Sobre Flash Gordon: Buster Crabbe, Flash Gordon (1980) e quadrinhos



Quem me conhece sabe que Flash Gordon (1980) é um dos meus filmes favoritos. A trilha sonora é do Queen, uma de minhas bandas favoritas. E há todo um exagero nas músicas, uma dramaticidade enorme empregada pelos instrumentos e pela voz de Freddie Mercury.

E os cenários e os diálogos são tão exagerados e vermelhos que causam uma crise sinestésica. Nunca vi um negócio mais kitsch em toda minha vida! É mais kitsch que O Quinto elemento, juro para vocês que ainda não assistiram!

Flash_Gordon_poster_1980

Efeitos especiais? Como diria meu pai, tá mais para defeitos especiais! Sei que vocês vão argumentar: “Ah, mas o filme é de 1980, Samantha, o que você esperava?”. Bom queridos leitores, vamos lembrar que Star Wars IV: A New Hope foi lançado em 1977 e até hoje acho os efeitos especiais do filme muito bons para a época. Em Flash Gordon, vocês terão uma overdose de efeitos em chroma key estilo Chapolin. E isso é ruim? Claro que não, a simplicidade dá charme à produção!

Resumindo o enredo: bonitão astro do futebol vira herói por acidente. Ele estava no lugar certo na hora errada (ou no lugar errado na hora certa?) com o Dr. Hans Zarkov e com a jornalista Dale Arden. A trama é inspirada nos quadrinhos homônimos da década de 1930, criados por Alex Raymond. As histórias eram publicadas em tirinhas nos jornais de domingo. Nos quadrinhos, Flash Gordon era um astronauta herói, um cara que teve treinamento militar e sabia agir em casos de emergência. No filme, Flash é um quarterback bobão.

Nos quadrinhos, Dale Arden é a submissa namorada de Flash Gordon. Inclusive há cenas perturbadoras nos quadrinhos, como esta que destaquei nesse post e reproduzo novamente abaixo:

Desculpem pela péssima qualidade da foto. Eu tirei uma foto de um gibi bem antigo e minha câmera não é lá essas coisas. Na história, rolou uma rebelião na colônia penal onde Flash Gordon e os outros astronautas tiveram que parar para reabastecer a nave (ou algo assim). Dale, é noiva (ou esposa?) de Flash Gordon e ela só está na missão por razões decorativas. Durante a rebelião, ela é feita refém. Essa imagem me incomoda muito porque ela está amarrada e amordaçada, com a blusa aberta. A ideia do erotismo na figura da mulher indefesa.

Claro que esse modelo de mulher submissa que espera pelo herói enquanto é ameaçada por homens assustadores (muitas vezes com alusão ao estupro) eram muito comuns em quadrinhos de antes da década de 1970. Observando hoje, ficamos negativamente impressionados.

Em Flash Gordon (1980), Dale Arden é uma jornalista meio bocózinha também rs. Não faz muita coisa de interessante e também espera que Flash a salve de um casamento forçado com o ditador-imperador do planeta Mongo, Ming the Merciless.

Ainda sobre os quadrinhos, mais uma curiosidade: Flash Gordon surgiu a partir de um concurso. Em 1933, a King Features Syndicate abriu um concurso para revelar personagens que rivalizassem com Buck Rogers (herói espacial) e Tarzan (herói das selvas), que eram de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. O vencedor com concurso foi Alex Raymond, que passou a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas para o New York American Journal, no ano seguinte. Semanas depois do lançamento desses dois heróis, Raymond também passou a desenhar o Agente Secreto X-9, que rivalizava com o Dick Tracy da Pulitzer. Nessa briga toda, acho que a empresa que acabou vencendo foi a Pulitzer Syndicate, uma vez que Buck Rogers, Dick Tracy e Tarzan são muito mais conhecidos que seus equivalentes da King Features Syndicate.

Falando novamente no filme, se alguém quiser me presentear com o DVD (será que tem Blu-Ray?) desta pérola, ficarei agradecida!

Bom dia, galera
Bom dia, galera. Imaginem essa foto autografada!
Clássica cena do "jet ski voador"
Clássica cena do “jet ski voador”

O filme conta com dois atores coadjuvantes maravilhosos. Timothy Dalton, que não se destaca tanto como Príncipe Barin (príncipe de uma das luas de Mongo) mas é um excelente ator e atuou como James Bond em dois filmes da franquia: The Living Daylights (1987) e Licence to Kill (1989). Adoro as trilhas sonoras de cada um desses filmes. Em The Living Daylights, a música-tema é do A-ha (The Living Daylights).  E em Licence to Kill, temos Gladys Knight arrasando muito. Pra mim, Timothy Dalton foi o melhor James Bond!

O segundo ator de destaque é o veterano sueco Max Von Sydow. Pra mim, ele salva o filme em termos de interpretação. Ming the Merciless é malvado e detesta a pretensão dos seres humanos (que se acham a última bolacha do pacote) e leva isso às últimas consequências!

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Dr. Hans Zarkov: We are only interested in friendship. Why do you attack us?

Emperor Ming, the Merciless: Why not? Pathetic earthlings. Hurling your bodies out into the void, without the slightest inkling of who or what is out here. If you had known anything about the true nature of the universe, anything at all, you would’ve hidden from it in terror.

 

Dr. Hans Zarkov: Nós estamos interessados apenas em amizade! Por que você nos ataca?

Imperador Ming, o Impiedoso: E por que não? Humanos patéticos. Fazendo explorações pelo universo sem a menor idéia de quem ou o do que está aqui fora. Se vocês soubessem alguma coisa sobre a verdadeira natureza do universo, nem que fosse só um pouquinho, vocês morreriam de medo.

Max Von Sydow atualmente tem 86 anos e está com muita saúde. Tanto que há rumores muito fortes de que ele vai participar de Star Wars VII – The Force Awakens, que deve estrear em dezembro deste ano! Certamente Von Sydow fará um papel de destaque no filme, mas ainda não se sabe qual, não se sabe nem de qual lado da força ele estará! Acho que é um dos grandes mistérios desse filme.

O ator Sam J. Jones, que interpreta o protagonista, atua com a naturalidade de uma cebola. Recentemente, o ator participou do filme Ted (2012), interpretando ele mesmo. Os protagonistas (o ursinho Ted e John Bennet) são fãs de Flash Gordon (1980). Há cenas muito engraçadas que relacionam os dois filmes, que são melhor aproveitadas por quem viu o filme! Eu quase morri de rir.

Jonh Bennet e Sam J. Jones em cena do filme Ted. Quase morri de rir com esse "remake" da cena do jet-ski voador
Jonh Bennet e Sam J. Jones em cena do filme Ted. Quase morri de rir com esse “remake” da cena do jet-ski voador

(vocês sabem, Ted é aquele que o Protógenes Queiroz levou o filho de 11 anos para assistir porque alguém deve ter dito a ele que era “sobre um ursinho” e ficou chocado, porque ele não sabe o que é CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA)

Soube que Sam J. Jones e Brian Blessed (ator que faz o príncipe dos ‘homens falcão’, o príncipe Vultan), participam até hoje de convenções de Ficção Científica onde fãs de Flash Gordon ficam maravilhados. Adoraria ir em um evento desses. Tanto que vocês percebem que pela imagem de 2012 do filme Ted, Sam J. Jones ainda mantém o corte de cabelo que deixou o personagem que ele interpretou famoso.

Outro destaque do filme é a General Kala, interpretada pela atriz italiana Mariangela Melato. Adoro ver mulheres em posição de poder e destaque, mesmo quando são vilãs!  Mariangela morreu em 2013, mas deixou uma carreira brilhante, principalmente no cinema italiano. A General Kala é um dos braços direitos de Ming. Ela e Klytus (outro cupincha de Ming) torturam prisioneiros (incluindo a Princesa Aura, que é filha de Ming) e dá ordens para matar Flash Gordon.

A Princesa Aura faz par romântico com o Príncipe Barin é interpetada por outra atriz italiana: Ornella Muti. No filme, Princesa Aura é uma mulher sedutora e tem uma atração por Flash Gordon, apesar de ter um relacionamento com Barin. A atriz é também muito famosa no cinema italiano e também já atuou como modelo. Recentemente ela participou de um filme do Woody Allen (blergh!), To Rome With Love.

Buster Crabbe

Buster Crabbe foi o primeiro Flash Gordon da TV. Ele atuou como Flash Gordon em 3 pequenas séries da década de 1930: Flash Gordon, Flash Gordon’s Trip to Mars e Flash Gordon Conquers the Universe. As séries se completam e são bastante inspiradas nos quadrinhos: nada de quarterback bobão.

Crabbe também era nadador e foi medalhista olímpico em 1932, quando conquistou medalha de ouro pelos 400m livre. Sua excelente forma física contribui também para que ele interpretasse Tarzan e Buck Rogers (outro herói espacial, como mencionei antes).

Eu estou aqui “ensaiando” comprar um box com as três séries de Flash Gordon em que Crabbe atuou. Acho que custava menos de R$60,00 no Submarino e acho que depois de ter escrito esse post, vou comprar!

Não se fazem mais galãs como antigamente.
Não se fazem mais galãs como antigamente.

O curioso e talvez um pouco irônico é que Crabbe (que faleceu na década de 1980) tem um neto que foi jogador de futebol americano e atualmente atua como técnico rs.