Aquecedor: quebrando o galho em dias frios



Quem me acompanha no Instagram deve ter visto uma postagem recente em que falo sobre um aquecedor que adquiri para o quarto de meu filho. É um equipamento de 1400W (potência comparável a de um secador de cabelos) e é o suficiente para aquecer o quartinho. Entretanto, esse equipamento deve ser usado com critério. O que vou falar aqui trata-se de alguns detalhes técnicos básicos, muitos deles relacionados com Meteorologia.

 

Equipamento que comprei, com resistência cerâmica.
Equipamento que comprei, com resistência cerâmica.

Quando postei a imagem acima em meu perfil do Instagram, escrevi o seguinte:

As mínimas aqui em São Paulo estão próximas dos 10ºC e a sensação térmica talvez seja de valor ainda menor que isso. Mamãe de primeira viagem e extremamente preocupada, decidimos comprar um aquecedor. Quando a gente aquece um ambiente, acaba aumentando a capacidade de vapor d’água que aquele ambiente suporta. Em outras palavras: eles ressecam o ambiente. Por isso devem ser usados com critério.

Antes de comprar esse equipamento (o que tive que fazer meio as pressas), fizemos algumas pesquisas. Descobri que existem basicamente 3 modelos residenciais de aquecedores disponíveis nas lojas de eletrodomésticos:
– resistência elétrica: lembra um pouco a resistência do chuveiro
– cerâmico
– a óleo

Claro que existem outros modelos (confira aqui), mas os disponíveis em lojas de eletrodomésticos e que possuem instalação fácil (basicamente só ligar na tomada, depois de conferir se a fiação suporta a potência, claro) são esses.

O princípio físico de funcionamento dos 3 modelos é muito semelhante: a resistência elétrica, a cerâmica ou o óleo são aquecidos pela passagem de corrente elétrica, pois oferecem uma resistência a essa corrente. Dessa maneira, esquentam o ar em volta do aparelho e fazem-no dissipar, aquecendo outra porção na sequência, até que todo o ambiente fique aquecido.

Eu escolhi o modelo cerâmico por aquecer o ambiente mais rapidamente do que os outros dois modelos citados. Também gasta um pouco menos de energia elétrica, pelo que pesquisei.

Além disso, a gente precisa lembrar que o aquecimento do ambiente não vem “de graça”: quando aumentamos a temperatura de um ambiente, aumentamos a capacidade de vapor d’água que aquele ambiente suporta. Dessa maneira, reduzimos a umidade relativa do ambiente. A redução da umidade relativa pode ser um problema, pois deixar o ambiente seco pode causar danos a saúde. Pode causar ressecamento das mucosas e alergias, por exemplo.

Pelo que pesquisei,  o modelo de resistência elétrica resseca mais o ambiente do que o cerâmico. O modelo a óleo, dos três, é o que resseca menos, mas eu não me convenci de que é seguro (penso com relação a odores durante o funcionamento). Ah sim, isso vale para os três modelos: antes de ligar o aparelho, leia bem o manual. Depois que ligar, confira se ele solta algum odor estranho (o que é comum em equipamentos elétricos novos). E se você mantém o aquecedor guardado no armário o ano todo e só o tira durante o inverno, é provável que esteja empoeirado. Limpe bem antes de colocá-lo para funcionar novamente.

E agora vamos falar sobre saber usar o aquecedor com critério. O ciclo diurno de temperatura e umidade relativa é bastante previsível. Veja por exemplo esses dados do dia 21/08/2012, da Estação Meteorológica do IAG-USP, que discuti nesse post:

Umidade relativa (%,linha azul) e Temperatura (°C,linha vermelha) ao longo de todo o dia 21/08/2010. Dados da Estação Meteorológica do IAG-USP.
Umidade relativa (%,linha azul) e Temperatura (°C,linha vermelha) ao longo de todo o dia 21/08/2010. Dados da Estação Meteorológica do IAG-USP.

Em geral, dias ensolarados e com pouca nebulosidade seguem esse padrão: temperaturas mais elevadas entre 10h e 15h e umidade relativa baixa no mesmo horário. E quem vai ligar um aquecedor justamente no horário de maior temperatura? É melhor abrir as janelas e deixar o imóvel aquecer-se pelo próprio Sol. Minha sugestão é de que se ligue o aquecedor no final da tarde (quando a temperatura caiu bastante) e no meio/final da madrugada (quando a temperatura mínima do dia se aproxima).

Entretanto, nos dias nublados isso não é possível. Ou dependendo do posicionamento de sua casa ou apartamento, a luz solar nunca atinge o quarto. Em casos assim, acredito que é melhor continuar ligando o aquecedor nos horários que mencionei acima e ligar também quando for trocar a criança ou dar banho, o que chamo de momentos críticos rs.

O que quero dizer com esse post é que acho (minha opinião) que a gente tem que usar o aquecedor com critério. Preocupadas, podemos acabar transformando o quartinho em um forninho, deixando a criança com desconforto pelo calor. E espero que com as informações que dei, mamães de primeira viagem, como eu, possam ir construindo sua opinião sobre o uso do aquecedor. Um artigo que me ajudou bastante na decisão foi esse. Ele explica bastante sobre o uso do aquecedor e dá dicas sobre como manter o bebê aquecido.

Como o aquecedor resseca o ambiente, muito fala-se em manter o aquecedor ligado junto com o umidificador de ar, outro aparelho muito adquirido por mamães de primeira viagem e por alérgicos rs. Entretanto, isso também pode ser perigoso. Calor e umidade relativa alta é a combinação favorita para o desenvolvimento dos fungos.

O umidificador de ar deve ser ligado no horário de baixa umidade relativa, ou seja, entre 10h e 15h (mesmo horário de máxima temperatura). Aqui em São Paulo e em outras cidades que são relativamente próximas do litoral, a umidade relativa durante a noite é bastante alta. Em minha experiência observando e analisando dados da Estação Meteorológica do IAG-USP, percebi que a umidade relativa durante a noite aqui em São Paulo é quase sempre superior a 80%, então não faz muito sentido deixar o umidificador ligado durante a noite.

Como disse a vocês, espero ter ajudado com essas considerações meteorológicas. Ideias, dúvidas e sugestões sempre são bem-vindas nos comentários.

Abraços =)