Um pouco da ciência de Under the Dome



Ontem comecei a assistir Under the Dome, série produzida por vários nomes de peso (incluindo Steven Spielberg) e inspirada em romance de Stephen King (que também é produtor da série). Acabei o segundo episódio e agora quero compartilhar algumas “reflexões científicas”.

Under_the_Dome_intertitle

Sou grande admiradora do autor, mas ainda não li o livro. Normalmente eu leria o livro primeiro e depois procuraria a série, mas a série estava disponível no Netflix e fiquei bem curiosa. O roteiro inicial é bem simples: boa parte da cidade de Chester’s Mill é surpreendida por uma enorme parede transparente. Essa parede é um campo de força, que parece reagir com equipamentos que usam bateria (os faz explodir, aparentemente). Todos os moradores da cidade ficam surpresos. Acidentes e muito pânico acontece. Veículos batem na parede perfeitamente transparente e acidentes fatais acontecem. Pessoas que estavam no exato lugar onde a parede surgiu morrem ou perdem membros. Casas, árvores, etc: tudo o que está no caminho da parede é partido ao meio.

A estudante de engenharia elétrica Dodee descobre, usando seu equipamento de rádio, a comunicação dos militares. Dentre outras coisas, ela descobre que não é uma mera parede. É um domo. É como se os habitantes de Chester’s Mill estivessem “presos” dentro de uma queijeira. Além de Dodee, o adolescente Joe McAlister, usando trigonometria de triângulos esféricos descobre que realmente trata-se de um domo circular. Com a ajuda de seu amigo, o rapaz vai mapeando a área coberta pelo domo. Os habitantes de Chester’s Mill desconfiavam que as paredes eram muito altas, pois um avião que sobrevoava a área da cidade no momento em que o domo apareceu acabou batendo contra a estrutura, só que eles não imaginavam que fosse um domo. O fato é revelado na rádio onde Dodee trabalha, pela jornalista Julia Shumway.

Como o domo “brotou do chão”, é possível ver o chão partido por onde ele surgiu. Também é possível ver tudo o que ele partiu em seu caminho e como ele é completamente transparente, acidentes automobilísticos fatais acontecem.

Bom, o que sei até agora sobre o domo (o que os personagens descobriram e eu estou conjecturando a partir disso):

– Ele é parcialmente permeável (descoberta de Joe McAlister). Quando Joe descobre que ele é permeável, especialistas do outro lado do domo estão espirrando água no domo com uma mangueira. Quando o rapaz toca o domo do outro lado, ele sente a mão umedecida.

– Ele é a prova de som. As pessoas gritam, pedem ajuda, chamam os militares e quem está do lado de fora e ninguém responde. A policial Linda Esquivel (que agora tem um importante papel de liderança e organização) tenta se comunicar com o marido, que é bombeiro e está do lado de fora do domo. E ela não consegue :(.

– Ele permite a passagem de algumas ondas de comunicação de frequência mais alta (pelo que a estudante de engenharia elétrica,  Doddee, explica).

No segundo episódio, acontece um incêndio de médias proporções. Um dos personagens (acho que a reporter, Julia Shumway) comenta que faz dias que não chove e que aquilo virou um barril de pólvora. A seca prolongada favorece o espalhamento de incêndios. Usando a água de uma piscina, a boa vontade dos vizinhos e a astúcia do vereador Big Jim (que na verdade agiu pelos seus próprios interesses), o incêndio é apagado. Só que a pluma de fumaça sobe e fica “presa” dentro do domo. Ora, se a parede do domo é relativamente permeável, pode ser que os gases consigam escapar. Talvez demore, mas acho que escapam.

Vamos supor que caia uma chuva torrencial sobre a cidade. Essa chuva vai atingir o domo, a água vai escorrer e parte vai entrar. É provável que água entre no domo, umedecendo-o em sua parte interna, como na observação feita por Joe. A parte superior do domo pode ficar saturada de gotinhas de água e talvez nuvens St (Stratus) se formem no domo. Ou as gotinhas vão se juntando e ficando pesadas, desprendendo-se do domo. Então pode “chover” no interior do domo.

Só que o domo vai ficar cada vez mais quente. É provável que funcione como uma estufa, como um carro fechado e exposto a luz solar. A luz solar penetra no domo, é então absorvida pela superfície do chão e re-emitida como onda longa (calor). A onda longa não conseguiria “sair” da estufa. Até que ponto essa estrutura é permeável? Será que ela permite perda de calor? Tomara, pelo bem dos habitantes de Chester’s Mill.

Com relação aos papéis femininos, há excelentes destaques de mulheres importantes na trama:

– A repórter investigativa Julia Shumway, que tem um importante papel de liderança e informa a população sobre o domo.

– Dodee, que está prestes a formar-se como Engenheira Eletricista, e intercepta a comunicação dos militares que estão do lado de fora. Dessa forma, ela descobre que trata-se de um domo e não de uma parede.

– O casal Alice  e Carolyn, duas mulheres que são mães de uma adolescente que talvez esteja tendo revelações por meio de ataques epilépticos.  Até o momento, não vi nenhum comentário homofóbico ou desrespeito com o casal. Não sei se isso aparecerá no futuro. E se bem conheço Stephen King, se outro personagem fizer qualquer comentário grosseiro, elas terão a resposta merecida na ponta da língua. A família não é da cidade, estava apenas de passagem, pois o casal está levando a filha para um acampamento em uma localidade próxima. Uma das mulheres, Carolyn Hill é negra. Representatividade é sempre bem vinda :).

– Angie McAlister, irmã de Joe. Ela é garçonete e voluntária em um hospital. Ela tem um romance de verão com Junior (filho do vereador Big Jim). O rapaz é obcecado por ela e diz que a ama. Ela não quer nada sério. Ele torna-se possessivo e inclusive arruma briga com o misterioso Dale Barbara, personagem que estava de passagem pela cidade. Junior vê Dale e Angie conversando na porta do hospital (há muitos feridos devido aos acidentes) e imagina que eles estão tendo um caso. O rapaz torna-se possessivo e agride Dale e Angie. Ele já demonstra traços violentos e possessivos desde o primeiro episódio da série. Nós mulheres já ouvimos ou vivemos essas histórias de possessividade e agressão, infelizmente.

– A policial Linda Esquivel aparentemente é de origem latina. É uma mulher que teve uma bonita relação de amizade e aprendizado com seu parceiro, Duke. Ela torna-se uma importante liderança.

Estou super empolgada com a série. E é bastante provável que eu volte a falar mais sobre ela por aqui.