Aprendendo a ser mãe: instalando um “filtro” no ouvido



Olá queridas e queridos leitores

Desculpem pela ausência. Olha, esse negócio de maternidade é muito trabalhoso. Mas garanto que é recompensador, pois sinto isso quando vejo o rostinho de meu filho e vejo seu desenvolvimento diário.

Entretanto, repito: é cansativo sim. É trabalhoso sim. E as vezes é frustrante também. Não estou exagerando, estou sendo realista. Até o bebê mais bonzinho te desafia. Você fica cansada, com sono e com mudanças hormonais. Isso mexe com seu comportamento. E a todo momento você lembra que é a principal responsável por um serzinho tão pequeno e indefeso.

Fonte: Free Digital Photos
Fonte: Free Digital Photos

Por isso, sempre cobre a participação do seu companheiro ou companheira. Se for o caso, aceite a ajuda de sua mãe, madrinha, sogra, avó, tia, irmã, etc, principalmente se essa ajudante já for mãe ou tiver uma enorme afinidade com crianças.

E ao aceitar essa ajuda é que podemos ter mais problemas do que soluções. E é exatamente disso que pretendo falar nesse post.

Mães de primeira viagem são bombardeadas por conselhos. Conselhos de todos os lados. Desconhecidos, amigos próximos, contatos das redes sociais, sogra, mãe, etc. Todo mundo dá conselhos! Sobre aconselhar o outro, tenho algumas considerações:

  • Aconselhe apenas pessoas com as quais você tem uma enorme afinidade e intimidade;
  • Aconselhe apenas se você realmente sabe do que está falando, ou seja, se você tem real experiência e conhecimento no assunto. Olha, com essa tal internet, tenho observado que muitas vezes as pessoas aconselham sobre assuntos sobre os quais desconhecem e aconselham baseando-se em algo que leram por aí em alguma rede social. Se você não sabe, não fale. Simples.
  • Entenda que há milhares de formas de fazer a mesma coisa do jeito certo. Tenha sua mente aberta e respeite a maneira do outro. Inclusive é possível APRENDER observando novas maneiras de se fazer a mesma coisa;
  • Seja gentil ao aconselhar alguém. Faça privadamente e de maneira educada;

Essas “dicas” valem para qualquer tipo de aconselhamento que você pretenda fazer. Agora entenda que ao aconselhar, você pode acabar dando “palpites” não desejados. E quando trata-se de maternidade, a mãe já está cansada e abalada fisicamente e mentalmente. Então se o que você tem a dizer não for realmente ajudar, melhor ficar quieto. Quer ajudar uma mãe no puerpério? Mande uma mensagem, pergunte se ela está recebendo visitas ou telefonemas. Se estiver, leve um bolo, empreste um filme que você assistiu e gostou, dê risadas de histórias engraçadas, diga que o bebê está lindo, etc. Você não precisa DAR UM CONSELHO NÃO SOLICITADO, porque eu tenho certeza que essa mãe já leu bastante sobre maternidade, já conversou com médicos, já falou com sua própria mãe, etc. Em geral, as novas mamães buscam conselhos de suas mães, mas quando isso não é possível, as novas mamães elegem alguém para pedir conselhos (avó, madrinha, irmã, melhor amiga, etc). E acredite, você vai saber se é ou não essa pessoa eleita.

Eu sei que muitas pessoas aconselham de boa vontade, eu sei. Sei que as pessoas em geral agem de boa fé, querem realmente ajudar. É o que dizem por aí. Mas nem sempre nossas palavras bem intencionadas ajudam. Precisamos compreender essa limitação! O silêncio, um abraço e um sorriso muitas vezes ajudam mais do que palavras.

Além disso, o nascimento de uma criança e todo o contexto da maternidade é porta aberta para pseudociência. Veja bem, aqui deixo claro que cada um tem sua fé e crença (ou não-crença). Mas não estou falando do batizado de seu filho ou na fé que você tem que tudo dará certo. Falo de pseudociência mesmo, como as tais “simpatias”. É incrível como tanta gente tem simpatias para recomendar. Acho cansativo.

Acho cansativo também quando tentam mudar a forma com que pretendo criar eu filho. Gente que quer que eu o batize numa determinada religião, gente que acha que tenho que dar chazinho/água, gente que acha que tenho que deixar meu filho esgoelando de chorar, etc. Cada um tem um conselho sobre isso.

Sobre o chazinho/água, prefiro nem comentar porque ALEITAMENTO EXCLUSIVO né, gente. É o que toda comunidade médica especializada em pediatria recomenda. Mas já falaram para eu colocar meu bebê para dormir de lado ou de bruços e talvez essas pessoas não façam ideia de quão perigoso isso é: bebê tem que dormir de barriguinha pra cima! Conselhos perigosos como esses mostram que as pessoas são desinformadas, o que realmente é muito triste. Sempre falo aqui no blog o quanto sonho com o dia em que o conhecimento científico será totalmente difundido. Mas para isso tanta coisa ainda precisa mudar na sociedade…

Até alguns dias atrás, eu estava muito irritada com esse bombardeio de conselhos. Daí sabe o que decidi fazer? Instalar um filtro no ouvido. Fico com cara de paisagem, ouvindo tudo o que dizem. Quando presta, a informação entra na minha mente, eu a processo e posso utilizá-la. Quando não presta, ignoro e nem fico comentando. Estou fazendo isso e tem me feito muito bem, porque eu estava em um processo de ficar irritada com tudo e com todos e isso não estava me fazendo bem.

E sendo assim, acredito que esse post serviu dois propósitos. Eu desabafei algumas coisas e eu dei um conselho para os leitores. Sei que os leitores não pediram esse conselho (risos), mas vale o filtro hein. Ei, isso ficou um argumento meio circular, mas acho que vocês entenderam. =)