.

Não sei se é porque o verão “não chegou para valer” (embora Outubro tenha sido um mês bem quente). Ou se é porque sempre fui absurdamente calorenta. Fato é que ainda não senti esse calor absurdo ou talvez tenha sentido e não consegui distinguir da sensação de calor que eu já sentia antes da gravidez.

Outro ponto que deve ser levado em consideração em minha experiência pessoal: estou grávida de 12 semanas (3 meses). É pouco, pois as queixas que tenho ouvido partem de mulheres que estão com uma gestação mais adiantada.

Por essa razão, resolvi pesquisar: a sensação de calor é realmente pior para uma gestante? E com relação à sensação de frio? Vamos explorar cada um desses questionamentos. No primeiro post sobre o assunto (e segundo da série A “Cientista Grávida” – a série) , vou falar sobre Gravidez e Calor.

Existe um hormônio chamado estrogênio cuja produção cai durante a gravidez. A produção desse hormônio cai também durante a menopausa. A redução nos níveis desse hormônio está associada a ondas de calor. Então muitas grávidas sentem um calor intenso, mesmo em um dia mais frio. Essas ondas de calor podem acontecer de noite, fazendo com que a mulher simplesmente arranque os cobertores. Essas ondas de calor são mais comuns no segundo e no terceiro trimestre da gravidez, mas podem persistir mesmo durante a amamentação. Leia mais sobre o assunto aqui.

Além dessa questão hormonal, variações na pressão atmosférica (e disso eu entendo, rs) podem afetar a saúde humana. Há pessoas com enxaqueca que costumam sentir mais dores quando a pressão está mais alta (quando o ar está “mais pesado”). Meu pai mesmo costuma dizer que sente mais dores de cabeça quando vai a praia (e claro, no nível do mar a pressão do ar é mais alta). Já comentei em outro post que variações na pressão do ar podem causar dores nas articulações de pessoas já predispostas a isso (com artrite ou que sofreram fraturas, por exemplo).

Alguns estudos ainda sugerem que variações na pressão do ar podem afetar o sistema nervoso e dessa maneira afetar o nível de dor que a mulher sente durante o trabalho do parto. Outros estudos ainda sugerem que o aumento na pressão do ar nos últimos dias da gestação pode favorecer com que a mulher entre em trabalho de parto. Dessa maneira, se você já está de quase 40 semanas, talvez seja bacana acompanhar a previsão da pressão do ar para os próximos dias. É bastante provável que o bebê nasça no período em que a pressão estiver maior. Para acompanhar a previsão da pressão, sugiro o Master-IAG (clique aqui). Deixe os modelos pré-selecionados marcados, escolha também os quadradinhos das previsões médias dos modelos e prossiga. Em seguida, escolha a localidade mais próxima de sua cidade e escola a variável “Pressão reduzida ao nível do mar”.Se ficou muito confuso para consultar a pressão do ar dessa forma e você só acessa a previsão do tempo no seu smarphone (com aqueles ícones típicos, máxima e mínima), a gente pode deduzir que a pressão do ar está alta quando o dia está seco em ensolarado (quando a diferença entre a temperatura mínima e a máxima é elevada).

Claro que outros fatores determinam quando o trabalho de parto vai ocorrer. E eu não sou médica e não vou dar pitaco nenhum nisso. As informações que citei acima foram obtidos no artigo: “Emmet Hirsch et al: Meteorological Factors and Timing of the Initiating Event of Human Parturition. International Journal of Biometeorology Volume 55 Issue 2 pp. 265-272 2011”. Se você é da área de biológicas, vai aproveitar esse artigo muito mais do que eu (pode ser consultado aqui).

Outro fato importante que deve ser considerado durante a gestação é a fotoproteção. A fotoproteção deve ser preocupação de todo mundo ao longo do ano todo, mas mulheres grávidas estão mais sujeitas a melasmas, que são manchas na pele. Essas manchas surgem por razões hormonais, mas são agravadas quando nos expomos ao Sol sem proteção. Já li relatos de mulheres que sentem que suas manchas ficam mais pronunciadas mesmo em locais mais quentes (sem necessariamente exporem-se ao Sol). De qualquer maneira, a exposição inadequada à luz solar não é saudável e a pele da mulher grávida também é mais sensível. No site britânico do Baby Center (eles chamam de Baby Centre, rs), há um artigo muito completo em com várias dicas para lidar melhor com dias quentes. Por exemplo:

– Proteja-se do Sol com roupas, chapéu e óculos.

– Cuidado com a fotoproteção nospés: como no calor a gente usa muita sandália, as vezes acaba esquecendo de passar protetor nos pés.

– Use roupas de fibras naturais, pois elas permitem uma melhor circulação do ar. Elas também minimizam fricção com a pele, minimizando alergias ou outros problemas.

– Planeje suas atividades ao ar livre para os horários mais fresquinhos (início da manhã e final da tarde)

– Carregue um spray de água. Pode usar água termal, mas como normalmente água termal é bem cara, um spray comum (desses de loja de R$1,99) com água filtrada já pode ajudar. Em ambientes fechados, umidificadores de ar podem ajudar. Ou então o velho truque da bacia cheia d’água no quarto durante a noite (especialmente útil em dias quentes e  com baixa umidade relativa).

– Procure encontrar tempo para nadar. Sei que essa dica é bastante difícil para quem mora no Brasil e nem sempre tem acesso a boas piscinas públicas. Mas se você mora perto da praia ouse tem uma piscina em um clube que você frequenta, vale a pena organizar sua agenda. Exercícios na água reduzem o inchaço nos membros, fato muito comum principalmente no último trimestre da gravidez. Eu já me matriculei em aulas de hidroginástica e em um outro post conto para vocês como está sendo minha experiência;

– Beba muita água! Durante a gravidez, a desidratação ocorre mais facilmente. E quando estamos desidratadas, normalmente nos sentimos cansadas e desorientadas. Por isso deve-se sempre carregar uma garrafinha de água. Além disso, bebendo bastante água é possível reduzir o inchaço do corpo. Dica para quem mora em São Paulo: na DAISO Japan, loja de UD japonesa, tem umas bolsinhas de carregar água muito lindinhas por R$6,90 =)

– Minimize a quantidade de sal dos alimentos. O sal favorece na retenção de líquidos que aumentam o inchaço.

Bom, essas são algumas informações que compilei com relação a gravidez e calor. Em um outro post que escrevi antes de sonhar em estar grávida, falei de meu desconforto durante o calor e dei algumas dicas também, veja aqui.

Espero que tenham gostado =)

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série  aqui.