Dúvida do leitor: O curso de Bacharelado em Meteorologia é difícil ?

O Daniel me mandou uma pergunta:

O curso de Bacharelado em Meteorologia é difícil ?

Essa pergunta (e variações dela) é muito comum na minha caixa de e-mail. Inclusive já a respondi aqui.

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O que sempre reforço é que não existe curso de graduação fácil. Se você quiser cursar uma boa universidade, de maneira organizada, correta e com muita dedicação, vai ter que colocar muita força de vontade, vai ter que abdicar de muitas coisas, vai ter que estudar muito e vai ter que se esforçar bastante. Isso vale para qualquer curso, seja de Humanas, Exatas, Biológicas ou Tecnologia.

Na USP, por exemplo, não existe curso fácil. Minha prima Aline fez Letras e tinha toneladas de fichamentos e resenhas para fazer. Eram textos difíceis, complexos, que exigiam referências e conhecimentos anteriores. Uma outra prima minha, a Deborah, fez Pedagogia e também teve dificuldades em diversas matérias, que com muita dedicação ela superou.

Meu irmão e minha prima Esther cursaram Matemática e Geofísica, respectivamente. Meu marido também cursou Geofísica. E como convivi com todos eles, sempre ouvi relatos de dificuldades em disciplinas como Cálculo, Física, Calculo Numérico, Álgebra Linear, etc. Eu também tive dificuldades nessas mesmas matérias. Mas por exemplo, eu também tive dificuldade em algumas disciplinas específicas da Meteorologia. Ou seja, o curso é difícil sim! Mas isso não é motivo para desistir. Pelo contrário, a Universidade é uma oportunidade para ultrapassar seus limites e obter novas conquistas.

A verdade é que a Universidade (e falo aqui de uma BOA UNIVERSIDADE) não tem o mesmo formato de muitas escolas de Ensino Médio. O conteúdo não é mastigadinho em uma apostila ou material dirigido. Na maioria dos cursos da USP os professores dão uma relação de textos ou livros de referência. O aluno assiste a aula mas apenas assistir a aula não é suficiente para ir bem na prova. É preciso estudar muito e acredite, não adianta muita coisa estudar um dia antes da prova. O estudo vai ter que ocorrer diariamente. Eu costumava estudar o conteúdo de uma determinada aula no mesmo dia em que a assistia ou no máximo, no dia seguinte. Em outras palavras, o aluno vira um autor do próprio material de estudo.

Alguns professores até disponibilizam apostilas, mas a maioria dessas apostilas são apenas material de referência bibliográfica. Minha experiência (me formei há uns 8 anos) é de que a maioria dos professores disponibilizavam apenas as transparências (.pdf ou .pptx). Ou seja, uma referência para que os alunos sigam enquanto consultam materiais na biblioteca e na internet.

A única saída é estudar bastante, dedicar-se e como eu disse anteriormente, abdicar  de muitas coisas. Por exemplo, uma vez aluno da USP (ou de qualquer outra Universidade muito boa), se você quiser ir bem vai ter que controlar seu horários de lazer. Muitos alunos descontrolam-se no primeiro semestre do curso, logo que ingressam. Vão a todas as festas possíveis e imagináveis. E é claro que isso faz com que o rendimento acadêmico seja muito ruim. Tem que saber dosar os horários de lazer, dosar como tudo na vida.

Depois de esclarecer essas coisas, costumo dizer ao aluno em dúvida: Você tem perfil para um curso de Exatas? É bom em Raciocínio Lógico? Costuma ir bem nas matérias de exatas do Ensino Médio? Sabe mesmo o que é Meteorologia e sabe da área de atuação do profissional formado? A última pergunta por exemplo pode ser respondida indo ao USP e as Profissões (por exemplo), organizado anualmente pela USP. No USP e as Profissões (que costuma acontecer em meados do segundo semestre), o aluno pode conhecer os institutos e conversar com profissionais formados. Acredito que outras Universidades organizem eventos parecidos.

Quero por fim concluir que não entendo essa “resistência” com relação a Exatas. Entendo que matérias de exatas muitas vezes são ensinadas com dificuldade em escolas públicas, pois faltam professores. Mas também faltam professores para matérias de humanas. É uma resistência estranha, que nem sei como avaliar e buscar a raiz desse problema, mas fazendo algumas conjecturas, talvez tenha raiz naquele estereótipo do “cientista maluco” ou da pessoa que “estudo tanto que enlouqueceu”. Se você tiver alguma sugestão sobre a origem dessa aversão à Exatas, escreva nos comentários, por favor.

Bom, é isso, Daniel! Espero ter ajudado e desejo que você faça uma boa escolha.