A “Cientista” Grávida – Lista de coisas que uma grávida não gosta de ouvir (episódio 11)



No episódio 8, mencionei essa lista com 50 coisas que uma mulher grávida não gosta de ouvir. Alguns pontos dessa lista certamente são quase unanimidade. Outros são bem pessoais. Pensando nisso, resolvi criar minha própria lista.

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Semana que vem entro no sétimo mês de gestação. Então já vivi ou ouvi algumas coisas das quais não gostei. O lado bom é que estou aprendendo a “sublimar” essas coisas e estou tentando fazer com que elas não me irritem tanto, mas confesso que para mim isso é uma tarefa bem difícil.

Dessa maneira, criei essa lista das “coisas que uma grávida não gosta de ouvir”. Essa uma grávida, sou eu. Talvez algumas leitoras que já são mães vão concordar comigo em alguns pontos. E espero que essa lista ajude quem não é mãe a não cometer gafes por aí. E o melhor: que sejamos todos empáticos!

Minha lista tem 30 pontos. Se alguém discordar de algo (ou concordar rs) ou se alguém tiver algum ponto para acrescentar, fiquem a vontade =)

1. “Nossa, como você tá gordinha/magrinha”. Essa é uma das piores e acredito que vale em todas as situações, mesmo que você não esteja gestante. Qualquer observação sobre a massa corporal do outro é deselegante, acredito que não tem como falar do peso dos outros sem cometer gafes! A não ser que você seja profissional da saúde (e tem muitos que ainda falam bobagem). Eu tenho acesso a balança, dessa forma eu sei o quanto estou engordando/emagrecendo. Meu médico também tem acesso a esse tipo de informação, então melhor calar a boca.

2. “Nossa, seu corpo tem um formato assim/assado deve ser menino/menina”. Essa não é horrível, mas é chata. Cada pessoa tem uma estrutura corporal diferente e dependendo do estilo de vida e da genética, vai ter mudanças corporais diferentes. Dessa forma, talvez você tenha a “barriga pontuda”, mas é um menino e não uma menina, como se esperava.

3. “A minha vizinha fez essa ou aquela simpatia e descobriu o sexo do bebê”. Essa é chatinha, mas pelo menos é curiosa. Adoro “conhecer” essas curiosidades e até escrevi um post sobre as fases da Lua e a gravidez (veja aqui). Só que ouvir insistentemente que devo fazer essa ou aquela simpatia é bem chato. Tem a ver com o item 2 também e poderíamos chamar tudo isso de pseudociência na gravidez.

4. “Nossa, mas você está dirigindo/dançando/rebolando/subindo escadas/trabalhando/etc”. Acho que cada um sabe de seus limites, não? Além disso, as pessoas fazem acompanhamento médico. Ou seja…

5.“É um menino, que sorte!” ou raramente “É uma menina, que sorte!”. Algumas pessoas preferem esse ou aquele gênero e nem tenho palavras para dizer o quanto isso é lamentável. “Sorte”, se é que posso chamar assim, é quando o bebê, seja de qual sexo for, nasce com saúde e a mãe fica bem e se recupera de maneira boa.

6. Imagine a cena: você está carregando um pacote de 2kg e chega uma pessoa desesperada dizendo: “Não pode carregar peso”. Tem a ver com o item 4. A pior coisa é quando querem fazer com que você sinta improdutiva. Eu detesto isso. Se estou fazendo uma determinada tarefa, é porque posso e porque quero. Ninguém tem nada a ver com isso. #momentogrinch.

Pausa dramática: sei que há muitas pessoas que querem ajudar. Apesar de questionar essa intenção, eu entendo. Uma amiga muito sábia e com dois filhos certa vez me disse que as pessoas vivem querendo apitar na sua vida, dizendo o que você pode ou não fazer. E isso mostra uma outra face: o machismo na gravidez. Parece que aproveitam dessa ocasião para controlar seu corpo e suas ações. Não estou advogando que grávidas devem correr maratonas, mas acredito que cada uma sabe de suas limitações. E ouvir homens determinando o que você pode ou não fazer nesse período especial de sua vida, é muito chato, já que eles nunca viveram isso e poucos participaram ativamente dos 9 meses de gravidez da esposa. Essa mesma amiga pontuou outra coisa importante: quando precisamos mesmo de ajuda, esses chatos que se metem na sua vida dificilmente ajudarão. São aqueles mesmos amigos e familiares, dos quais a opinião realmente importa. E são esses mesmos amigos e familiares que sabem se portar bem e quando falam alguma coisa, é porque realmente se importam.

7. “Mas você vai comer isso/aquilo? O bebê não reclama?”Sim, meu filho me manda uma mensagem no WhatsApp falando que detesta água com gás rs.

8.  A intimidade sem cabimento. Por exemplo, do nada vem aquela pessoa com quem você pouco conversa (ou que você nem conhece) e começa a tocar na sua barriga. Como se sua barriga de repente virasse patrimônio público. Meu marido fala uma coisa muito engraçada e meio fuleira, mas que preciso compartilhar aqui: “Pegar no meu saco ninguém pega”. Disse tudo.

9. A intimidade forçada. Tem a ver com o item 8, mas separei porque é uma situação diferente. É como se de repente você virasse best friends forever de todas as mães do mundo. Não é assim, amigas. Uma coisa é o sentimento de sororidade e de apoio, que toda mulher deve ter para com a outra. Uma coisa completamente diferente é a amizade. A amizade depende de afinidade. E as pessoas nem sempre compartilham as mesmas ideias sobre criar filhos.

10. Seu filho nem nasceu e já tem gente querendo definir a religião dele. Meu Deus, essa é terrível. Principalmente quando na família há pessoas de diferentes religiões. Pessoalmente acredito que você tem que dar condições para que seu filho adquira cultura geral e conheça as religiões. Dessa forma ele pode escolher em ter uma ou não.

11. “É um menino, vai ser pegador”. Ainda não ouvi, mas conheço mães que já ouviram. Para essa terei que dar uma resposta bem grosseira mesmo, mas um peteleco tão bem dado que a pessoa nunca vai esquecer. E há pessoas que conseguem ser ainda mais toscas, com equivalentes como: “Segure suas cabritinhas que meu bode tá solto”. Há outros equivalentes, como por exemplo quando é uma menina e falam para o pai: “Nossa, coitado, vai ser fornecedor”.  E você achando que o Tio do Pavê não conseguia se superar!

12. História triste aleatória sobre a gravidez de alguém. Essa não me afeta muito, mas não gosto de ouvir. Entretanto, há mulheres que ficam extremamente preocupadas e nervosas quando ouvem histórias assim.  Acho que não há nenhuma necessidade de compartilhar esse tipo de coisa com mulheres grávidas. Eu sei que a gravidez pode evoluir de forma ruim e que muitas coisas podem acontecer. Mas eu acredito muito que a gente tem que se manter firme, com fé e com muita esperança, algo que alguns também chamam de pensamento positivo. E é difícil manter-se positiva quando as pessoas compartilham certas histórias. Por isso, conselho pra vida: afaste-se de pessoas negativas e tóxicas.

13. “Nossa, mas você vai deixar na creche?” ou “Nossa, coitada da sua mãe, ela que vai cuidar?” ou “Nossa, que burguesa, contratou babá” ou “Nossa, vai parar de trabalhar, que absurdo!”Essas pessoas não te ajudam em NADA tenho certeza disso. São pessoas que não se oferecem para cuidar do bebê e que não ajudam nem com um pacote de fraldas. Eu tenho CERTEZA que quem fala essas coisas não ajuda em nada, mas é CERTEZA. Por isso, ignore toda essa gente! Repetindo: ignore toda essa gente. Você sabe o que é o melhor para sua família, você e seu companheiro(a). No máximo, se você tem um bom relacionamento com pais/irmãos/amigos poderá ouvir experiências pessoais que talvez te ajudarão.

14. “Você vai comer tudo isso?” ou “Você vai comer só isso?”. Mais uma vez, cada um sabe de si e duvido que quem fica pontuando isso vai te ajudar de alguma forma. O “Você vai comer tudo isso?” certamente deve ser ouvido por mulheres gordas também. Uma colega minha, que é gorda, certa vez comentou que estava no supermercado comprando produtos diet, quando ouviu duas moças comentando por perto: “Nossa, não sei porque tá comprando diet”. Sério, por que as pessoas não cuidam das próprias vidas?

15. “Nossa, na minha gravidez eu me senti muito bem, me mexia, subia pra cima e pra baixo e você não quer subir uma escada? Ah, no meu tempo não tinha isso de elevador e assento preferencial não”. Que pena, amiga. Se você não consegue ficar feliz que agora as mulheres grávidas tem algumas facilidades, então chore de inveja. Tem até vaga reservada em alguns shoppings (meu irmão disse que quer ir no shopping comigo agora rs). Então derrame suas lágrimas de recalque.

16. “Eu fiquei só 1 mês de licença maternidade. Vai ficar 4/6 meses? Que folga”. Mesma coisa que o item 15. Se a pessoa não consegue ficar feliz pela conquista alcançada pelo outro honestamente, então não deveria viver em sociedade.

17. “Nossa, que grávida mais fresca”. Cada um, cada um. Eu até posso considerar que algumas atitudes de outras gestantes sejam exagero, mas é melhor e prudente que eu fique quieta. Todos temos telhado de vidro. Talvez alguma coisa que eu considere “normal”, seja frescura para outra pessoa. Então é melhor ouvir e compreender.

18. “Nossa, seu parto vai ser norma/cesária/cócoras/natural/na água/etc, que absurdo”. Claro, porque quem diz isso é médico.

19. “Essa linha preta no meio da sua barriga é muito estranha”

20. “Cuidado com as estrias”. Normalmente é seguido por uma receita miraculosa ou por um produto que promete evitar estrias. Quando na verdade estrias tem um componente genético também, não há como evitar. Paciência, viva sua vida, você é mais importante do que algumas marcas.

21. “Nossa, você tinha um corpo tão lindo antes da gestação, agora vai ficar detonado. Só ver o exemplo de Fulana, tão magrinha e agora está um bucho”. É normalmente dito por quem só sabe avaliar os outros pela aparência, por pessoas que provavelmente são mal resolvidas nesse quesito e tem inveja destrutiva dos outros. E nem preciso reforçar o quanto a aparência pesa para as mulheres em nossa sociedade, pois esperam que você tenha o corpo da capa de revista (que claro, conta com personal trainer, nutricionista e photoshop). E quando citam o exemplo de uma famosa que ficou grávida e 15 dias depois do parto já estava deslumbrante? Pois é…

22. Essa tem a ver com o item 18, mas é especial para as ativistas do parto natural: “Ah, mas como as mulheres faziam antigamente? Elas pariam”. Sim, e morriam amigas. Muitas morriam, porque não tinha estrutura hospitalar e maneiras de detectar a necessidade de uma cesária.

23. “Nossa, a pele de fulana ficou maravilhosa na gravidez, a sua está toda detonada”. Nem preciso dizer que qualquer comentário sobre a aparência do outro é nojento. Não consigo acreditar que há pessoas que tem essa falta de educação tão grande que são capazes de serem grosseiras, falando isso diretamente na cara da pessoa. Quer pensar porcaria, pense. Mas pense mil vezes antes de falar, e tá faltando isso. E parece que com a internet o bom senso e a educação estão ainda mais em falta no mercado.

24. “Porque você não sobe esses 300 degraus? Está doente?”. Sério, essa eu ouvi hoje, de um homem, claro. Vou até guardar pra mim o que penso dele, porque não é educado.

25.  Qualquer coisa sobre ter um segundo filho, ter um terceiro, mandar parar nesse mesmo “que já tá bom”, etc. Eita gente que faz controle de natalidade pros outros. E volto a repetir: quem fica falando essas chatices raramente ajuda em alguma coisa concreta, reparem.

26. “Ah, mas você não vai fazer chá de bebê?” Ou “Ah, mas no chá de bebe de fulana tinha isso e aquilo, por que no seu não tem?”. Talvez porque eu seja diferente de fulana, não é mesmo? Tenho que começar do óbvio om você?

27. “Ah por que você fez esse ensaio fotográfico cafona?” ou “Ah, porque você não faz um ensaio fotográfico etc?”

28. “Você tá fazendo pré-natal?”. Acho descabida, porque sou uma mulher adulta. Não estamos falando de uma adolescente grávida e mesmo que fosse, supõe-se que ela tem um responsável. Acho essa pergunta muito nada a ver, porque conheço mães de todas as ‘classes sociais’ e todas fizeram pré-natal.

29. “Como seu marido está lidando com a gestação?”Acho que quem fala isso quer saber se meu marido me acha atraente e quer fazer sexo comigo rs. Enfim, meu marido me ENGRAVIDOU gente, então ele tem que lidar com isso e aprender junto comigo. Nessa sociedade machista, muitas vezes a gravidez é um ‘fardo’ que a mulher carrega sozinha.

30. Essa é uma situação que me acomete muito. Como estou com a saúde legal e normalmente não me queixo de dores ou problemas, quando peço uma coisa simples, algumas pessoas me olham torto ou não compreendem. Também senti na pele as dificuldades que é para ter um assento reservado sendo respeitado, por exemplo. Além disso, discordo dessa ideia de “assento reservado”. A civilidade tem que existir e as pessoas precisam aprender a ceder seu lugar a quem precisa, independentemente de ser reservado ou não.

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.