A inveja não é vilã

Eu tinha um blog antigo, onde usava essa imagem com certa frequência rs.

Eu tinha um blog antigo, onde usava essa imagem com certa frequência rs.

Outro dia fiquei surpresa ao saber das declarações de duas pessoas que ainda convivem comigo (mesmo que à distância, pelas redes sociais). Uma afirmou que “quero me aparecer com meus textos enormes”. A outra disse que se sentia inferiorizado diante de mim na adolescência, porque eu estudava e me articulava bem, enquanto ela se considerava “um Zé bosta”.

Fiquei pensando nessas duas coisas e cheguei a uma conclusão: eu realmente sou meio show-off attention whore. Já fui mais, inclusive. Fui representante de minha turma em dois anos do ensino fundamental, sempre me dedicava para fazer os melhores trabalhos escolares e ser elogiada pelos professores, sempre quis saber sobre coisas diferentes, sempre quis aprender mais do que aquilo que era ensinado nas aulas, sempre quis me destacar, etc. Atitudes saudáveis a uma primeira vista, mas eu realmente me sentia “a última Passatempo do pacote” quando conquistava algo. Ou seja, uma péssima vencedora.

Claro que hoje eu sou mais velha, mais madura e mudei muito minha postura. Conheci outras  pessoas, com muito mais conhecimento e referências do que eu e dessa forma abaixei minha bola e vi que não era acima da média. Mas não adianta, ainda sou meio “aparecida”, só que com muito mais humildade. Acredito que faz parte de minha personalidade.

Fiquei impressionada e triste com a declaração dessas pessoas que mencionei. Cheguei a conclusão que tenho sim minha parcela de culpa, pelo meu imenso sentimento de superioridade. Por outro lado, concluo também que essas pessoas não souberam lidar bem com a inveja. E é disso que quero falar nesse post, após essa longa introdução.

Acredito que inveja é um sentimento que todo mundo já sentiu ou sente. Ninguém nunca deixa de sentir inveja. Invejamos desde o cabelo da modelo da TV até o escritor best-seller. Não adianta, a gente inveja inclusive as pessoas nas quais nos espelhamos. A grande e importante diferença está na forma com que lidamos com esse sentimento.

Se você lida com o sentimento de maneira positiva, entendendo que você e o outro são diferentes e que você pode sim inspirar-se no outro (inspirar-se e não copiar!) para ser um indivíduo melhor e encontrar suas aptidões, você está lidando bem com isso.

E quando trata-se de inveja com relação a aparência, bom, daí acho que cabe uma cura interior, uma psicoterapia, alguma coisa assim. Mesmo que você faça milhões de cirurgias plásticas, não vai ficar igual a Gisele Bündchen e isso será frustrante. E aí entra a aceitação: ame-se como você é. Pode sim melhorar sua alimentação, procurar exercícios físicos supervisionados e até fazer plástica se quiser. Mas é preciso entender que você é diferente da outra pessoa. Talvez possua um biotipo completamente diferente e por isso precisa aceitar-se como é. Não dá para mudar seus genes e bombardear-se com radiação gama não deve ser saudável.

Há muitas pessoas que lidam com a inveja de maneira negativa. Depreciam-se, depreciam o outro (procurando defeitos e até falhas inexistentes). Observe a cantora Taylor Swift por exemplo. Uma moça comercialmente bonita e talentosa. Sempre na lista de mais bem vestidas, é inspiração para muitas moças. Há um certo tempo começaram a apontar um suposto “defeito” na moça: ela ficava com muitos rapazes, era namoradeira (como dizia minha avó). Uma tentativa machista de depreciá-la, certamente motivada por inveja mal resolvida.

Outro ponto a se considerar é como vivemos hoje. As pessoas postam fotos e informações sobre suas vidas nas redes sociais. Colocam foto do lugar paradisíaco que conheceram. Postam uma foto toda montada do dia da formatura. Alguns inclusive fazem manipulação digital nas imagens. E há casos patológicos de gente que mente, dizendo que esteve neste ou naquele lugar para mostrar um estilo de vida que não condiz com o seu. Muita gente anda invejando vidas artificiais, irreais, baseando-se nas biografias editadas que as pessoas postam nas redes sociais. Vou falar por exemplo dos meus textões: não sei nem escrever Bündchen sem procurar no Google, imagine então Nietzsche. Sei nem escrever Bjerknes (um dos pioneiros da previsão do tempo). Todo escritor dos dias de hoje utiliza o Google para procurar/checar referências ou para conferir a grafia de uma palavra. No passado também: usavam dicionários e enciclopédias. Tudo é artificial, em maior ou menor grau. Toda biografia de rede social é editada. Ninguém posta fotos de seus piores momentos (só minha prima/amiga Esther, mas ela posta num grupo fechado que temos rs). A bailarina não existe de verdade.

Talvez eu queira sim me aparecer com meus textos enormes. E sinceramente? Não vejo problema nisso. Meus textos não são grande coisa, não escrevo tão bem assim, eu sei disso. Mas eu gosto de escrever e adoro me comunicar com as pessoas dessa forma. Não estou cometendo nenhum crime. Outro dia vi uma moça comentando no Youtube que diziam que ela queria se aparecer porque “tinha uma determinada bolsa de marca”. Ela argumentou que trabalhou honestamente para conquistá-la e ela tinha direito de mostrá-la se quisesse. Acredito que é a analogia perfeita e descreve exatamente o que sinto com relação aos meus textos.

Concluo meu texto pedindo para que as pessoas revejam seu relacionamento com a inveja. Viva e deixe o outro viver! Se o outro gosta de “aparecer” e isso te faz mal, deixe de acompanhá-lo.  Use a inveja como mola impulsionadora, não como algo para depreciar-se. E por favor, não copie os outros. Use os outros como exemplo para encontrar suas aptidões, não faça cópias! Respeite o que há de mais lindo no ser humano: cada um de nós é único.