TAG: Livros opostos



A Sybylla e eu gostamos muito de responder tags e vez ou outra a gente (principalmente ela) encontra alguma tag interessante para responder. Tag’s são formas interessantes de criar uma maior interatividade entre os blogs e de fazer com que nossos leitores possam nos conhecer melhor.

Por isso, antes mesmo de responder a tag, já marco todo mundo que quiser respondê-la. Se você lê o Meteorópole e também tem um blog, sinta-se mais do que a vontade para responder a tag. E me avisa pelos comentários, porque assim vou poder ler suas respostas e conhecer seu blog 🙂

A tag “Livros Opostos” nada mais é do que uma lista com categorias antônimas. A Sybylla viu tag no Aceita um Leite?, da Lu Tazinazzo. Vamos lá?

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Alice no País do Espelho, Lewis Carroll

O primeiro livro de sua coleção / O último comprado

Difícil essa… Acho que o primeiro livro que lembro de ter lido e que não era emprestado ou de alguma biblioteca foi Os Gatos de Angaetama. Eu era criança, devia ter uns 10 anos, acho. Infelizmente o livro perdeu-se, mas eu diria que foi o primeiro de minha coleção.

O último adquirido foi SagradoS II, que estou lendo para fazer uma resenha para vocês e divulgar o trabalho da querida Anaté Merger.

Um livro que pagou barato / Um que pagou caro

Sebos, ah, os sebos… fonte de livros baratos. Mais baratos do que isso, só os livros gratuitos que podem ser baixados na Amazon.com, Project Gutenberg e outros sites por aí.

Mas com relação a ter “pago barato”, um que me lembro bem foi The Martian Chronicles, de Ray Bradbury. Comprei em um sebo da região da Sé, centro de São Paulo e paguei R$2,00 por ele. Faz bastante tempo, creio que uns 10 anos. Naquela época era mais difícil adquirir um livro em inglês com um preço tão bom.

Agora livro caro, eu diria que o livro mais caro que tenho é o Atmospheric Science (também conhecido como Wallace-Hobbs pelos meteorologistas). Não lembro quanto paguei, mas lembro que uma colega conseguiu comprar um lote e saiu mais barato para cada um (obrigada, Valéria). Se não me engano, foi uns R$80,00 e deve fazer uns 10 anos também.

Um livro com protagonista homem / Um com protagonista mulher

Com protagonista homem, destaco o ótimo Novembro de 1963, de Stephen King. Tenho uma quedinha por muitos protagonistas de Stephen King. São homens com problemas pessoais, alguns até com histórico de abuso de álcool e drogas. Muitos são escritores e/ou professores de literatura. Apesar de não serem “bem sucedidos” na sociedade e talvez considerados perdedores por muitos, King descreve homens com um senso bem elevado de moral e justiça, a não ser que estejam frágeis e por isso tomados pelo mal do lugar onde estão (né, Jack Torrance). Ou seja: em geral são “caras firmeza”. Gosto muito =)

No universo de Stephen King, os “heróis” e “heroínas” não são sujeitos perfeitos. São pessoas com limitações, com vícios e assombradas por erros do passado. O interessante é que muitas vezes são pessoas com “potencial para vencer”, dentro de nossa sociedade onde pessoas brancas e com algum recurso financeiro (nem precisa ser “rico”) tem mais chances de vencer. Entretanto, o protagonista tomou más decisões na vida e encontra-se numa situação difícil. Gosto dessa imperfeição.

Bom, mas para continuar respondendo a tag, como protagonista mulher, destaco Sobrevivi para Contar, de Immaculée Ilibagiza. É uma auto-biografia em que a autora fala dos horrores da Guerra Civil de Ruanda e conta como ela e outras mulheres sobreviveram ao massacre, em que perderam entes queridos. Um livro tocante. Tem um toque de religiosidade, já que Imaculéé é católica. Mas acredito muito que a fé de Imaculée a tenha salvo nos momentos mais difíceis. Lindo livro.

Um livro que leu rápido / Um que demorou pra ler

Sempre leio rápido livros do Stephen King. Porque o sem vergonha consegue prender o leitor de uma forma demoníaca, eu diria rs. Eu diria que Doctor Sleep foi um desses livros que li rapidinho. Considero aqui que “rapidinho” são poucos dias, menos de uma semana. Como eu trabalho 40h por semana, muitas vezes chego em casa bem cansada e não consigo arrumar um tempinho pra ler. Sabe como é vida de dona de casa: você chega em casa e tem mais trabalho rs.

Livro que demorei para ler? Olha, normalmente demoro para ler livros que não são do meu idioma (no caso, Português Brasileiro). Eu imagino que é assim com todo mundo. Se o livro é em inglês, leio um pouco mais devagar. Se é em espanhol, um pouco mais devagar ainda. Se é em francês, leio em passos de tartaruga rs. O livro mais demorado pelo que me lembro foi Madame Bovary, de Flaubert. Li o livro em inglês (ok, deveria ter lido em francês, vão dizer rs) e devo ter demorado uns 2 meses para terminar. Só terminei porque a história estava interessante e terminei para chegar a conclusão que Machado de Assis é mais genial no mesmo gênero.

Um livro com capa bonita / Um com capa feia

Livro com capa bonita? Gosto daquelas encadernações bonitas, de capa dura e luxo total que a Abril Cultural lançava há alguns anos. Tenho alguns livros aqui que estão nessa categoria: Os Três Mosqueteiros, Eneida, O Morro dos Ventos Uivantes e Divina Comédia. Se eu pudesse, todos os meus livros “físicos” seguiriam esse padrão rs. Ultimamente ando adquirindo poucos livros “físicos”, por conta de espaço mesmo. E imaginem só se todos os meus livros fossem com capas de luxo… haja força nas prateleiras! Eu teria que ter uma estante mais reforçada, sem dúvidas.

E com relação a “capa feia”, há um livro maravilhoso chamado Brasil: Nunca Mais, resumo de um projeto de mesmo nome realizado por três líderes religiosos: Rabino Henry Sobel, Pastor Jaime Wright e Dom Paulo Evaristo Arns. No projeto, são denunciadas as violações aos direitos humanos cometidos durante a Ditadura Militar Brasileira. A capa do livro é feinha, meio que lembra uma capa de dossiê. E com certeza a “feiura” da capa faz um prelúdio aos horrores narrados no livro. Um livro que recomendo a todo mundo, porque só com o esclarecimento para que muitas pessoas deixem de dizer que a ditadura não existiu.

Bom, de qualquer forma, nunca julguem um livro pela capa. Eu queria que todos os meus livros tivessem capas de luxo como as que mencionei, mas tem livro que nem merece essa honra rs.

Um livro nacional / Um internacional

Nacional: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Acho que é a maior obra prima em Português Brasileiro.

Internacional: Odisséia, de Homero. Um clássico da literatura mundial, um livro que li em formato adaptado para prosa quando tinha 15 anos e que foi responsável pelo meu interesse em mitologia no futuro. Também é um livro que desperta a imaginação 😉

Um livro mais fino / Um mais grosso

Livro fino: O Fantasma de Canterville / O Príncipe Feliz de Oscar Wilde. É um livro super fininho, que apresenta esses dois contos. Li há muitos anos e foi o que me introduziu em Oscar Wilde. Muito bom! E você encontra baratinho em sebos 😉

Livro grosso: A Bíblia Sagrada. Embora seja na verdade uma coleção de livros escritos por diversas pessoas e em diversas épocas, nos apresenta histórias interessantes da mitologia hebraica. E no Novo Testamento, aprendemos sobre Jesus. Como cristã, eu diria que é um livro que vale a pena ser lido, mas é preciso ser crítico e entender que trata-se de uma visão de mundo da Antiguidade e uma visão muitas vezes mitológica. Não adoro a Bíblia, eu adoro Deus ;). E não confundam com o deus dessas igrejas que só sabem roubar pessoas pobres e ditar regras para a vida das pessoas. Não acredito nesse deus.

Um livro de ficção / Um de não ficção

Ficção: O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick.

Não ficção: Cabul no Inverno, de Ann Jones.

Um livro meloso / Um de ação

Meloso: Água para Elefantes, de Sara Gruen.

Ação: Do Androids Dream of Eletric Sheep?, de Philip K. Dick.

Um livro que te deixou feliz / Um que te deixou triste

Livros que me deixam feliz são aqueles com final feliz ou com algum “ensinamento”, algo assim. Também fico feliz com livros de histórias tristes mas que são bem escritos, com personagens consistentes. Eu citaria As Belas Coisas, que é do Céu Contê-las, de Dinaw Mengestu. Um livro bem escrito, com ótimos personagens e uma surpresa agradável, porque vi esse livro na estante do meu irmão (ele ganhou, não sei bem) e peguei para ler sem nenhum compromisso. Tornou-se um de meus livros favoritos e não sei porque ainda não li outros títulos do autor.

Livro que me deixou triste pra cacete foi Genesis – An Exonovella Series. Sempre digo que foi um dos piores livros que li na vida, porque é ruim demais! Mas livro que me deixou triste pelo fato da história ser triste demais foi o já mencionado Cabul no Inverno. É triste saber que o esforço de tanta gente bem intencionada, que trabalha como voluntária sob situações dificílimas não é recompensado com resultados e é uma gota no oceano. Além disso, é triste ver que depois da guerra e de tantos anos de dificuldades e problemas de infra-estrutura, o Afeganistão continua um local hostil para os pobres, sobretudo para as mulheres pobres.