A “Cientista” Grávida – A Série – Gravidez e o frio (episódio 3)



Claro que o frio não é realidade no momento para quem está no Brasil, mas esse blog tem acessos em Portugal e certamente é acessado por várias imigrantes brasileiras que estão por aí alegrando o mundo (a gente tá em todo lugar 😉 ).
ID-10059802Vamos falar da Gravidez e o Frio. É uma continuação da série A “Cientista” Grávida – A Série e um complemento ao post sobre Gravidez e Calor.

E a primeira coisa que me vem a cabeça é a personagem Morgana, d’As Brumas de Avalon. Morgana, quando está grávida, diz que sente muito frio. As outras mulheres da corte do Rei Arthur (ou seriam as outras mulheres de Avalon? Não me lembro, li a série há algum tempo) dizem que Morgana sente frio porque o bebê está “roubando o calor da mãe”. Bom, desconfio que Morgana sentia frio porque aqueles castelos do Reino Unido são úmidos e frios e qualquer pessoa sente frio num lugar desses. No entanto, vamos investigar se realmente a grávida sente mais frio.

A boa notícia, pelo que andei pesquisando, é que o calor parece ser bem mais incômodo do que o frio para a mulher grávida. Como mencionei no post anterior da série, durante a gravidez os níveis de estrogênio caem em nosso organismo. E a queda nos níveis desse hormônio  está associada a ondas de calor. Dessa maneira, grávidas sentem-se mais confortáveis em tempo frio do que em tempo quente =).

Muitas mulheres que já tiveram mais de uma gravidez em épocas do ano diferentes comentam que quando o terceiro trimestre ocorre no inverno, elas sentiram-se muito mais confortáveis. Como meu parto está previsto para o início de julho/2015, vocês podem imaginar  que essa informação me deixa bastante otimista.

Durante a gravidez, é muito importante que a gente reduza o ritmo. E cada mulher sabe seus limites, a gente tem que aprender a respeitá-los e a ouvir recomendações médicas. Por essa razão, é comum que muitas mulheres saiam menos no último trimestre de gravidez. E no inverno é comum que as pessoas façam menos atividades ao ar livre, principalmente em países onde o inverno é mais intenso. Por essa razão, algumas mulheres mais ativas podem ficar frustradas por terem que ficar em casa. Esse artigo dá uma dica simples e interessante: que tal aproveitar que vai ficar em casa para organizar as coisinhas do bebê? Dedicar-se a uma atividade de artesanato e aproveitar o tempo para ler, assistir séries e organizar a casa também podem ser ótimas ideias.

Outra preocupação durante a gravidez é o vestuário. Parece ser mais fácil e até mais barato encontrar looks para o verão do que looks para o inverno. Vou até confessar algo curioso para vocês. Pouco antes de descobrir que estava grávida, eu tinha separado algumas roupas do meu armário para encaminhar como doação. Uma das roupas era um casaco de lã muito grande e largo. Ganhei esse casaco e usei poucas vezes. Assim que descobri que estava grávida, corri na sacola de roupas para doação e resgatei o casaco. Ele não é muito bonito, mas é quentinho (no inverno mostro para vocês, nem que for pelo instagram – @samanthaweather). Bom, moro em São Paulo e por aqui o inverno não é rigoroso. Minhas amigas e leitoras que moram “acima do Trópico de Capricórnio” sentem ainda menos o inverno. Essa é uma das bênçãos de morar em nosso lindo país tropical. Entretanto, leitoras da Região Sul e leitoras de Portugal podem ter mais preocupação com o inverno. Aqui para São Paulo e para outras áreas do Estado e da Região Sudeste, acredito que 1 ou 2 casacos de lã mais “pesadinhos” já dão conta. Cidades como Socorro, Monte Sião, Jacutinga e Serra Negra são famosos pólos de malhas. Há alguns anos, comprei em Serra Negra um casaco lindo na cor rosê para minha avó. E o preço estava ótimo. Por isso, se você conhece alguém que vai a algumas dessas cidades, vale a pena pedir para que traga um casaco para você :). Outra coisa: peça para as amigas, primas e irmãs que já ficaram grávidas e de repente tem um casaco que não usam mais encostado no armário.

Bom, percebam que não ligo tanto pra moda. Eu levo mais em conta o caráter funcional da roupa. Além disso, penso que você vai usar aquela roupa por pouco tempo, então não vale a pena investir muito dinheiro. Mas se você gosta de moda e não se importa em pagar caro, há diversas lojas especializadas em gestantes. Encontrei muitas lojas online, inclusive 🙂

Em países onde o inverno é realmente bastante rigoroso, há outras preocupações com relação ao vestuário da grávida. Nesse site, por exemplo, dentre outras coisas é recomendado que as gestantes invistam em bons calçados quentes e anti-derrapantes (porque quando a neve derrete e volta a congelar, o piso fica absurdamente escorregadio). Recomendam também que as gestantes vistam-se em “camadas”. Como a gente sente mais calor por conta das alterações hormonais, pode ser que você saia de casa toda encapotada e depois sinta muito calor. E essa dica é especialmente válida para boa parte da Região Sudeste. Como o inverno daqui é tradicionalmente frio e seco, é comum sairmos de casa bem cedinho com muita roupa e depois, lá pelo meio-dia, ter que tirar tudo. Sendo assim, vestir-se em camadas pode ajudar a controlar melhor a temperatura e a ficar sempre confortável.

Na ficção, Morgana passou sua gravidez em um castelo que muito provavelmente era frio e úmido. Certamente sob essas condições, a sensação de frio é maior para qualquer pessoa. E ambientes frios e úmidos são propensos para que as pessoas adquiram gripes e pneumonia. Por isso, é importante manter-se seca e aquecida em qualquer ocasião (grávida ou não). Como durante a gravidez há vários medicamentos que não podemos tomar e nosso sistema imunológico não está 100%, essa preocupação deve ser ainda maior. Fique de olho no calendário de vacinação contra a gripe. A vacinação contra a gripe, aqui no Brasil, normalmente acontece no outono (normalmente nos meses de Abril e Maio) e gestantes tem prioridade.

Morgan Le Fay, de Anthony Frederick Sandys (1829-1904).
Morgan Le Fay, de Anthony Frederick Sandys (1829-1904).

Uma preocupação com relação a gravidez, muito repetida por nossas mães, avós e profissionais de saúde é: sossegue o facho. Mulheres que praticavam esportes, principalmente esportes radicais, vão sentir falta da prática. E em países em que o inverno é mais rigoroso a gente consegue pensar em várias atividades esportivas perigosas (a ausência de atrito provoca adrenalina), como esqui e snowboarding. Claro que essas atividades não devem ser praticadas!

Como eu disse anteriormente, minha conclusão diante da pesquisa que fiz para escrever esse post é: para uma grávida,  o calor causa muito mais incômodo do que o frio. Claro que estou falando de pessoas que estão em condições privilegiadas e podem se manter em ambientes aquecidos durante o inverno. Digo isso pois o frio mata muito mais do que o calor. Por isso campanhas de recolhimento de agasalhos e cobertores são tão importantes. Ondas de frio (assim como ondas de calor) inclusive podem fazer com que uma cidade entre em situação de emergência.

 E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série  aqui.