Contando sobre o parto do meu filho =)



Como vocês provavelmente já imaginam, durante essas primeiras semanas de vida de meu filho aqui do lado de fora, no nosso mundo, tem sido de adaptação. Ele está se adaptando e eu e meu companheiro também. Estamos aprendendo a ser pais e meu bebê está aos poucos entendendo a dinâmica do mundo aqui fora.

Sendo assim, postar com regularidade fica mais difícil. Fica mais difícil também falar diretamente sobre Meteorologia, já que o que ocupa minha mente no momento é apenas a maternidade (e eu estou de licença também, tem isso).

Eu tinha prometido para a Lena Castro, querida amiga minha que mora lá em Portugal, contar sobre o parto do Joaquim. Eu já tinha esboçado algumas coisas e como promessa é dívida, vou falar um pouquinho a respeito. Claro que não vou dar muitos detalhes particulares, até para manter um pouco da minha privacidade. Eu sei, alguns de vocês vão dizer “ah, mas você tem um blog e está falando em privacidade?”. Faz sentido, mas mesmo com a exposição a qual nos submetemos diariamente é possível – e é salutar – manter um pouco da privacidade.

Portanto, se alguma amiga(o) minha quiser detalhes específicos por alguma razão (porque pretende ser mãe e pai também, por exemplo), entre em contato comigo.

***

O dia 29 de junho era um dia como outro qualquer. Eu sabia que a chegada do Joaquim estava iminente, mas como eu tinha criado expectativas demais nos outros dias, decidi deixar o barco seguir a correnteza. Depois do almoço, resolvi sair para comprar suco, bolo, doce, etc (formiga) e estava sentindo um “incômodo”. Como o lugar onde vende as guloseimas é um pouquinho distante de casa (e fomos a pé), achei que fosse por isso.

Ah sim, dia 29 é aniversário de meu irmão. E ele vivia dizendo, em tom de brincadeira, que não queria outro aniversariante no mesmo dia rs.

Lá pelas 19h da noite senti uma dorzinha. Decidimos ir ao hospital. Pegamos a malinha da maternidade e nos dirigimos ao hospital já combinado. Chegando lá, a obstetra me atendeu e disse que eu tinha apenas 1 dedo de dilatação. Fiz um cardiotoco e a obstetra resolvei me mandar pra casa. Eu nem imaginava que meu filho nasceria nas próximas horas, porque sempre tinha ouvido falar de trabalhos de parto dolorosos e longos desde o começo. O meu, como vocês vão ver, foi doloroso só no final.

Quando foi umas 22h, comecei a sentir dores mais fortes, mas nada muito absurdo. Na minha ingenuidade, achei que fosse consequência do exame de toque (que é extremamente desconfortável) feito pela obstetra horas antes. A dor foi aumentando e quando foi umas 23h, meu companheiro decidiu me levar ao hospital (eu não queria muito rs). Chegando lá, fiz outro exame de toque e dessa vez foram 2 dedos de dilatação. Fiz outro cardiotoco e a médica que tinha me atendido da primeira vez arregalou os olhos quando viu a folhinha do exame sendo impressa rs.

Liguei para meus pais, fui internada e fiquei sentindo dor, muita dor. Mas a real é: todo mundo sobrevive a essa dor rs. Eu não tinha pensado em anestesia, na verdade eu não queria pois tenho muito medo de anestesia. Se eu fosse ter outro filho hoje, sinceramente não sei se dispensaria anestesia. Talvez sim. Tudo ainda é muito “fresco” pra mim, então as dores ainda me traumatizam rs.

Coloquei aquela camisola super digna dos hospitais (com abertura na bunda rs) e fui para uma sala de preparação. A partir daí, o tempo entrou numa vibe relativística e não sei se minutos viraram horas ou vice-versa. Só sei que uma enfermeira obstetra super calma me atendeu. Eu queria meu marido, mas ele não podia entrar naquela sala.

Com 8cm de dilatação, a bolsa ainda não tinha estourado. A enfermeira decidiu estourar, fiquei com medo, mas o procedimento foi muito tranquilo. A partir daí, as coisas ocorreram muito rapidamente.

Lá pelas 03:30 do dia 30 de junho, me levaram para uma sala de parto. A obstetra que arregalou os olhos (acho que era Natasha o nome dela) seria a responsável pelo parto. Lá também estavam uma pediatra muito simpática chamada Manuela, a enfermeira calma que mencionei e outras 2 enfermeiras (acho que eram duas, eu estava sem óculos e só vi as horas pela posição dos ponteiros do relógio rs). De repente, vejo meu marido com roupinha verde de hospital na porta da sala. Ele se aproximou e ficou do meu lado. Fiquei mais tranquila (se é que com tanta dor tranquilidade era possível). Eu tinha medo do menino nascer e meu marido não estar do meu lado. Fiz as tais “forças compridas” e etc e Joaquim nasceu. Tive que fazer uma episiotomia, por razões específicas (criança numa posição não muito favorável e já em sofrimento) e senti muita firmeza da médica, que me consultou sobre o procedimento.

O bebê recebeu nota 9 e depois 10 no teste de Apgar. Fiquei feliz com as notas. Muito feliz mesmo!!!

Segurei o bebê nos braços, tentamos colocar ele para mamar um pouco.  Meu marido segurou bastante também e depois ele foi para o berçário. Fui para uma sala de recuperação, algumas horas depois fui para o quarto e o bebê foi para o quarto comigo, ficando lá durante toda estadia no hospital (que foi de umas 48h mais ou menos).

Agora vamos as críticas:

– Queria que meu marido entrasse comigo nessa sala de preparação. Eu sentia muita dor e por mais calma e gentil que fosse a enfermeira, uma companhia conhecida é mais bem-vinda.

– Achei que demorei para ir para o quarto e me reencontrar com meu filho. Isso me frustrou, achei o hospital muito desorganizado nesse sentido. Eles queriam que um quarto fosse liberado, não queriam me mandar para uma enfermaria ou quarto coletivo para não arrumar problema com o convênio. Enfim, achei muito injusto e burocrático da parte deles, porque o que a mãe mais quer nessa hora é ficar perto do filho. E minha família ficou preocupada comigo, porque nessa sala de recuperação eu não podia receber visitas (meus familiares não podiam nem me ver!). E por mais que a equipe fale para os familiares que está tudo bem, não adianta: você quer ver com seus próprios olhinhos a pessoa que você ama!

– As enfermeiras querem porque querem enfiar fórmula no seu bebê. Acho desnecessário e absurdo! É normal que o leite demore para ‘descer’ (demora umas 48h-72h, pelo que me informaram) e o bebê tem uma reservinha de gordura para aguentar isso. Enquanto isso, pode e deve consumir o colostro, aquele leitinho mais amareladinho que já começa a sair no final da gravidez. A propósito: todos os médicos (pediatra e GO) que me atenderam falaram para não dar a fórmula, para ter paciência com o leite e ir incentivando o bebê a sugar o seio para consumir o colostro e ajudar na produção de leite. Só que as enfermeiras, para se livrarem do chorinho do bebê e tentar acalmar os pais, queriam dar a fórmula (elas davam num copinho). Ou seja, é clara a divergência de opiniões dentro do próprio hospital! E acredito que isso pode confundir as mães. Se você já não leu sobre o assunto e  ouviu conselhos de pessoas sérias com antecedência, acaba acreditando na ladainha do ‘leite fraco’.

– O hospital fez uma confusão absurda e escreveu no documento de alta do meu filho que o parto foi cesárea. Escreveu isso também na fichinha que identificava o bercinho dele. Fiquei muito chateada com isso, porque o parto normal foi de certo modo uma conquista pessoal pra mim (nesse Brasilzão das cesáreas, né?) e também porque já deu problema na hora de sua primeira consulta com a pediatra, que pediu o papel para preencher a ficha do Joaquim na UBS e questionou a informação.

O hospital deveria melhorar nesses aspectos, na minha opinião.  Com relação ao atendimento em geral, fora esses pontos mencionados, o hospital está de parabéns. Bem humanizado! Uma enfermeira muito gentil me ajudou a tomar banho (eu perdi bastante sangue e estava meio tonta). Ela chama-se Lana. Sabe aquelas pessoas que nasceram para o atendimento ao próximo? Pois então, é o caso dela. E o mesmo para toda a equipe. Muito atenciosa e gentil. Ah sim, durante o parto, a obstetra me chamava pelo meu próprio nome! Ela não me chamava de mãezinha rs. E quando o bebê saiu, ela me parabenizou e disse que foi apenas mérito meu, porque eu fiz toda a força que ela pediu e etc. Achei gentil, fofa, profissional e encorajadora.

Sobre a recuperação: considero ótima! O corte da episiotomia doeu e incomodou um pouco nos 4 primeiros dias, mas nada que impedisse que eu tomasse banho sozinha (após esse primeiro banho com ajuda, em que a Lana me instruiu sobre a higiene na região dos pontos) ou amamentasse. O corte foi feito com critério e com cuidado, não foi profundo. Cuidei muito bem da higiene com sabonete anti-bacteriano, todas as vezes que eu ia ao banheiro. A propósito, aquelas duchinhas instaladas ao lado do vaso sanitário quebram um galhão! Felizmente eu tinha instalado uma meses antes e me foi muito útil, recomendo. Usei também spray Andolba, recomendado pela médica, que me ajudou bastante. Depois de 23 dias (já fiz o primeiro retorno na GO que fez meu pré-natal), eu me sinto muito bem, não sinto nada na região dos pontos (que caíram na primeira semana). Eu sempre tive uma excelente cicatrização, acho que isso conta bastante também. Não considerei a episiotomia uma violência obstétrica no meu caso, porque ela foi feita com cuidado, respeito e critério. Isso conta muito!

Outra coisa que conta muito é o otimismo. Sou uma pessoa muito otimista e embora nos primeiros dias após o parto eu sentisse incômodo e desconforto, eu sabia que tudo aquilo ia passar. Hoje, 23 dias depois, consigo fazer quase tudo dentro de casa. Só não faço serviço pesado (varrer e passar pano, pegar peso, etc) porque ainda estou me recuperando. E a vida sexual precisa esperar um pouquinho, claro, mas não me pressiono a nada. Estou muito feliz, pois ver meu filho saudável ficando cada dia mais forte é o maior presente que Deus pode me dar. E claro, eu estando forte e recuperada para cuidar dele é uma bênção adicional.

Agora uma dica para algumas leitoras e leitores que talvez cheguem por aqui: quando forem ler relatos sobre partos, entendam que eles podem te ajudar. Podem te ajudar a tomar decisões sobre seu próprio parto e podem te ajudar a formar uma opinião sobre o assunto. Mas é um assunto delicado e muito particular, por isso sejam sempre gentis nos comentários, principalmente quando a mulher diz que foi vítima de violência obstétrica. Você pode até discordar da narrativa da mulher e achar que ela está “exagerando” em alguns pontos, mas seus achismos não valem de nada! O relato é dela, a situação aconteceu com ela, então a voz dela é que deve ser ouvida. Ou seja: na maioria das vezes na vida, é melhor apenas ouvir e ler. Não diga nada se você não vai acrescentar! Cada indivíduo tem uma sensibilidade e uma história, que merece ser respeitada e compreendida. E cada indivíduo também tem uma opinião sobre o parto. Essa opinião deve ser respeitada, principalmente se for diferente da sua! Vivemos uma era de radicalismos e extremismos nas redes sociais, temos que tomar cuidado com isso e reaprender a respeitar o posicionamento alheio.

Obrigada por tudo, meu Deus! Obrigada pela sua misericórdia.
Obrigada por tudo, meu Deus! Obrigada pela Sua misericórdia.

Espero que tenham gostado de meu relato e espero que ele ajude você a formar sua opinião sobre o tema. Pretendo falar também sobre minha experiência com amamentação e outras coisinhas do universo materno, claro, de acordo com minha vivência e com minha opinião.

Não estou postando com frequência no blog, mas posto no Instagram quase todos os dias (é mais prático). Me sigam por lá: @samanthaweather.

E agradeço a todos os parceiros do blog (blogs que estão linkados aqui do lado, leitores, amigos, colegas, etc) que nos parabenizaram. Que Deus dê tudo em dobro, obrigada pela generosidade.