Minha experiência com amamentação



O leite materno é um alimento perfeitamente feito para o bebê e isso é mais do que conhecido e amplamente divulgado. Entretanto ainda há muita desinformação sobre o assunto. Mencionei em meu relato sobre o parto que as mulheres devem tomar cuidado com essas “conversas fiadas” de gente que diz que existe leite fraco ou coisas do tipo. Se você não tem nenhum problema de saúde que impeça a amamentação, então pode amamentar. Se está com dificuldades, busque ajuda!

Fonte: Free Digital Photos
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– A internet possui muito material sobre o assunto, nem preciso dizer.

– Ainda na maternidade, fale com as enfermeiras e com a equipe de pediatria sobre o assunto. Valem também consultar os GO’s, para perguntar sobre a saúde e estrutura dos seios.

– Fale com sua mãe, avó, madrinha, etc. Muita gente tem bons conselhos para dar. Alguns conselhos são sem noção, mas se você leu bastante sobre o assunto vai conseguir filtrar bem.

– Existem grupos de incentivo a amamentação, que fornecem orientação e informações. Procure grupos na sua cidade e troque experiências com outras mães. Mesmo se você não encontrar grupos presenciais, não vai ter dificuldade em encontrar foruns ou grupos em redes sociais.

Nesse post, falarei de minha experiência pessoal. Afinal de contas, blogs servem para isso. Quando escrevo minha experiência, não pretendo escrever um tratado sobre o assunto. O intuito é escrever apenas minha visão sobre o assunto, para justamente trocar experiências com outras mães e talvez ajudar um pouquinho as futuras mamães.

Amamentação sempre foi um assunto natural na minha família. Minha mãe e minhas tias sempre amamentaram seus filhos, muitas exclusivamente até os 6 meses (que é como recomenda a Organização Mundial da Saúde). Em encontros familiares, algumas amamentavam na frente de todos, sem nenhum constrangimento. Outras preferiam se retirar em um quarto ou outro cômodo afastado da casa. O assunto sempre foi tratado com naturalidade, sem nenhum tipo de tabu ou julgamento.

Dessa forma, quando compreendi que queria ser mãe, para mim a conclusão natural era de que eu amamentaria. E está sendo dessa forma. Tentei amamentar o Joaquim já no instante em que ele nasceu, mas não foi possível porque a posição não favoreceu e claro, eu sou completamente novata no assunto (e há quase 1 mês atrás, quando ele nasceu, eu era ainda mais noob). Só que eu não desisti. Quando fui para o quarto da maternidade, Joaquim foi junto e eu insisti para conseguir amamentar. Mesmo com dificuldades na pega, insisti e tudo está dando certo e meu filho hoje só toma leite materno. Consegui isso graças aos exemplos que vi em minha família e também graças a informação obtida em campanhas de conscientização.

Digo que tudo está dando certo porque em 15 dias, meu filho passou de 2,860kg para 3,650kg. Agora que ele tem quase um mês,  deduzo que ele deva ter uns 4,3kg mais ou menos. Bom, vou saber com certeza na próxima consulta no pediatra. E outra coisa: meu filho não engordou muito ou pouco. Ele engordou na medida. Todo bebê brasileiro recebe, na maternidade, uma Caderneta de Saúde da Criança do Ministério da Saúde. Nessa caderneta, há muitas informações sobre o desenvolvimento da criança, há páginas para preencher as vacinas tomadas e também há páginas para preencher informações sobre o acompanhamento pediátrico (peso, altura, circunferência cefálica, etc). Há gráficos de referência e os próprios pais podem acompanhar o desenvolvimento dos parâmetros. Observando esses gráficos, concluo que nesse primeiro mês o ganho de peso do meu filho está ótimo, dentro do esperado. Ou seja: o leite materno está cumprindo seu papel!

Para quem gosta de ler artigos científicos, recomendo este do Jornal de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, de Marques et al (2004). Foi escrito por pesquisadores da Escola Paulista de Medicina, da UNIFESP. Claro que muitos outros artigos sobre amamentação já foram escritos em periódicos do mundo todo, mas destaco esse porque tem uma boa revisão bibilográfica do tema e a conclusão é bastante clara: o leite materno tem propriedades nutricionais confirmadas, uma vez que as crianças que são exclusivamente amamentadas por leite materno tem ganho de peso dentro dos padrões corretos de desenvolvimento. Entretanto, as mães precisam receber orientação correta para que a amamentação seja um sucesso.

Amamentar é muito canstivo, principalmente no começo e quando seu filho tem muita fome (como é o caso do meu, cada criança é diferente) e principalmente durante a madrugada. Por isso, a mãe precisa se alimentar bem. Nada de dietas mirabolantes e regimes enquanto estiver amamentando! Na verdade, li que precisamos consumir 2500kcal. Ou seja, são pelo menos umas 500kcal extra, para ajudar na saúde materna e na produção do leite.

Pode ocorrer sensibilização do mamilo, “rachaduras” e mastite. Na minha experiência, as rachaduras sararam conforme o bico do seio foi ficando mais acostumado e o uso da pomada Lansinoh (falarei adiante) também foi impoortante. A pega total (mamilo + aréola) é muito importante para evitar rachaduras, além do posicionamento correto no seio. Para iniciantes (como é meu caso rs), recomendo essa cartilha do Ministério da Saúde para mais informações a respeito de posicionamento correto do bebê, prevenção de rachaduras e outros temas. A cartilha contém informações básicas para quem está começando a amamentar, em linguagem muito simples e direta. Foi através ela que comecei a ler mais sobre o assunto.

Pomadinhas e outros apetrechos

Muitas consultoras de lactação vão dizer que você não precisa de nenhum creme, de nada. Vão dizer que se ocorrer alguma rachadura no mamilo, basta deixar escorrer um pouco de leite materno para amenizar o incômodo. Na maioria dos casos, acho que é bem por aí mesmo, não precisa investir em nenhum tipo de produto. Uma colega querida que conheço teve mastite e o uso da pomada Lansinoh e da concha de amamentação foram importantes para ajudar a reverter o quadro e assim ela pode continuar amamentando seu pequeno.

A propósito, 4 mulheres que conheço recomendaram essa pomada Lansinoh. Eu também recomendo. Como muitas pomadas usadas nos seios durante a amamentação, ela é a base de lanolina, importante e eficiente emoliente, que é seguro para o bebê.

No hospital e na clínica onde fiz o pré-natal, ganhei kits do portal Let’s Family. Nos kits haviam produtos para as mamães e para o bebê. Em um deles, tinha uma amostra da pomada  Millar, do laboratório Aché. Essa pomada também é a base de lanolina, mas eu particularmente não gostei nem um pouco dela, porque ela manchou dois de meus soutiens de amamentação e é muito pegajosa.

A pomada Lansinoh não manchou nada e é menos pegajosa. E uma dica adicional de beleza: a Lansinoh também pode ser usada em seus lábios, para sarar rachaduras e ressecamentos típicos do inverno =).

Por falar em soutiens de amamentação: recomendo muito! Compre pelo menos uns 3 ou 4. Em lojas como Marisa, eles quase sempre estão compreços muito bons. Com uns R$30,00 (as vezes um pouco menos) você compra um sutien desses. Eles possuem uma abertura para o seio, facilitam a amamentação e por terem alças largas, sustentam melhor os seios, que estão mais pesados, claro.

Outro item que recomendo são as conchas de amamentação. São conchas de plástico e silicone que podem ser encaixadas dentro do soutien e recolhem o leite que escorre entre as mamadas. Dessa forma, evitam o atrito do bico do seio com o tecido do soutien. Muito eficaz quando você precisa sair ou quando está com o bico do seio rachado.

 As conchas de silicone e plástico são mais ecológicas que aqueles absorventes de soutien. Inclusive tenho uma caixa desse produto e ainda não os usei. Entretanto, tenho a impressão que esses absorventes são mais discretos que a concha, pois se você tiver que vestir uma roupa mais justa, as conchas talvez fiquem muito evidentes na roupa.

Desses “apetrechos” mencionados, o que mais vale a pena investir é sem dúvida o soutien de amamentação. Os outros podem ajudar, mas não são totalmente essenciais.

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Certamente terei muiito mais para falar sobre o assunto e conforme eu for aprendendo, vou compartilhando informações com os leitores. Comentários são super bem-vindos, como sempre!