Por que estamos tão agressivos?



"Nossa, que legal, mais um textão no blog". Créditos.
“Nossa, que legal, mais um textão no blog”. Créditos.

Hoje pela manhã aconteceu uma coisa muito chata que me fez pensar no quanto nos tornamos pessoas agressivas. É uma agressividade tola, para defender pontos de vista menores. Um simples comentário que fazemos já sai com tom de agressividade. Aliás, muitas vezes nos esquecemos que na maioria das situações, devemos ficar calados.

E acredito que muitos de meus leitores já devem ter observado isso. Em textos de blogs (eu certamente já escrevi de maneira agressiva por aqui) e em redes sociais, ficamos zangados com tolices. Escrevemos sem mansidão e de maneiras que acabam ofendendo outras pessoas. Sei que há o outro lado: há pessoas que se ofendem com qualquer coisa. Mas acredito que podemos moderar nossas palavras e atitudes, de maneira a evitar a disseminação do ódio e da raiva.

Acontece qualquer coisa que você não gosta ou não concorda e você vai lá e escreve um textão. Nada contra textões, eu mesma sou adepta e adoro ler bons textões. O problema talvez esteja em como escrevemos esses textões. Ataques pessoais e indiretas não podem acontecer. E as palavras devem ser medidas, para minimizar a possibilidade de mal entendido.

Sobre as indiretas, recurso de linguagem tão usado na internet, certa vez ouvi algo muito sábio. Não lembro a fonte, mas disseram que uma indireta é como uma granada, pois não atinge apenas o alvo dela, atinge também quem está ao redor. E muitas vezes nem o alvo é atingido. Indiretas, portanto, não são maneiras eficazes de comunicação.

E provavelmente há opiniões pessoais e palavras que nem devem ser ditas, porque são irrelevantes. Vou dar um exemplo bem bobo. Vamos supor que eu não goste de cachecol (o que no meu caso é uma mentira, devo ter uns 20 cachecóis ou echarpes rs). Mas vamos supor que eu realmente não goste, ache desnecessário, um item que não está na moda, que não deve ser usado no Brasil, que deve ser banido da face da Terra, chama a polícia, etc. E então do nada, num lugar com várias pessoas, eu diga:

– NOSSA ODEIO CACHECOL COISA RIDÍCULA.

Daí do meu ladinho tem uma pessoa usando cachecol. E talvez eu nem tenha percebido (porque perdemos a habilidade de olhar ao redor). A pessoa pode se sentir ofendida, pode achar que eu me referia a ela. Como a agressividade está no ar como uma partícula poluidora, uma discussão idiota pode surgir. É quase como ter uma granada velha guardada como souvenir, que você acreditava que nunca iria explodir. Mas acaba explodindo em algum momento.

Como diz um ditado que ouvi uma vez: “Temos dois ouvidos e uma boca, isso significa que temos que falar menos e ouvir mais”.

Acho que essa agressividade e essa posição de “defesa de um ataque iminente” em que vivemos diariamente, está nos impedindo de ter uma convivência suave, agradável, cotidiana. É como se você tivesse que atacar antes de ser atacado. Tenho observado algumas de minhas atitudes recentes e tenho percebido que estou exatamente nessa posição de alerta desnecessário, desgastante, que faz com que eu faça mal para as pessoas e consequentemente, para mim também.

Então observei uma coisa muito bonita hoje cedo, logo após da situação chata que havia me ocorrido. Eu estava em um laboratório de análises clínicas, tinha acabado de fazer um exame. Fui tomar um café no local. Meu marido estava me aguardando em uma das mesas, enquanto eu escolhia a bebida que iria tomar. Um senhor idoso estava sentado sozinho em outra mesa, quando um casal, também idoso, estava pegando a bebida nas máquinas. Como não havia mais mesas vagas, o senhor sentado ofereceu a mesa para que o casal dividisse com ele. Houve troca de sorrisos, logo começaram a conversar sobre a vida. Conversaram amenidades: “a saúde é mais importante do que tudo”, “hoje o tempo está bom, ensolarado”. Conversaram rapidamente e de maneira  amigável enquanto tomavam café. Eu confesso que não gosto muito de “conversa fiada”, talvez porque tenha a ver com essa agressividade.  E a tal conversa fiada, a amenidade, pode ser boa. Pode ser ruim também, pois você pode ouvir uma opinião desnecessária. Mas a conversa fiada boa, aquela sobre o tempo, sobre a saúde, sobre a gravidez, sobre as coisinhas da vida… ela pode ser boa =). Principalmente se acompanhada de sorriso no rosto.

Concluí que muitos de nós perdemos essa habilidade da boa conversa fiada. Perdemos a habilidade de olhar ao redor, de sorrir, de sermos simpáticos com quem puxa uma conversa descompromissada. Perdemos a habilidade de ficar calado quando se deve e de falar quando precisa. Há uma lenda de que o Rei Salomão, muito querido por Deus, teria tido a opção de escolhe entre 3 presentes: sabedoria, riquezas ou mulheres. Ele escolheu sabedoria. É o que precisamos escolher também.