Linda imagem de parte da Bacia Amazônica iluminada pela luz do Sol



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Essa imagem é do ano passado (como se o ano passado tivesse ocorrido há tanto tempo assim rs), mas ela é tão interessante que vale a pena ser discutida. A imagem é de 19 de agosto de 2014 e não foi obtida a partir de um satélite. É uma imagem de uma parte do Rio Amazonas obtida na Estação Espacial Internacional (International Space Station – ISS). A ISS está a 290km de altura. Como trata-se de uma imagem de fotografia, o sucesso da imagem depende da iluminação natural. No momento da fotografia, o Rio Amazonas ficou parecendo um rio de prata derretida. Muito lindo!

Na imagem, é possível ver:

– As planícies de alagamento (foodplain), áreas nas margens do rio que são alagadas na época das cheias. As áreas destacam-se por serem marrom escuras, consequência dos sedimentos do rio que são transportados para a margem;

– Uma mina (mine). O texto do EO-NASA não nos diz qual o minério explorado, mas é possível notar a mina porque é uma área avermelhada, indicando o solo exposto.  Observem que a imagem mostra uma mina a sul da imagem, mas parece haver outras minas a noroeste da imagem.

– Além das minas, também é possível notar pontos de desflorestamento. São pontos marrom claro, muitos em torno dos rios, o que torna o problema ainda pior. Em 2013, houve um aumento de 28% no desmatamento da Floresta Amazônica. Estudos do IPAM discutiram se esse aumento de 2013 tratava-se de uma tendência ou de um ponto fora da curva (veja a divulgação do estudo aqui).  Recentemente, esses tristes recordes voltaram a ser notícia. E com a nova Ministra da Agricultura afirmando que não existem mais latifúndios, acabamos ficando temerosos com o futuro de nossas florestas.

– Muitas nuvens branquinhas. Devem ser nuvens Cu (Cumulus). Mas a imagem não ajuda muito, pois não temos outros pontos de referência. Podem ser nuvens Ac (Altocumulus) ou Cc (Cirrocumulus). Como o calor e a disponibilidade de umidade na região são muito grandes, a convecção é favorecida e deduzo que sejam nuvens Cu.

Os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional são privilegiados, não? Que delícia ter essa visão, mas ao mesmo tempo é desanimador ver tanta agressão ao ambiente. Podemos perceber na imagem que o Rio Amazonas possui vários lagos em sua várzea, além de diversos afluentes. A descrição da imagem não explica em que ponto do Rio Amazonas ela foi feita, mas o texto dá uma informação interessante sobre a planície de alagamento: são 32km de largura de várzea sujeita a alagamento.

Esses lagos extensos na várzea tem uma história geológica interessante. Na última Era do Gelo, o nível dos oceanos era mais baixo e o Rio Amazonas percorria uma espécie de “cânion” de dezenas de metros de profundidades. Então o nível dos oceanos subiu rapidamente e o leito do Rio Amazonas aumentou para manter esse ritmo. Além disso, com o derretimento do gelo dos Andes,  imagine a quantidade de água que quase que de repente passou a percorrer o rio! Por essa razão, há essa várzea de alagamento tão extensa.

Créditos: Earth Observatory – NASA