Fui reclamar de plágio, eis a mensagem que recebi



Quem acompanha o meu blog sabe que eu reclamo muito dos plagiadores. Reclamo bastante, porque é desonestidade intelectual, prejudica a divulgação do trabalho alheio, é patético etc. Eu diria que é uma das bandeiras que eu levanto e não tenho medo, porque não tenho teto de vidro!

Toda vez que publico material alheio aqui no blog, eu informo as fontes. E tenho o bom senso de não reproduzir material fora de um contexto. Por exemplo, eu não pegaria a ilustração do banner blog de outra pessoa para falar sobre outra coisa que não tenha nada a ver com falar sobre aquele blog.

Já fui vítima de plágio várias vezes. Uma vez, li um texto em um grande portal e ele estava praticamente idêntico ao meu. Mudaram algumas palavras, usaram sinônimos, mas era evidente que o texto era totalmente inspirado no meu, como uma Chanel e um Xanéu.  Fui reclamar com o dono do blog, um colega de profissão. Prontamente ele reconheceu o erro, colocou a fonte e disse que quem escreveu foi uma de suas estagiárias, uma moça competente. Desculpe, se fosse competente, não estaria cometendo plágio.

Sou assim. Dou patada mesmo nesses casos. Porque se você é “pego na mentira” (como dizíamos quando eu era criança), a melhor coisa é reconhecer o erro, remediar se for possível e pedir desculpas. Não adianta ficar de desculpinha esfarrapada.

Agora a parece que a moda dos plagiadores é pegar a imagem do banner do meu blog e colocar em contextos que fogem do blog. Criam memes idiotas para as mais diversas profissões. Eu fico revoltada, porque eu paguei por essa arte. E não é só o dinheiro: é um trabalho criativo e registrado, feito pela minha amiga Jaqueline Girardi-Pauly. Ela empregou energia criativa na elaboração do trabalho, ela estudou um conceito e chegou nessa arte.  Ela usou seu tempo e seus recursos intelectuais para criar essa arte. É algo tão simples de entender e não consigo compreender como as pessoas simplesmente acham que podem copiar o desenho e usá-lo fora de contexto!

Quer um desenho de graça? Procure bancos de imagens como o Free Digital Photos. Uso o serviço direto, para procurar ilustrações para minhas postagens. Por exemplo, na série sobre gravidez, uso muito a imagem abaixo:

Fonte: Free Digital Photos
Fonte: Free Digital Photos

Vou ficar chateada se alguém usar a mesma imagem em outro contexto? Claro que não, a imagem não é minha, não tem relação com  o blog e pode ser usada em diversas situações (observe as condições de uso do Free Digital Photos). Mas eu não admito que peguem a imagem do meu banner e a utilizem para fazer memes idiotas. Se quiser usar a imagem do meu banner para citar um texto meu ou para fazer propaganda de meu blog, fiquem a vontade e eu ficarei imensamente feliz com a lembrança e com a generosidade. Caso contrário, vou reclamar! E em uma reclamação recente de meme idiota, olha a resposta que recebi do dono da fanpage:

CFh6myrWYAAuVVT

Claro que desci completamente do salto (mas mantive a classe) e dei uma resposta mais do que merecida:

Faz me rir, amiga(o)…. Não é desespero da minha parte e nem divulgação de sua parte. Não é desespero porque estou cobrando O QUE É CERTO e não é divulgação porque você COPIOU uma imagem sem mencionar a fonte e mesmo se tivesse mencionado, está fora do contexto no qual ela foi criada. Não é só porque tá na internet q é ‘domínio público’, as coisas tem dono e tem autoria. Você está agindo de má fé ou por pura ignorância, pesquise sobre as leis de direitos autorais. E respeite meu trabalho e faça o seu melhor.
E não fez mais do que sua obrigação por ter retirado. Eu que fiquei indignada com a mensagem que recebi em troca, pelo amor!
E que raio de profissional vc é? “Ora, se a imagem está sem autoria em outros lugares, então posso usar.”. Nossa, a cada hora que olho a porcaria de mensagem pra tentar se justificar q vc me mandou fico mais revoltada! Com relação aos outros, toda vez que tenho notícia de que meus textos ou imagens relacionadas ao meu site estão sendo usados de maneira equivocada, procedo como procedi com vc. Era só tirar a imagem do ar (como vc fez depois), não precisava mandar essa mensagem BURRA se justificando.

Daí o cara continuou, surtadinho:

Untitled 2

E antes de silenciar a conversa e bloquear o cidadão abestalhado, respondi:

Vai passear, amigo. E pega esse apelo a autoridade e vai pra Praça e Nossa, porque vc vai deixar o programa mais interessante e vai fazer outras pessoas (além de mim), rirem. Um profissional q cursou um curso superior e que não sabe o que é plágio, chega a ser ridiculamente engraçado e patético.

Sinceramente, acho que um profissional com curso superior deveria saber muito bem o que é plágio. Nós fazemos trabalhos de disciplinas, alguns participam de projetos de Iniciação Científica, fazemos TCC, etc. E se você for cursar Pós-Graduação, vai produzir muito mais. Uma pessoa que produz e dissemina conhecimento deveria saber o que é plágio. Ou esse sujeito acha que o capítulo final, de Referências Bibliográficas, é para enfeitar o trabalho e para dizer “olhem avaliadores, como sou foda, li coisa pra caramba”?

Uma pessoa que está inserida dentro desse contexto deveria ter respeito pelo trabalho dos outros. Mas na prática, não foi o que vi e não é o que vejo em vários casos.

Sabe de uma coisa? Acho que estou esperando demais da humanidade. Não quero ser pessimista, mas hoje estou particularmente assim. Estou esperando demais porque já soube de casos de plágio por parte de estudantes de doutorado e professores de grandes universidades. Uma vez assisti uma defesa de Mestrado e achei que fosse desmaiar de tanta vergonha alheia. O moço simplesmente copiou e traduziu um trecho de um artigo, colocando-o no texto de sua dissertação. Não, ele não colocou o trecho entre parênteses e mencionou que era do artigo, ou algo assim. Ele inseriu esse trecho no meio do texto, como se fizesse parte da produção dele. Acontece que uma das pessoas da banca foi uma das autoras daquele artigo. E aquilo foi desmascarado ali na frente de todo mundo. Senti pena do moço, mas ao mesmo tempo, fiquei impressionada com a falta de desconfiômetro. Por favor, até quando a gente vai confundir ignorância com má fé?

Copiar os outros é errado e ponto. Não adianta arrumar desculpinha. Peça desculpas e aprenda a lição! Não vou tratar quem me copia com condescendência.

Tem um perfil no Twitter que adoro, o @perfunctorio. O proprietário (ou proprietária) do perfil tem um profundo conhecimento sobre História da Arte e faz algo muito criativo e engraçado: usa obras de arte para ilustrar memes. Acontece que como toda ideia genial, sempre tem um boçal que quer copiar. Recentemente o proprietário do perfil denunciou uma pessoa que criou uma fanpage no Facebook (cada dia tenho mais raiva dessa rede social) fazendo a mesma coisa que o @perfunctorio faz no Twitter. Ah sim, com o agravante de várias vezes pedir ajuda ao @perfunctorio, perguntando sobre uma determinada obra de arte. Até então, o @perfunctorio não sabia da existência da fanpage e como ele sempre é muito gentil em responder as dúvidas dos seguidores, ele respondia numa boa.

Ou seja: o plagiador copiava a ideia do @perfunctorio e como não tem o mesmo conhecimento, pedia ajuda ao @perfunctorio, que de nada desconfiava. Nossa, fiquei tão revoltada com essa história, pelo amor de Deus! E isso é comum na internet. Há alguns anos, uma blogueira (nem sei se ela ainda escreve, mas era na época em que os blogs eram bem pessoais, como diários) contou que um outro blog copiava TUDO o que ela postava. Tudo, inclusive histórias e vivências pessoais, fotos de viagens, etc. Uma coisa doentia, de uma pessoa querendo copiar a vida da outra.

Eu me pergunto: até quando? Quando as pessoas vão trabalhar para terem sua própria marca registrada? Quando as pessoas vão deixar de copiar os outros?

Sabe, eu fico desanimada em manter a fanpage do Meteorópole. Eu gosto de escrever no blog, mas manter a fanpage é algo que tem me desanimado. O público do Facebook (salvas importantes e queridas exceções, claro!) é muito ruim. São pessoas que preferem imagens e não gostam de ler textos muito grandes. E não é só falta de conhecimento sobre o funcionamento da rede social em si, porque quem tem o hábito de ler aprende rapidamente as funções mais básicas. Eu falo da falta de noção do alcance daquilo que é dito e publicado e da falta de respeito e consideração ao trabalho do próximo. O Facebook parece que revela uma face assustadora das pessoas, porque muitas agem de forma bizarra, compartilhando toda sorte de mentira e desrespeito na rede, mas na “vida real” são completamente pacíficas. Acho que o problema está aí: em separar “vida real” de “vida virtual”. Se pelo menos houvesse o mínimo de conscientização de que se tratam da MESMA COISA, o comportamento seria diferente.

P.S.: Histórias de plágio são recorrentes na blogosfera, nas redes sociais e até no Instagram. Acabo de lembrar que certa vez soube de um caso bizarro e triste no Instagram: a moça copiava fotos de itens e locais de luxo, para mostrar uma “vida milionária”. A Sybylla relatou uma história de plágio há alguns anos. E a história é a mesma: o sujeito tenta arrumar uma desculpa, que sempre é totalmente esfarrapada, para o crime.