Painéis solares no meio do oceano!



Painéis da empresa japonesa Kyocera. Ao fundo, o vulcão Sakurajima. Fonte: Solar Industry Mag
Painéis da empresa japonesa Kyocera. Ao fundo, o vulcão Sakurajima. Fonte: Solar Industry Mag

Eu estava lendo a edição de Dezembro/2014 da BBC Focus e uma das reportagens principais tratava de soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Uma das soluções apresentadas eram esses painéis de geração de energia solar. Até aí, nenhuma novidade. A China por exemplo tem uma grande quantidade de painéis solares no meio do deserto, como mencionei nesse post.

O que chamou a atenção na reportagem da BBC Focus foi a nova solução para a localização desses painéis. Agora as empresas começaram a investir em painéis solares instalados no oceano. Como painéis solares ocupam uma grande área, muitos países não tem condições de dispor dessa área (como é o caso do Japão). Além disso, se esses painéis fossem instalados no continente, tomariam áreas que poderiam ser empregadas na agricultura ou que poderiam ser reflorestadas.

 A empresa japonesa Kyocera construiu em novembro do ano passado um complexo de energia solar no oceano, como mostra a fotografia que abre a postagem. A Kyocera Corporation’s Kagoshima Nanatsujima Mega Solar Power Plant está implantada na Baía de Kagoshima e deve alimentar pelo menos 22.000 residências. São 70 MW obtidos através de 290.000 painéis solares. É realmente uma construção impressionante. Ah sim, vai ter uma torre de observação onde visitantes poderão ver todo o complexo.

Em Setembro/2014, um conjunto de painés parecidos foi construído em uma fazenda em Berkshire, no Reino Unido. Eles foram construídos em cima de um reservatório de água, de acordo com informações da BBC Focus de Dezembro/2014. Fico só imaginando o que deve ser levado em conta em um projeto desses. Quero dizer, a recarga do reservatório via água direta da chuva não pode ser prejudicada. Ou seja, os painéis não podem cobrir inteiramente o reservatório. Por outro lado, a construção de painéis solares só é viável em regiões com pouca nebulosidade anual, que é para valer a pena o investimento.

Regiões com pouca nebulosidade em muitos casos são dominadas por áreas de intensa evaporação (um ramo descendente de uma célula global ou uma região de alta pressão em geral). Dessa maneira, cobrir o reservatório é uma vantagem: ajuda a minimizar os efeitos da evaporação.

Dessa maneira, se meu raciocínio estiver correto, vale muito a pena investir nesses painéis solares no sertão brasileiro. Eles podem ser instalados sobre reservatórios d’água ou mesmo na superfície seca. Das duas formas, seria vantajoso.

Outra vantagem da instalação de painéis solares no sertão: como serão instalados na própria cidade ou na propriedade rural, evita-se a necessidade de longas redes de transmissão elétrica. Há perda de energia nessas redes, além disso elas estão sujeitas a raios, chuvas e ventos fortes.

E nem preciso mencionar que energia solar não gera nenhum tipo de emissão de CO2 e outros gases estufa. Claro que durante a instalação alguma coisa é gerada, mas durante a operação, nada é gerado diretamente.

Atualmente fala-se muito no conceito de smart grid. Trata-se de uma forma inteligente de gerar energia elétrica, levando em conta diversas fontes de energia elétrica, de preferência renováveis, mais amigáveis ao ambiente e limpas. No conceito de smart grid, o consumidor é estimulado a gerar sua própria energia (painéis solares, biodigestores, energia eólica, etc). Se por acaso o consumidor gerar mais energia do que utiliza, poderá vendê-la as empresas concessionárias.

Além disso, no conceito de smart grid leva-se em consideração mudar as fontes e o uso de energia no horário de pico. Por exemplo, vamos supor que você tenha um carro elétrico. Você o usa o dia todo e chega em casa no final da tarde, quando tem o costume de ligá-lo na rede elétrica para recarregar. No conceito de smart grid, a recarga inicia-se automaticamente apenas durante a madrugada, quando não é mais horário de pico.

O aquecimento global tem criado oportunidades para que pesquisadores desenvolvam alternativas para reduzir as emissões de gases estufa nas atividades humanas. É um desafio e tanto, mas quando lemos revistas de divulgação científica é notável que boas ideias surgem diariamente. Infelizmente esbarra-se no poder monetário de grandes empresas do ramo petroleiro. Mas há uma esperança: recentemente li que os herdeiros da família Rockefeller, que fez fortuna com petróleo, estão vendendo todos os investimentos relativos a combustíveis fósseis e pretendem investir a grana em energia limps, particularmente energia solar. Bom, claro que eles estão notando aí uma oportunidade de ficarem ainda mais ricos, mas é interessante observar essa mudança de investimentos, que pode até influenciar outros detentores dos meios de produção (sonho?).

Por falar em sonho, a Shimizu Corporation tem um sonho bem maluco: painéis solares circulando a equador da Lua. A energia serão então transmitida para a Terra através de microondas e lasers. Segundo a empresa, esse projeto forneceria 130000 TW de eletricidade por ano (mais de 3x do que é produzido pelos EUA). Confesso que não achei isso apenas audacioso: achei meio perigoso. Isso não aumentaria a temperatura da Terra? Será que é só boato? Bom, li na Revista do Smithsonian.