#girlswithtoys Mulheres na ciência, com muito orgulho!



Vi no Blog Pac Mãe no final do mês passado. Eu ia publicar um ou dois dias depois, mas quando a hashtag é importante acho até bom demorar um pouquinho para publicar, assim ela fica ativa novamente.

Como tudo começou? Um astrônomo e astrofísico da CalTech,  Shrinivas Kulkarni, concedeu uma entrevista na qual ele falou o quanto adora brincar com telescópios. Ele disse: “Muitos cientistas secretamente são o que podemos chamar de ‘boys with toys’.”

A expressão boys with toys não é nova, mas é sempre considerada sexista. Não acho que exista um contexto em que ela não seja (pelo menos nunca vi). E se a gente ficar refletindo sobre o assunto, vamos acabar esbarrando na questão de que existem brinquedos que são para meninos e brinquedos que são para meninas. Essa separação já pretende desde cedo identificar qual o papel que cada gênero deve desempenhar na sociedade.

Brinquedos de montar, carrinhos, naves espaciais, heróis, etc. Todos esses brinquedos são considerados “de menino”. Não é a toa que eles crescem e se tornam maioria em diversas profissões. Quando uma mulher acaba se tornando uma profissional de uma área tradicionalmente masculina, é frequentemente alvo de piadas sexistas.

Pois bem, depois da infeliz declaração de Kullkarni, várias mulheres que trabalham com ciência ao redor de todo mundo começaram a publicar fotos de seus equipamentos de trabalho, com a hashtag #girlswithtoys.

E claro, eu também fiz minha parte:

Imagem pefi 468
#girlswithtoys

Essa sou eu trabalhando em um evento anual de popularização científica chamado Semana Nacional da Ciência e Tecnologia. Quem tirou essa foto foi a filha de um amigo meu, a querida Stellinha, que trabalha na área de eventos mas adora ciência, por influência do pai geógrafo e astrônomo amador. Para saber mais dessa foto e do evento, clique aqui.

Já contei para vocês que fiz mestrado, mas desisti de fazer doutorado por várias razões. Primeiro porque eu estava cansada e queria atuar mais operacionalmente. Depois porque eu queria outros rumos para minha carreira. Eu queria escrever e cursar outra graduação. Eu também queria conseguir um emprego que me garantisse mais estabilidade a curto prazo. Consegui quase tudo isso, exceto pela outra graduação. Já sei o que vou cursar, mas adiei um pouquinho esses planos por conta da maternidade.

Trabalhar com ciência não é necessariamente trabalhar na academia, como pesquisadora com doutorado. Várias mulheres trabalham em laboratórios, auxiliando equipes de pesquisas. E em muitos casos, não recebem os merecidos créditos.

Eu considero que trabalho com ciência, pois a eficiência de meu trabalho garante que outros pesquisadores tenham acesso a dados meteorológicos de qualidade. Além disso, meu trabalho também possibilita que eu possa comunicar ciência para outras pessoas. Nem sempre o pesquisador doutor tem tempo, afinidade ou interesse para divulgação científica.

Eu tenho muito orgulho de meu trabalho! Felizmente a Meteorologia é uma área bem equilibrada. Há pesquisadoras de altíssimo nível e com destaque internacional aqui no Brasil. Pelos professores que tive e pelos eventos científicos dos quais participei, noto que a proporção é quase 50%/50%. Acho que somos um modelo para outras áreas do conhecimento!

É fato que algumas áreas, mesmo dentro da Meteorologia, são mais tradicionais. Quando comecei a trabalhar no local onde estou atualmente, descobri que fui a primeira mulher a ocupar um cargo de nível superior. Eu tenho certeza que depois de mim, outras mulheres podem chegar por aqui quando meus colegas se aposentarem.

E levando em consideração até as áreas administrativas do local onde trabalho, percebo que as mulheres tem importantes cargos de responsabilidade e chefia. Gostaria de ver a mesma coisa em outras áreas do conhecimento.