Dúvida do leitor: Carreira Profissional

ID-100110820O Cloves Teodorico perguntou (e mandou uma mensagem muito simpática):

Inicialmente, gostaria de parabenizá-la pelo blog. Acompanho a pouco tempo, mas adoro as postagens. Muito bem escrito.

Minha intenção, com este questionamento, é quase um ”socorro”. Na realidade, uma luz. É o seguinte: sou formado em Jornalismo há 1 ano, tenho 23 anos de idade, mas a verdade é que não estou satisfeito com a profissão. Cansei total MESMO. Minha segunda paixão, que quase segui carreira, foi a Geografia. Mas dentro da Geografia, sempre gostei da parte física, sabe? Estudar biomas, vegetação, solo, clima, etc, etc. Dentro dessa parte de geofísica, os fenômenos naturais da atmosfera são os que mais me deixam curiosidade.

Diante disso, estou me preparando, este ano, para prestar vestibular no fim do ano para Meteorologia. O que me preocupa: nunca fui fã de exatas! Mas tenho uma característica pessoal que marca: sou dedicado ao extremo quando quero uma coisa.

Então, minha pergunta pra ti é: curso Meteorologia mesmo? A maioria dos mestrados que eu tenho interesse ”exigem” a graduação em meteorologia. A carga de cálculo dá pra aprender mesmo com dificuldade?

Já conversei com pessoas formadas. E as opiniões variam, sabe. O que me deixa ainda mais inseguro, com medo e tal.

Aguardo teu retorno!
Desde já, muito obrigado!

Como já disse nesse post, perguntas sobre carreira são muito comuns aqui no bloguinho. Tento responder todas, mesmo que acabe me repetindo de alguma forma. Não importa, acredito que dessa forma novos leitores do blog vão saber um pouco mais de minhas opiniões.

Abaixo, vou colocar a resposta que dei a ele por e-mail e vou fazer alguns comentários em seguida:

Olha, minha opinião é que qualquer curso de graduação é difícil, se o aluno deseja fazer bem feito. Acho um mito isso de que curso de exatas é mais difícil. O que acontece é que infelizmente, principalmente em escolas públicas, o conteúdo não é apresentado de maneira interessante. Poucos professores são formados na área  que lecionam (triste realidade) e em várias escolas inclusive faltam professores para Matemática, Física e Química.

Enfim, esse é apenas um fator, ao meu ver um dos principais, por ter transformado exatas em um ‘bicho de sete cabeças’, que não é.
Apenas acho que você tem que pensar qual sua prioridade na carreira antes de cursar o vestibular. Você pretende trabalhar como meteorologista, na previsão? Ou pretende ser acadêmico da área de meteorologia?

Se pretende trabalhar na previsão, tem q fazer a graduação, porque só meteorologistas podem fazer previsão do tempo e atuar profissionalmente de modo geral. Se você pretende ser acadêmico, é possível fazer mestrados na área tendo outras graduações de exatas, como Física e Matemática. Conheço até geógrafos que fizeram mestrado e doutorado em departamentos de meteorologia e hoje são professores. 

Bom, acho que é o que tenho para fazer. Não vou dizer se você deve ou não fazer meteorologia, pq cabe a você definir de acordo com o que pretende fazer no futuro.

Depois vou elaborar essa resposta melhor e escrever um post a respeito, mas em linhas gerais é o que tenho a te dizer.

Um grande abraço e desejo uma boa escolha! 

Acredito que respondi as dúvidas do Cloves de maneira mais ou menos satisfatória. E esse post aqui também pode ajudar. Se você está em dúvida sobre cursar ou não Meteorologia, aconselho que procure conversar com diversos profissionais. Eu, por exemplo, trabalho com dados e com cultura e extensão, tenho pouquíssima experiência no mercado operacional (previsão do tempo). Vale a pena conversar com vários profissionais e ler os depoimentos de diversos meteorologistas. Dessa forma, fica mais fácil saber do que o curso se trata e saber o que se pode esperar depois de formado.

Sobre o que esperar depois de formado… bom, eis uma pergunta difícil. Supondo que o aluno formado já tenha em mente que não quer entrar para a carreira acadêmica (mestrado e doutorado), a resposta fica bem difícil. Por uma simples razão: não sabemos como vai ser a realidade do mercado de trabalho daqui 4 anos! Há uns 10 anos, as empresas de previsão do tempo contratavam bastante. Depois muitos formados acabaram indo para o mercado financeiro (bancos e instituições financeiras costumam valorizar profissionais da área de Exatas). Anos depois muitos meteorologistas foram trabalhar no mercado de energias renováveis. Assim, como simples observadora, percebo que o mercado de trabalho atua em “ondas”, como se a cada momento houvesse uma “moda”.  Mas isso é bem fácil de explicar. Imagine que o Joãozinho se formou e foi trabalhar em um banco. Seu chefe gostou de seu desempenho e pediu para que Joãozinho avisasse seus colegas que o banco está procurando mais profissionais. Só essas indicações já inserem vários formados no mercado de trabalho.

Além disso, a gente precisa lembrar que não tá fácil pra ninguém. Muita gente se forma e tem expectativas exageradas a curto prazo. Imaginam salários elevados, posições hierárquicas promissoras… Bom, a gente precisa começar de baixo, com muita calma e aprendendo bastante. Porque quando a gente se forma, seja em qual for a área, não sabemos os macetes do mercado de trabalho e não temos experiência profissional e operacional. Bom, a não ser que o aluno já tenha trabalhado antes ou feito um estágio (o que recomendo fortemente).

Um professor meu uma vez disse que se você faz o que gosta, irá bem. Pode não ficar milionário (nunca tenha expectativas de riquezas, essa é apenas minha opinião e posso falar mais sobre ela em outro post), mas vai ir bem e será reconhecido. E você terá satisfação pessoal, o que é muito bom. Imagine ficar 8h por dia dedicando-se a um trabalho que não gosta. Trabalhar é necessário, não há como fugir disso na sociedade. Se você retirar-se para morar em uma casa isolada no campo, vai ter que cultivar a própria comida e cuidar da manutenção da casa, por exemplo. O trabalho sempre vai existir, por isso temos que aprender a lidar com isso. E claro, sempre apoiar lutas sindicais e lutas por melhorias nas condições de trabalho, porque se ficamos 8h por dia trabalhando, isso precisa ser feito de maneira digna.