Bati o carro e conclusão: tenha uma cobertura para terceiros!



Uma das aventuras da minha vida, após ter descoberto a gravidez, foi voltar a dirigir. Marido e eu quebramos nosso cofrinho e adquirimos um veículo, compra da qual estamos muito satisfeitos.

Sempre detestei dirigir, desde que meu pai praticamente me obrigou a tirar carta aos 18 anos. Talvez eu esteja sendo injusta com ele. Ele não me obrigou, mas me pressionou bastante rs. Ele acreditava que com isso estaria me ajudando. Tirei a carta depois de muita complicação, drama, choro e ranger de dentes (eu era muito drama queen, call an ambulance). Um dia conto sobre isso aqui no blog.

Logo que a carta saiu em dirigi um pouco, mas não tinha veículo próprio. Sempre dirigia com alguém do lado. Sou uma pessoa muito nervosa e ansiosa, claro que isso é a combinação perfeita para ter dificuldade no volante. Isso não foi pra frente, porque toda vez eu brigava com meu pai ou minha mãe. Sempre soube que eu só voltaria a dirigir novamente quando adquirisse meu próprio veículo, o que aconteceu mais de 10 anos depois.

Com a gravidez, concluí que ter um carro seria imperativo. Precisarei levar meu menino na creche, no pediatra, etc. Até mesmo antes do nascimento, vai que as contrações começam a ocorrer no meio da madrugada (como aconteceu com minha mãe)? Sem dúvida, carro torna a vida muito mais fácil!

Há bastante tempo atrás escrevi um post sobre o que eu considero um mau uso do carro: o uso do carro como objeto de status, como sinal de sucesso na vida. Sabe aquele vizinho besta quadrada que guia o carro por 3 quarteirões só para ir à padaria? Acho inaceitável do ponto de vista social e ambiental. Por essa razão, antes de ficar grávida eu era muito reticente sobre o uso do carro. Hoje sei que o carro é muito útil e importante, desde que usado com sabedoria e inteligência.

Pois então, estou dirigindo há poucos meses (uns 3-4 meses mais ou menos). Não tenho muita experiência, mas consigo guiar o carro com certa destreza aceitável da minha casa até o trabalho, trajeto que não é muito longo. Para trajetos mais longos, meu marido toma a direção e eu viro primeira oficial (gosto de pensar assim rs):

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Descreve minha história de vida risos

 

Ontem eu estava saindo do trabalho, finalizando mais um expediente. E quando saio do trabalho, preciso entrar em uma avenida relativamente movimentada e para isso preciso cruzar a pista contrária.  É bastante trabalhoso e é necessário ter muito cuidado. Ontem me confundi, achei que dava e POF. Bati o carro.

Meu para-choque ficou um pouco danificado. Nada sério, não caiu aos pedaços. Nem dá para notar que houve uma colisão, se você não observar com atenção. Já o carro do moço não teve a mesma sorte: amassou aquela peça que fica acima da roda! Bom, felizmente não pegou a porta.

Eu tive serenidade e consegui manter relativa calma. Desci do carro, pedi desculpas imediatamente, pois a culpa foi minha. O dono do carro era um homem educadíssimo. Quem conduzia era seu filho, um rapaz de 20 anos aproximadamente, que deve ter tirado a carta há pouco tempo. No banco de trás, estava sua esposa.

O homem me deixou calma, perguntou se eu tinha seguro. Eu disse que sim, mas na hora fiquei tão atônita que nem me lembrava da cobertura para terceiros. Ele me deu o cartão dele, entrei em contato com a seguradora assim que cheguei em casa e falei com a atendente telefônica mais gentil do mundo, chamada Rafaela. Ela me deu todas as informações, abriu a tal “chamada de sinistro” (acho sinistro um termo bem engraçado rs), me explicou que não vou pagar nada, pois meu carro tem cobertura para terceiros. Eu pagaria se quisesse consertar meu para-choque, mas não vale a pena, uma vez que o valor da franquia supera em muito o dano ao meu veículo.

Anotei todas as informações e mandei um e-mail ao Sr. João, o proprietário do veículo. Ele recebeu essas informações, mas ficou faltando alguns detalhes (chassis e RENAVAM, para fazer o Boletim de Ocorrência online). Hoje pela manhã a esposa do Sr. João me telefonou, a simpática Dona Sueli. Com uma voz calma e tranquila, ela foi extremamente educada e simpática. Mesmo se ela estivesse nervosa comigo, olha, ela disfarçou muito bem rs. Uma pessoa realmente gentil. Ela perguntou se eu e o bebê estávamos bem, ainda disse que “lata a gente conserta, o que importam são as pessoas”. Lição de humanidade. Ainda mencionou casos de outros acidentes que ela ou o marido se envolveram ou presenciaram, disse para que eu fique calma e me falou para não deixar de dirigir por causa disso. Agradeci muito e passei as informações faltantes.

Decidi não dirigir muito por enquanto. Sim, fiquei um pouco “traumatizada” com esse acidente leve. Nem gosto de chamar de acidente, porque essa palavra me remete a algo grave. Foi uma batidinha. Sim, eu não deveria ficar assim. Deveria seguir em frente e continuar dirigindo pelo trânsito caótico e nem sempre gentil da minha cidade. Mas eu estou numa situação especial: estou grávida de 5 meses e meio. E se a batida tivesse sido forte, em velocidade? O tranco poderia ter machucado a mim e ao bebê. Estou pegando uma van do meu trabalho, com um ótimo motorista. Claro que um acidente pode acontecer com ele também, mas as chances são menores, uma vez que ele é profissional. E se caso ocorra uma batidinha com a van, ele vai ter a serenidade de resolver e eu não vou ter o mesmo stress psicológico que tive ontem.

Sobre o stress psicológico: não foi nada sério, realmente. Olha eu aqui sendo drama queen de novo rs. Quem me conhece a fundo sabe que nessas situações eu choraria, entraria em colapso. Mas ontem Deus me deu uma calma maravilhosa. Consegui raciocinar, consegui ser humilde e reconhecer minha culpa. Consegui ligar para a seguradora e consegui entender todas as informações que a Rafaela me passou. Escrevi tudo, com muito esmero. Normalmente anoto as informações de maneira louca e caótica rs. E repassei tudo ao Sr. João. Confesso para vocês que eu jamais teria essa calma e presença de espírito aos 18-19 anos, quando conquistei minha primeira habilitação.

Eu só chorei quando liguei para minha mãe depois, desabafando. Acho que chorei de alívio, por tudo ter dado certo. Porque eu estou  bem, meu filho está bem, a Dona Sueli, o Sr. João e seu filho estão bem. Todos nós estamos bem e foi só lataria, coisa que graças a Deus tenho condições de consertar.

E isso é um ponto importante, talvez a maior lição do que aconteceu. Leitores, se vocês pretendem adquirir um veículo, aconselho fortemente: façam um seguro bom, bem recomendado e com cobertura para terceiros! Pague um pouco mais caro, mas tenha a garantia de que tudo vai dar certo e que você terá uma maior tranquilidade em caso de um acidente.

Muita gente adquire um veículo, mas não analisa o orçamento da família e/ou não dá a importância para um seguro. Se você não tem um seguro por alguma razão, faça pelo menos uma pequena poupança para esse tipo de situação. Para vocês terem uma ideia, se eu não tivesse o seguro teria que pagar R$400,00 pelo conserto do carro do Sr. João. Não é nenhum montante absurdo, mas é um valor que já sai do orçamento familiar previsto inicialmente.

Outra coisa que aprendi ontem: seja humilde. A humildade é um exercício muitas vezes difícil, e minha ‘natureza klingon’ não ajuda muito. Não adiantaria em nada ser turrona, isso só tornaria o problema pior. Analise a situação e seja justo. Se você tem culpa, admita a culpa e tente consertar. Isso é honroso e isso é ser klingon rs! Eu não seria assim aos 18-19 anos, mas hoje eu sou. Melhorei muito ao longo dos últimos anos (foram mais de 10 anos desde que tirei a carta). E hoje sei que essas melhorias em meu ser (e outras que estão por vir!) vão me ajudar a ser uma boa mãe.