Retrospectiva: resenhas de 2014



Retrospectivas normalmente são feitas na última semana de dezembro. Mas nesses dias eu estava fora de casa e morrendo de calor , então decidi escrever minha retrospectiva literária (chamaremos assim) hoje mesmo.

Espero que isso não aconteça em 2014!
Espero que isso não aconteça em 2014!

Em 2014, comecei a me dedicar mais em escrever resenhas de filmes, livros e séries para o Meteorópole. E o ano começou com uma bomba, um dos piores livros que já li. Trata-se da resenha de Genesis – An Exo Novella series. Talvez eu esteja exagerando e o livro não seja tão ruim assim. A única coisa boa é que não paguei nada por ele (estava de graça na Amazon). O livro possui alguns clichês da exploração espacial da ficção científica, é verdade. Mas esse nem é um grande problema, porque acho que clichês podem ser bons se forem bem explorados. A história não se desenvolve direito, é confusa e deixa a desejar. Confiram, por sua conta e risco.

Depois falei do filme O Mordomo da Casa Branca.  Gostei do filme, mas alerto que ele é bem pretensioso. Tanto que o título em inglês é Lee Daniels’ The Butler. Isso meso, galera, o diretor colocou o nome dele no título do filme! Mas tudo bem, ele merece por ter juntado um time de estrelas, de Forest Whitaker a Vanessa Redgrave. Um bom filme :). Os críticos não gostaram muito, pois pelo investimento no elenco de estrelas e pelo título pomposo, talvez esperassem mais. Bem, não me importo com críticos.

Agora vamos falar de livros de popularização da ciência. Escrevi uma resenha de 17 Equations That Changed the World. O livro também foi publicado em português e recomendo muito! Se você ama matemática, tem que ler esse livro. Comprei na livraria de um aeroporto, não dei muita coisa por ele no começo, depois não consegui parar de ler. Que livro maravilhoso! Mesmo se você não tiver familiaridade com deduções de equações, vai gostar do livro porque as equações são quase que apenas “figuras ilustrativas”. Explico: as equações aparecem no início de cada capítulo como uma referência para a história que o autor vai contar. O autor mergulha até na vida do matemático/físico/astrônomo/etc responsável pela elaboração daquela equação, que não deixa de ser uma conclusão de seu trabalho. Muito bom!

Quem me conhece sabe que adoro jornalismo literário. E o livro Cabul no Inverno faz parte dessa categoria. Ann Jones narra sua jornada como voluntária no Afeganistão, após o atentado terrorista de 11 de Setembro e após o cessar fogo das forças norte-americanas naquele país. Ela trabalhou em presídios femininos, onde atuou como voz de mulheres que eram presas por razões que a maioria de nós considera absurda, como ser presa por prostituição ou ser presa porque fugiu do marido/pai/irmão abusivo ou ser presa porque foi estuprada. Vocês leram bem, há mulheres que são presas porque são estupradas. Em alguns lugares, se uma mulher é estuprada ela deve casar-se com o agressor. Dessa forma, é considerado que o estupro não existiu. Revoltante e inacreditável. Ann também trabalhou como formadora de professores de inglês de escolas afegãs. Ela narra seu corajoso e honrável trabalho sob a óptica feminista, o que me fez gostar ainda mais do livro.

Depois disso, li um clássico: A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. O livro narra uma destrutiva invasão marciana. O autor é personagem do livro, ele conta como se separou de sua esposa durante os conflitos. Conta também sobre a procura do irmão, enquanto luta pela sobrevivência. Muito hollywoodiano, tanto que foi adaptado para o cinema algumas vezes e serviu de inspiração para outros trabalhos da sétima arte.

E minha prima Danuza também participou do blog, dando a dica do livro O Amor Chegou Tarde em Minha Vida, de Ana Paula Padrão. Era para a Danuza ser uma colaboradora recorrente, mas ela acabou trocando de emprego e se envolvendo em outras atividades. Uma pena, a Danuza é muito engraçada e tem boas ideias.

Também li Sagrados – A Aliança de Maria MadalenaLivro escrito pela escritora e jornalista Anaté Merger, que vive em Provença e tem um site de turismo e curiosidades sobre a região. A Provença é uma região que está em meus planos de viagem e espero um dia poder conhecer. Para isso, pretendo aperfeiçoar meu francês. E vou ter que esperar um pouco também, pois estou grávida e preciso focar nesse bebê :). Adorei o livro, a autora misturou elementos de ficção especulativa e elementos da paisagem provençal. No livro, há anjos e feiticeiras. Alguns são bons, outros são maus e outros transitam entre bondade/maldade. A criatividade de Anaté e a imersão na cultura, tradições e lendas da região é deliciosa!

Li também Mrs. Dalloway, de Virgina Woolf. Nem tenho o que falar sobre a criatividade da autora: tudo se passa em um único dia. Todos os personagens da trama, que aparentemente não tinham nenhuma relação entre si, tem suas histórias cruzadas em uma grande festa. Gostei bastante, fiquei feliz por sair da minha zona de conforto. O engraçado é que não me apeguei a esse livro. Tenho uma estante cheia de livros em casa. Tive que comprar outra para colocar nossos boardgames, mas ainda há livros na parte de baixo. A verdade é que tenho me apegado cada vez menos a ‘livros de papel’, já que o Kindle oferece muitas facilidades e tenho a possibilidade de conseguir livros gratuitos ou com preços muito bons.

Também revi o filme Mamãe é de Morte e escrevi uma resenha. Olha, não é humor. Também não é terror. É uma mistura entre os dois. E é recheado por cenas bizarras e improváveis. Gosto muito =)

Depois escrevi a resenha de um conto escrito por Voltaire, chamado Micromégas. No livro, dois alienígenas gigantes chegam ao nosso planeta e tem dificuldade em enxergar as formas de vida daqui. Sem nenhuma modéstia, é uma de minhas resenhas favoritas. Na resenha, comparei as escalas de tamanho do nosso planeta (raio, profundidade dos oceanos, altura das maiores montanhas, etc) com a escala de tamanho dos personagens. Ficou imperdível!

Agora vamos falar de romance fofo best-seller. Sim minha gente, eu li! Muitas pessoas criticam best-sellers, seus escritores de sucesso e os leitores. Autores de best-sellers sabem dar ao público o que eles querem. São fiéis a um gênero, a uma forma de escrever. Por isso atraem leitores fiéis. Podem ser histórias superficiais ou romances bobos. Mas nem sempre é assim. Acho que depende muito do leitor. Se o leitor está acostumado a outros gêneros e leu clássicos, talvez consiga prever o final da história, talvez ache tudo um saco ou talvez encontre nuances que não são percebidas por outros leitores. Por isso, antes de criticar, conheça, leia, converse com quem gosta de ler, etc. Bom, estou falando de Água Para Elefantes, de Sara Gruen. A autora nos coloca no mundo dos circos norte-americanos da primeira metade do século XX. Circos que não se preocupavam com bem estar dos animais e que exibiam pessoas como curiosidades bizarras. Apesar dessas coisas que hoje nos chocam, também era um universo de amizade e fidelidade. O livro ficou famoso porque foi adaptado para o cinema, estrelando Robert Pattinson e Reese Whiterspoon. É daquele tipo livro que a gente devora rapidinho, gostei bastante.

Depois disso, escrevi duas resenhas de Julio Verne: Viagem ao Centro da Terra e Da Terra à LuaEm termos de “acurácia científica”(e não sou mais dessas chatas que cobram coerência científica em todo material de ficção especulativa que consumo), Da Terra à Lua é bem mais interessante do que Viagem ao Centro da Terra (que é um livro de fantasia, na minha opinião). Ao dizer que é um livro de fantasia, não quero dizer que o livro é ruim, nada disso. Apenas achei que a preocupação científica é menor. Bom, talvez porque no século XIX, o conhecimento sobre astronomia fossem bem mais avançados do que os conhecimentos sobre o interior da Terra. Para dizer a verdade, continua assim até hoje. E talvez seja por isso que Interstellar convença bem mais do que O Núcleo, por exemplo.

E já que mencionei Intestellar, devo lembrar que claro, eu fui ver o grande lançamento de 2014 e contei tudo! Não estou exagerando, contei tudo mesmo. Não me contive nessa resenha e acabei quase que contando todo o filme, desculpem gentes :P. Adorei o filme e pretendo ver novamente.

Também li Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick. Foi livro inspirou o filme clássico da ficção científica, Blade Runner. O livro é bem diferente do filme. O filme não explora os aspectos religiosos/metafísicos tão presentes na obra do autor. Inclusive na edição que li, há uma entrevista de Philip K. Dick em que ele revela ter ficado inicialmente muito decepcionado com o roteiro do filme. Anos depois, quando ele concedeu essa entrevista, ele conta que superou isso e passou a gostar da adaptação. Por falar em Dick, também li o conto A Formiga Elétrica, que foi indicado por um funcionário muito querido de uma livraria que frequento as vezes. O conto nos faz questionar a realidade como conhecemos, é bem perturbador e muito bom. E também li outro livro de Dick, O Homem do Castelo Alto. Quem gosta de histórias envolvendo a II Guerra Mundial vai gostar desse livro, porque ele oferece uma versão alternativa bastante perturbadora: e se o eixo tivesse vencido a guerra? No livro, EUA é um país derrotado, dividido entre japoneses e alemães que ainda estão sob o regime nazista. Fato interessante: foguetes fictícios da Lufthansa aparecem na trama, fazendo transporte entre Alemanha em EUA em cerca de 1h (se não me engano). Achei bem interessante. Claro que o aspecto metafísico não foi deixado de lado nesse livro, o que garante um final surpreendente.

Agora vamos falar um pouco de livro didático. Consultei boa parte de Introdução à Climatologia para os Trópicos, de J.O. Ayoade. Se você ama climatologia e chegou no Meteorópole por essa razão, posso garantir que há diversas razões para ter esse livro em sua biblioteca. Confira aqui.

Eu diria que 2014 foi o ano dos clássicos de ficção científica do século XX para mim. Li vários trabalhos de referência, alguns dos quais já mencionei antes nesse texto. Além desses, li também Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Inclusive mencionei esse livro novamente em um post recente, quando falo do uso indiscriminado de antidepressivos. No livro, há um medicamento chamado soma, consumido em larga escala por pessoas de todas as “castas” descritas no livro. O medicamento alivia os problemas e torna as pessoas mais felizes. Faz com que as pessoas deixem de questionar seu papel na sociedade e se enquadrem nas normas impostas. Nos faz pensar :). Excelente livro. Duas coisas interessantes sobre minha edição: o prefácio é do filósofo-astrólogo-chorumista que possui vários seguidores (risos) e eu consegui esse livro através de uma troca. Eu fui bem ativa em uma comunidade de trocas no ano de 2014. Depois deixei a comunidade de lado por falta de tempo para me dedicar as trocas. Entretanto, fica aí uma excelente dica: participe de grupos de trocas. Esses grupos nos ajudam a desapegar de coisas que estão encostadas em casa e nos ajudam a economizar grana.

Um importante destaque de 2014 foi a publicação em português de O Sonho da Sultana, de Roquia Sakhawat Hussein, publicado originalmente no início do século XX. As responsáveis por essa edição são a Sybylla e a Aline Valek. A tradução ficou ótima e a capa ficou linda. Sem nenhuma modéstia (mais uma vez rs), foi outra resenha que escrevi que ficou ótima. Abordei os aspectos meteorológicos do livro e falei um pouco sobre a climatologia da região onde viveu Roquia. Leiam :).

Eu já disse que 2014 foi o ano dos clássicos, né? Pois então, também li O Senhor das Moscas, de Sir William Golding, vencedor do Nobel. A história conta como um grupo de crianças sozinha fez para viver em uma ilha tropical até então deserta. Talvez logo de cara a gente pense em algo bem fofo e utópico: crianças que sobreviveram juntas e mostraram o valor da amizade. Mas isso não é Sessão da Tarde! As crianças disputam poder, são cruéis e o medo irracional tem consequências desastrosas.

Saindo mais uma vez de minha zona de conforto, li Pulp, de Charles Bukowski. O livro é uma espécie de homenagem ao gênero pulp, considerado subliteratura (menor, menos importante) por muitos. Bukowski adorava os clichês do gênero e brincou com eles na trama. E o improvável ocorre: investigações malucas, um detetive folgado cheio de sorte e um escritor morto reaparece. Muito bom :). Gostei do livro, mas não me apeguei fisicamente a ele (inclusive já o separei, junto com Mrs. Dalloway, para o sebo).

E o ano não podia ficar sem Stephen King. Escrevi três resenhas de livros do autor em 2014. A primeira delas foi de Novembro de 1963 e eu diria que esse é um dos melhores livros de King. Imagine se você pudesse voltar no tempo e então evitar que um assassinato acontecesse? Novembro de 1963 trabalha com essa possibilidade. E será que viajar no tempo é seguro? Será que o passado quer ser mudado? Há consequências? Bom, o livro se desenvolve bastante em cima desses questionamentos. Outro livro de King em 2014 foi Os Olhos do Dragão, que é um conto de fadas ao estilo Stephen King de escrever. É bastante diferente de outros livros do escritor, mas tem também uma certa amarração com A Torre Negra. Randall Flagg aparece mais uma vez, como sempre trazendo caos, intrigas e anarquia por onde passa. E li também Doctor Sleep, que narra a história da vida adulta de Danny Torrance (o garotinho de O Iluminado).

Por falar em clássicos (de novo, de novo), assisti dois filmes que se basearam em O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Um deles, um horror! O outro, fabuloso! Tem Colin Firth no elenco e isso já diz tudo. Leiam as resenhas e fiquem convencidos.

Ainda não falei de séries. Depois do sucesso absoluto de Breaking Bad (acompanhei do início ao fim, como metade da Internet deve ter feito), fiquei encantada por Under the Dome (escrevi esse e esse post a respeito). Estou esperando a segunda temporada ansiosamente.  Outro seriado que me prendeu bastante foi Orange is the New Black (aguardo a nova temporada) e Modern Family. Não sou muito de acompanhar séries, como vocês podem perceber.

Acredito que 2014 foi um ano muito bom para mim em diversos aspectos. Li bastante, assinei a BBC Focus, assisti filmes e séries interessantes, tive reconhecimento em meu trabalho, meus familiares estão felizes e eu estou carregando um novo membro para a família =). Em 2015, pretendo me empenhar em ser uma pessoa melhor, dentre outros pontos que destaquei no primeiro post do ano.

Pelos meus cálculos, li entre 23 e 25 livros em 2014, considerando os que não resenhei. Ontem a Anaté Merger compartilhou essa notícia do Zuckerberg. Bom, o famoso fundador do Facebook decidiu que vai ler 1 livro a cada 15 dias em 2015. Eu decidi fazer parte desse desafio. Não parece muito difícil para mim e aparentemente meio que já consegui isso ano passado (seria mais ou menos 2 livros por mês, dando 24 livros por ano). Mas nesse ano prometo pelo menos mencionar que estou lendo. Nem que eu não escreva uma enorme e elaborada resenha, pretendo falar mais sobre minhas leituras =). E com certeza na minha lista de 2015 vai estar Amor em Jogo, livro de autoria da Anaté Merger. Saiba mais sobre o livro aqui. Nesse link, você pode ler o primeiro capítulo. Li e fiquei curiosíssima ;).

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Em 2014 eu saí de minha zona de conforto literário várias vezes, lendo best sellers ou livros de outros gêneros que não ficção especulativa. E querem saber de uma coisa? Adorei. Ficção especulativa continua sendo meu gênero favorito, mas gosto de aprender outras coisas em outros gêneros.