Dia da Terra: o que é?



O Dia da Terra é uma comemoração muito celebrada em escolas norte-americanas e que tem chegado aqui no Brasil também, pelo menos nos últimos anos. Essa data foi criada pelo ex-senador norte-americano Gaylord Nelson, em 22 de Abril de 1970. O objetivo principal da data é conscientização: conscientizar as pessoas de todos os problemas ambientais que o nosso planeta enfrenta. A data tem origem anos antes no movimento hippie, quando muitos jovens protestaram contra a sociedade de consumo. Em 2013, falei um pouco sobre isso (veja post aqui).

Como meteorologista, claro que não poderia deixar de mencionar as mudanças climáticas. As mudanças climáticas são as responsáveis pelo período de sexta extinção em massa que estamos vivendo no momento. Estamos perdendo biodiversidade numa taxa nunca vista antes na história da vida no planeta. Uma excelente reportagem do Ciência Hoje de julho do ano passado apresentou um mapa com dados alarmantes. Reproduzo o mapa abaixo, onde é possível ver as espécies ameaçadas de extinção em todo planeta. Em vermelho, os locais com mais espécies ameaçadas de extinção. Os locais mais ricos em biodiversidade, áreas tropicais, são em geral os mais atingidos. Repare para o enorme destaque na área que compreende parte da Mata Atlântica e do Cerrado, aqui no Brasil. Outro destaque é a ilha de Madagascar, que tem sofrido sérios problemas ambientais. Observe também o noroeste da América do Sul e o sudeste da Ásia, outros locais com muitas espécies ameaçadas.

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(imagem: Félix Pharand-Deschênes, Clinton Jenkins, IUCN/Birdlife International/ Science)

Felizmente tenho reparado que os tais negacionistas, aqueles que “negam que o aquecimento global por razões antropogênicas”, tem sumido um pouco do mapa. Falei sobre isso em um post recente. Não há mais espaço para eles, depois de tantos dados e tantos trabalhos acadêmicos. Há inclusive aquele “negacionista famoso”, professor da USP, com fama de bonitão. Ele anda sumido.

Uma fofoquinha acadêmica: conheço um rapaz, aparentemente muito sério e trabalhador, que é orientando do sujeito. O rapaz recentemente teve uns problemas em sua pesquisa e nada tira de minha cabeça que o orientador é um grande entrave no caso. Eu jamais seria orientanda desse sujeito, mas o rapaz em questão não foi muito bem esclarecido. Uma pena.

Além dos trabalhos acadêmicos e da divulgação científica por meio de reportagens (não há um dia em que uma reportagem sobre mudanças climáticas não seja divulgada), programas excelentes de popularização científica tem ao menos mencionado o problema. É o caso da série Cosmos – A Spacetime Odyssey,  um excelente programa de divulgação científica inspirado em Cosmos (apresentada por Carl Sagan na década de 1980). Em Cosmos – A Spacetime Odyssey, apresentada pelo carismático, competente e popular físico Neil deGrasse Tyson, algumas coisas que foram apresentadas na série original aparecem. E aparecem também temas completamente novos. Os efeitos especiais são maravilhosos, graças as novas tecnologias. Em um dos episódios, Neil aparece em uma sala enorme, com 6 portas colossais. Cada porta representa uma das extinções em massa. Para a sexta porta, ele deixa uma reflexão no ar. Bom, a série está excelente. Adoro as alfinetadas que Neil dá nos criacionistas. Vale a pena assistir e agora a primeira temporada está disponível no Netflix! Oba! (acho que faço mais propaganda para o Netflix do que o Silvio Santos, rs).

Voltando a vaca fria, como dizia um querido professor, a perda da biodiversidade é uma das questões ambientais mais discutidas. Até porque ela tem relação com mudanças climáticas, poluição do ar, urbanização desordenada, contaminação do solo, contaminação da água, etc. Ou seja, todos os problemas ambientais acabam contribuindo para que haja perda na biodiversidade. Por isso é uma questão tão discutida! Muitos colegas meus que atuam como professores do Ensino Fundamental tem discutido esse tema com seus alunos. Até o doodle de hoje fala do tema, mesmo que indiretamente. Se você entrar na página do Google hoje e clicar no logo da empresa, vai ser convidado a responder um questionário muito bonitinho, cujo objetivo é descobrir qual animal você é. Eu respondi e eu sou uma abelha <3.

 

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As abelhas são consideradas as rainhas da biodiversidade, por muitos biólogos e ambientalistas. São responsáveis, junto com outras espécies de animais, pela polinização, atividade que ajuda na manutenção da biodiversidade das plantas. E há pesquisas que apontam que o uso indiscriminado de pesticidas tem ameaçado populações de abelhas.

Por falar em doodle, o de 2013 também era muito bonitinho. Ele mostrava o ciclo d’água, a variação das estações do ano e as mudanças na cobertura do solo e na vida em um pequeno domo que representava a Terra. Veja aqui.

E para finalizar o post sobre o Dia da Terra, deixo o tweet do Prof. Alexandre Costa, do blog O que você faria se soubesse o que eu sei?.

No post em que o Prof. Alexandre Costa escreveu para o Dia da Terra (confira aqui), ele lembra a todos que essa década é decisiva para o clima. Ele lembra que precisamos urgentemente ter atitudes de conscientização e de luta, para que nosso futuro na Terra seja menos difícil.