A “Cientista” Grávida – A Série – Trabalhar fora de casa (episódio 5)



Dedico este post a todas as mulheres que trabalham fora de casa, ou seja, que estão no mercado de trabalho, seja qual for a área. Apesar do post fazer parte da série, acredito que vou falar com todas que como eu trabalham fora de casa, independentemente da área de atuação.

Infelizmente, a jornada dupla ainda é realidade em muitos lares brasileiros. Em nossa cultura, os homens em geral não costumam ajudar dentro de casa. Entretanto, cabe uma conversa séria com seu companheiro. Divida as tarefas e exija igualdade.

Outras mulheres ainda tercerizam o trabalho doméstico, contratando diaristas ou empregadas domésticas.

Mas não é exatamente disso que quero falar, mas quero falar sobre nossa atuação no mercado de trabalho. A verdade é que trabalhar, na nossa sociedade, é uma obrigação, uma imposição. Precisamos trabalhar para ter dinheiro e ter como consumir. Por mais que você goste do que faz, sei que muitas vezes enfrenta desafios no mercado de trabalho: chefe chato, falta de liberdade, problemas na política da empresa, relacionamento não muito bom com colegas de trabalho, etc. Sendo assim, as vezes a gente fica sem paciência e quer jogar tudo para o alto. Acho que muitas de nós já pensamos assim.

Algumas mulheres veem na maternidade um ponto de virada, uma oportunidade para deixar de trabalhar fora. Só que evidentemente nem sempre é possível tomar essa decisão. Atualmente o dinheiro que ganhamos no mercado de trabalho contribui significativamente para o orçamento doméstico. Em alguns casos, é a única ou principal fonte de renda.  As coisas ficaram caras, as exigências sociais aumentaram, etc. Além disso, muitas de nós somos mão de obra especializada e se deixarmos o mercado, faremos falta. Em outros casos o trabalho é uma forma de realização pessoal, e deixar de trabalhar fora fará com que a mulher fique decepcionada e entristecida.

Lynette Scavo feelings.
Lynette Scavo feelings.

Eu diria que me encaixo em quase todas as situações que mencionei no último parágrafo. Por isso, apesar de ainda estar no 4° mês de gestação (ainda tem muita coisa para rolar), cheguei a uma conclusão: não vou me sentir culpada quando colocar minha criança em uma creche.

Vou procurar uma creche boa, vou ouvir dicas de outras mães e vou procurar um lugar onde minha criança possa ficar segura, protegida e sob os cuidados de outras mulheres atenciosas e responsáveis. Claro que vou ter que fazer algumas adaptações em minha rotina. Por exemplo, terei que acordar mais cedo para preparar tudo e deixar a criança na creche. Sei que vou ter que contar com a boa vontade e compreensão de meu chefe e colegas de trabalho caso ocorra algum problema na creche ou caso a criança fique doente. Algumas dessas adaptações nem faço ideia de como serão, já que preciso viver o momento para saber.  Mas sei que meu marido e eu daremos um jeito e tudo vai ficar bem. Também sei que tenho pais, sogros, cunhada e irmão maravilhosos que vão me ajudar. E tenho primos, tios e amigos lindos que são muito solidários. Sei que tudo vai dar certo no final. Otimismo é importante.

Muitas mães deixam suas crianças em creches diariamente. Ou deixam sob os cuidados de um parente ou de uma babá. E não são péssimas mães por isso e nem devem se sentir assim. Devemos colocar na cabeça que estamos trabalhando para que nossos filhos tenham boas condições no presente e no futuro. Além disso, o trabalho garante satisfação pessoal e isso não deve ser desconsiderado. Acredito muito que pais que cuidam de seu próprio bem estar, são pessoas mais equilibradas e mais aptas para cuidar de uma criança. Claro que não dá mais para ser viciada em trabalho. Criança precisa de horários definidos e precisa de atenção.

Talvez eu esteja escrevendo isso tudo muito prematuramente, mas eu cheguei nessa conclusão depois de ter conversado com várias mulheres que deixaram de trabalhar. Cada um tem suas razões e cada um sabe onde o calo  aperta ($$$). Não quero generalizar, mas quero falar da posição de algumas pessoas, pelo que observei. Percebi que muitas mães sequer cogitam colocar a criança numa creche. Para algumas pessoas, eu notei, colocar na creche é igual ser uma mãe relaxada, relapsa. Algumas até colocariam, mas estão sob o olhar repreensivo da sociedade e da família. Discordo totalmente dessa ideia! Até porque tem muita mãe em tempo integral que não se dedica de maneira adequada aos seus filhos. Colocar numa creche boa e participar da vida escolar do filho desde cedo, pode te fazer sim uma boa mãe!

E sei que eu quero ter uma vida de realizações profissionais também e não faz nenhum sentido que a maternidade seja um impedimento. Infelizmente, muitas mães ainda sofrem preconceito no mercado de trabalho. Até “política de gestação” já aconteceu em uma empresa, que dizia quais mulheres poderiam engravidar (e quando poderiam). A empresa foi processada e as mulheres estão recebendo as indenizações. Vamos sempre lutar por nossos direitos, denunciar, ajudar as colegas (porque já basta a opressão de alguns homens) e atuar com solidariedade. Apoie projetos de lei e parlamentares que lutem pelo aumento da licença maternidade e da licença paternidade (que atualmente é apenas 1 semana, que ridículo).

Há cerca de 1 mês,  um trabalho que apresentei (de autoria de um estagiário, minha, de meu chefe e de colegas de trabalho) ganhou menção honrosa em um simpósio. E eu já sabia da gravidez. Foi a primeira pequena vitória que tive com minha criança junto de mim (mesmo que ainda dentro de mim, rs). E isso não tem preço.  Me fez pensar que eu tenho muito a conquistar e o bebê será um incentivador, um motivo para sonhar e lutar por um mundo melhor.

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.