Tufão Cobra: o primeiro tufão a ser detectado por sensoriamento remoto



O meteorologista Ari Sarsalari tweetou essa imagem recentemente e fiquei bastante curiosa sobre o Tufão Cobra. De acordo com o tweet, o Tufão Cobra foi o primeiro ciclone tropical visto por radar, há 70 anos atrás durante a Segunda Guerra Mundial. Como adoro História da Meteorologia, resolvi pesquisar mais.

Tufão Cobra, em 18 de dezembro de 1944
Tufão Cobra, em 18 de dezembro de 1944. A imagem representa a estrutura do tufão capturada por um radar da U.S. Navy. Fonte: NOAA Library

Sensoriamento remoto é um conjunto de técnicas que possibilita obtermos informações sobre alvos terrestres (objetos, informações da superfície terrestre, fenômenos naturais, etc), através da interação da radiação eletromagnética com a superfície. Em meteorologia, empregamos sensoriamento remoto usando principalmente radares e satélites meteorológicos. Esses sofisticados equipamentos permitem que consigamos informações sobre o alvo (no caso, o fenômeno meteorológico) sem precisar estar perto dele. Ou seja, sem a necessidade de haver uma Estação Meteorológica na região onde o fenômeno está acontecendo. Isso é ótimo, porque nem sempre é viável instalar uma Estação Meteorológica em um determinado local. Por exemplo, no meio do oceano ou em uma área muito afastada de ocupações urbanas. Além disso, o sensoriamento remoto permite o monitoramento de áreas maiores.

Hoje vou contar uma história meteorológica muito interessante, pois trata-se do primeiro tufão (ou ciclone tropical ou ainda furacão) detectado por sensoriamento remoto.

O Tufão Cobra também é conhecido como Tufão de 1944 ou Tufão Halsey (nome dado em homenagem ao Almirante William ‘Bull’ Halsey). O nome foi dado pela Marinha Norte-Americana (U.S. Navy) a um tufão que atingiu a United States Pacific Fleet (Frota Norte-Americana no Pacífico) em Dezembro de 1944 durante a segunda guerra mundial.

Uma força tarefa da U.S. Navy estava operando há cerca de 480km da costa de Luzon, nas Filipinas. Essa força tarefa estava realizando ataques aéreos contra bases áreas japonesas. A frota estava tentando reabastecer seus navios, o que foi ficando cada vez mais difícil a medida que o  tempo piorava e as informações sobre a localização e intensidade do tufão dadas a Halsey eram muito imprecisas. Em 17 de dezembro, o Almirante Halsey involuntariamente navegou sua frota para o coração do tufão.

Caminho percorrido pelo Tufão Cobra. Fonte: Wikimedia Commons
Caminho percorrido pelo Tufão Cobra, entre os dias 15 e 18 de dezembro de 1944. Fonte: Wikimedia Commons

Os ventos fortíssimos (de até 160km/h) e as chuvas intensas fizeram com que 3 destroyers emborcassem e afundassem. No total, 790 pessoas morreram. Outros 9 navios de guerra foram danificados. Além do estrago naval, mais de 100 aeronaves foram destruídas ou caíram no mar. Um porta-aviões foi atingido por um desses aviões que caíram, causando um incêndio de grandes proporções.

Navio USS Langley lutando contra a força dos ventos e das ondas durante a passagem do Tufão Cobra.
Navio USS Langley lutando contra a força dos ventos e das ondas durante a passagem do Tufão Cobra.

Essas histórias de dificuldades sempre acompanham histórias de heroísmo. O USS Tabberer, um destroyer menor, perdeu o mastro e as antenas de rádio durante a tormenta. Mesmo danificado e sem condições de pedir ajuda via rádio, ficou no local onde os outros navios afundaram. Foi responsável por ajudar nas buscas por sobreviventes. O capitão desse navio e todos a tripulação foi condecorada pelo Almirante Halsey.

As guerras trouxeram consequências nefastas para a humanidade, nem preciso mencioná-las. Apesar de ser pacifista por natureza, devo reconhecer que muitos dos avanços no sensoriamento remoto surgiram a partir das guerras. Esses avanços  possibilitaram uma melhoria na compreensão de fenômenos meteorológicos e um salto incrível na qualidade da previsão do tempo.

Para finalizar, vamos lembrar que tufão, furacão e ciclone tropical são sinônimos do mesmo fenômeno. Leia mais aqui.