Dúvida do leitor: Salários de um Meteorologista



A dúvida de hoje é do leitor Leonardo:

Olá Samantha! Tudo bem? Eu tenho 15 anos e tenho muito interesse no ramo da meteorologia… Porém tenho muita incerteza e preocupação devido ao salário não muito favorecedor… Lógico que quem ama o que faz sempre se dá bem e por vezes se situa melhor. Mas o que tu me diz em relação aos salários, com pós-graduação ganha mais que 8 mil no Rio Grande do Sul? Ou tu me recomendas outra faculdade parecida com meteorologia ou que tenha um caminho parecido. O que sugeres? Beijos e obrigado pela atenção!

Essas dúvidas sobre salário são bastante frequentes. Embora aqui no blog eu sempre diga que é importante fazer o que se ama, atuar numa profissão na qual você se identifique (já que você vai passar boa parte do seu dia trabalhando), eu não sou hipócrita e entendo que o salário precisa ser bom com toda certeza! E um dos fatores que as pessoas levam em consideração ao escolherem uma profissão, são as projeções salariais.

Fonte: Free Digital Photos
Fonte: Free Digital Photos

Sobre essa questão de gostar daquilo que faz e da satisfação de se trabalhar em uma área da qual você gosta, falei sobre isso nessa outra dúvida de outro leitor. E sobre a questão salarial, falei aqui.

Ainda sobre a questão salarial, nesse FAQ falo da média salarial. Reproduzindo uma resolução do CREA a respeito de salário:

“Art. 3º – Para efeito de aplicação dos dispositivos legais, os profissionais citados no Art. 2º desta Resolução são classificados em:

a. diplomados pelos cursos regulares superiores mantidos pelas Escolas de Engenharia, de Arquitetura, de Agronomia, de Geologia, de Geografia, de Meteorologia e afins com curso universitário de 04 (quatro) anos ou mais;

b. diplomados pelos cursos regulares superiores, mantidos pelas Escolas de Engenharia, de Arquitetura, de Agronomia, de Geologia, de Geografia, de Meteorologia e afins, com curso universitário de menos de 04 (quatro) anos.”

“Art. 5º – O Salário Mínimo Profissional para execução das atividades e tarefas classificadas na alínea “a” do Art. 4º da Resolução é de 06 (seis) vezes o Salário Mínimo comum, vigente no País, para os profissionais relacionados na alínea “a” do Art. 3º desta Resolução, e é de 05 (cinco) vezes o Salário Mínimo comum, vigente no País, para os profissionais da alínea “b” do Art. 3º desta Resolução.

Clique aqui para ler mais.

Em outras palavras, o piso salarial é definido pelo CREA e as empresas devem pelo menos pagar esse piso. Sobre ganhar 8 mil reais com pós graduação, olha Leonardo, não é bem por aí. Depende de muitos fatores, mas vou propor um cenário. Supondo que você seja um ótimo aluno na graduação e decida continuar seus estudos na academia, você poderá fazer duas etapas pós-graduação: o Mestrado e depois o Doutorado (algumas pessoas fazem o doutorado direto, pulando o mestrado, mas não é muito comum). Enfim, depois de concluídas essas etapas, você vai ter que esperar abrir um concurso público em alguma Universidade pública. Esse concurso, claro, vai ter que ser dentro da área que você estudou. O salário vai depender da sua titulação (se tem só Mestrado ou se tem também o Doutorado) e do regime de dedicação (20h semanais, dedicação exclusiva, etc). O salário pode variar entre aproximadamente R$3000,00 e R$10000,00 (e olha que nem todos salários chegam a dez mil, estou levando em consideração esse concurso, apenas como exemplo).

Claro que uma vez dentro da Universidade, o professor pode ser promovido, alcançar cargos de chefia e diretoria de departamentos ou institutos, participar de comissões, etc e essas situações fazem o salário aumentar. Mas não é do dia para a noite. Entre graduação+Mestrado+Doutorado, coloque aí uns 9-10 anos de dedicação, pelo menos. Isso mesmo, todo esse tempo estudando! Depois precisa abrir o concurso na sua área e até você estar com um salário compatível com seu esforço, coloque aí pelo menos mais uns 10 anos de carreira na Universidade, pelo menos!

Não estou desmotivando ninguém, estou falando a verdade! É preciso entender que a pessoa que decide pela carreira acadêmica vai ter que ter paciência, persistência, serenidade e vai ter que deixar de lado muitas coisas. É uma carreira recompensadora, mas tudo isso precisa ser levado em consideração para que não haja frustração. É uma carreira em que o sucesso e a recompensa são obtidos a longo prazo..

Tá, mas seguir carreira acadêmica é a única opção? Não. Você pode atuar no mercado de trabalho, em instituições públicas (mais uma vez, concurso) ou em instituições privadas. Você pode ser bom em programação e estatística e trabalhar em bancos. Você pode fazer uma pós-graduação lato senso na área de meio ambiente, por exemplo. Claro que ninguém começa com salários de R$8000,00 (salvas raríssimas exceções), isso só vem com o tempo, com a experiência, com ainda mais cursos e estudos na área, etc.

Diferença entre pós-graduação lato sensu e strictu sensu

Lato sensu: é a maioria das pós-graduações ministradas em universidades particulares e inclusive nas propagandas eles deixam claro que se trata de pós-graduação lato sensu. Mas há pós-graduação lato sensu em instituições públicas também. Em latim, significa “em sentido amplo”. De acordo com o site do Ministério da Educação:

As pós-graduações lato sensu compreendem programas de especialização e incluem os cursos designados como MBA (Master Business Administration). Com duração mínima de 360 horas, ao final do curso o aluno obterá certificado e não diploma. Ademais são abertos a candidatos diplomados em cursos superiores e que atendam às exigências das instituições de ensino – Art. 44, III, Lei nº 9.394/1996.

Strictu sensu: em latim, significa “em sentido limitado”. De acordo com o site do Ministério da Educação:

As pós-graduações stricto sensu compreendem programas de mestrado e doutorado abertos a candidatos diplomados em cursos superiores de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino e ao edital de seleção dos alunos (Art. 44, III, Lei nº 9.394/1996). Ao final do curso o aluno obterá diploma.

Em outras palavras, é também possível dizer que na lato sensu, a aplicação é mais prática, mais geral e voltada para o mercado de trabalho. Já na stricto sensu, a aplicação é mais voltada para a área acadêmica.

Para finalizar…

Obrigada pela pergunta, Leonardo e parabéns por se preocupar com uma carreira logo tão cedo. Claro que isso não deve ocupar 100% da sua mente! Além de estudar e viver com responsabilidade, aproveite que você tem só 15 anos para “ser adolescente”, sabe? Aproveite o tempo com seus amigos, faça as coisas que gosta e tenha paciência consigo mesmo.

Eu tenho certeza que você vai fazer uma boa escolha profissional, só tenha bastante calma e persistência.