As pessoas não sabem pesquisar informações e eu vou explicar o porquê



Há um fenômeno bastante curioso que acontece com alguns comentários em posts de meu blog. O indivíduo chega até aqui fazendo uma busca pelo tema de interesse. Depois que lê meu post, ele comenta coisas como:

– Ah, mas faltou falar sobre XYZ

– Ah, mas você não mencinou blábláblá

– Nossa, que texto enorme! (ou nossa, que testamento)

– Tá, mas qual a resposta para (insere pergunta da sua lição de casa).

Deixa eu explicar uma coisinha: nenhum livro, post de blog, apostila, aula ou palestra pretende falar tudo o que já foi descoberto sobre um tema. Seja qual for o assunto, de vida sexual das borboletas monarcas até jato de baixos níveis da América do Sul: é impossível esgotar um tema!

Se uma pesquisadora ou pesquisador fez um pós-doutoramento em uma determinada área, certamente será sumidade nessa área, certamente saberá mais sobre aquele assunto do que a maioria da população e certamente será uma das poucas pessoas do mundo que tem conhecimento sobre a área estudada. Ainda assim, se perguntarmos ao pesquisador se ele sabe tudo sobre aquele tema, se for suficientemente humilde e verdadeiro, dirá que não sabe nada.

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Esses diagramas também ilustram o que estou falando.

Sendo assim, porque eu, uma humilde mestre, saberei tudo sobre um tema qualquer? E mesmo se hipoteticamente soubesse, vocês não acham que é impossível tratar todas as nuances daquele tema em um único post ou em um único blog?

Além disso, muitas vezes é necessário simplificar um assunto para abordá-lo didaticamente. Não significa que estou “ensinando errado”. Significa que estou falando em linhas gerais e deixo para que vocês desfiem o assunto. Eventualmente acabo desfiando também, quando acho que certo pedacinho é relevante naquele momento.

Portanto, aos que chegam aqui pensando que vão encontrar todas as respostas prontinhas ou todas as abordagens possíveis sobre um tema, digo para vocês: vocês vão se frustrar. Não tem como esse ser o objetivo do blog!

E gente, é um blog! Escrevo sério aqui, claro, mas minha escrita está muito norteada por minhas experiências pessoais. Eu tenho uma história intelectual, digamos assim, que é só minha. Um colega que tenha estudado em outra universidade, tenha feito outros cursos e tido acesso a outros materiais, vai ter uma história intelectual que é dele. O tema é o mesmo, mas as abordagens podem ser diferentes. E essa diversidade é muito saudável.

Acho que o objetivo principal é instigar a imaginação de vocês. Se quiser saber mais sobre um tema que tratei em um post, consulte as referências, consulte as referências das referências, procure outros meteorologistas ou pesquisadores em geral, procure livros, artigos científicos, etc. Eu não posso e nem quero fazer esse trabalho por vocês!

Lembro que quando eu ainda estava no Ensino Fundamental, a professora pedia trabalhos de pesquisa e a gente simplesmente copiava o que estava no livro. A professora aceitava, tirávamos notas boas. Com o tempo, passei a questionar esse modelo: ora, tirar uma fotocópia do livro não daria no mesmo? Eu sei, quando a gente copia a gente acaba lendo, mas um estudante pode muito mais do que fazer um simples trabalho de copista.

Pesquise várias fontes, leia bastante e escreva com suas próprias palavras. Até porque copiar (principalmente sem referenciar) é plágio.

A cultura da cópia ainda é presente em muitas tarefas escolares. Apesar de que com a internet fica muito mais fácil saber se o aluno copiou o trabalho e de onde copiou. Talvez os alunos, principalmente do Ensino Básico, precisem ser melhor instruídos sobre como fazer um trabalho. Deve ser instigado a procurar diversas fontes, ler e fazer uma análise comparativa delas, pois dessa maneira teremos pessoas mais críticas e também menos sujeitas a caírem em armadilhas da pseudociência.