Curiosidade: cemitério de aviões



Para onde vão os aviões depois que eles ficam muito velhos e irrecuperáveis? No Brasil acho que eles acabam virando sucata enferrujada, muitas vezes são leiloados antes disso e viram “esculturas” em parques de diversas cidades. Em Vinhedo-SP mesmo lembro de ter visto uma praça com um aviãozinho.

Entretanto, existem Cemitérios de Aviões ou Aircraft Boneyard. São amplas áreas onde as aeronaves ficam por lá, temporariamente ou por muito tempo (para não dizer para sempre). São locais muito amplos, normalmente muito distantes das cidades. Possuem pistas homologadas, já que o avião velho precisa chegar lá de alguma forma.

Esses locais normalmente são regiões desérticas, porque são áreas muito amplas e que raramente são utilizadas para produção agrícola, por exemplo. Além disso, a baixa umidade em regiões assim reduz as taxas de corrosão. O maior cemitério de aviões é o 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, que pertence a Força Aérea dos Estados Unidos e fica em Tucson, no Arizona, que é uma região desértica. O local foi criado em 1946, para abrigar aeronaves B-29 e C-47. No local, já funcionava uma Base Aérea e foi escolhido como depósito de aviões porque reunia uma série de condições muito boas para esta finalidade:

– baixa umidade do ar na localidade;

– chuvas infrequentes;

– solo alcalino;

– alta altitude (780m), região distante do mar.

Todas essas condições favorecem a redução da ferrugem e da corrosão, reduzindo a necessidade de construir galpões. Além disso, o solo é ‘duro’, favorecendo a movimentação das aeronaves sem ter a necessidade de pavimentar áreas.

Além da 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, há depósitos semelhantes em outros pontos dos EUA, no Reino Unido (RAF Shawbury, que funcionou do fim da Segunda Guerra Mundial até a década de 1970) e na Austrália. As aeronaves ficam nesses lugares até virarem sucata, até serem revendidas, para serem consertadas, etc.

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309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group. Fonte: Wikipedia

Sobre esse assunto, encontrei uma reportagem do Fantástico, que reforça a enorme quantidade de aviões nesses desertos e muitos deles fizeram parte de guerras. Acredito que a reportagem mostra exatamente o 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group. Observe que alguns aviões precisam ficar acorrentados, já que ventos intensos são típicos em regiões desérticas. Outra questão interessante é que muitas das aeronaves são re-pintadas de uma cor bem clara, para refletir boa parte radiação solar. Dessa forma, as peças das aeronaves desgastam menos. Imagino que muitas aeronaves “antigas”, usadas em conflitos, não estão totalmente quebradas. Quero dizer, elas podem ser re-utilizadas em outras situações. No entanto, não há o interesse imediato em consertá-las. Enquanto se espera o conserto, elas precisam ser mantidas em segurança e com cuidado. No local, há um centro de manutenção no local e muitas aeronaves são “condenadas”, ou seja, serão destruídas/desmontadas pois não há interesse em consertá-las:

Alguns desses cemitérios viraram temas para trabalhos artísticos. O grafiteiro Chris Ingham Brooke e o fotógrafo Troy Paiva fizeram lindas imagens em um desses cemitérios, dando origem a série Lost America:

Uma das imagens da série Lost America, de Chris Ingham Brooke e Troy Paiva
Uma das imagens da série Lost America, de Chris Ingham Brooke e Troy Paiva

Para ver outras imagens lindas desse trabalho, clique aqui. E para conhecer um pouco mais do 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, clique aqui.