Sobre aprender a dizer NÃO



Fonte: Free Digital Photos
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Eu trabalho e/ou estudo o dia inteiro desde meus 16 anos. Hoje tenho 33, então é mais da metade de minha vida. Eu tenho pensado muito a respeito disso, principalmente agora que me tornei mãe.

Além de trabalhar e/ou estudar, sempre tive atividades extras, como cursos ou freelas. Houve um momento em que eu trabalhava, fazia curso de espanhol, fazia aulas na autoescola (para treinar) e pós-graduação. Isso faz uns 7 anos e lembro que houve uma noite que chorei muito, porque eu estava cansada. Não gosto de ficar falando que me sacrifiquei, que comecei “de baixo”, etc. Não porque eu tenha vergonha das minhas origens ou qualquer coisa do tipo. É que normalmente, quando as pessoas contam essas histórias, elas se esquecem dos privilégios que usufruíram. E eu tive privilégios sim e o maior deles é uma família abençoada que sempre me incentivou e me ajudou nos momentos mais difíceis.

A verdade é que eu não sabia dizer não. Eu abraçava todas as oportunidades que surgiam e isso prejudicava muito minha saúde física, mental e social. Dores no corpo, cansaço e falta de convivência com os amigos. Por muitos anos, nem um hobby eu conseguia ter! Eu não conseguia praticar esportes e nem cuidar de minha aparência! Eu me sentia tão cansada, que uma caminhada simples me causava desconforto.

Agora que sou mãe, eu quero aprender a dizer não. Pela minha saúde e pelo bem-estar de meu filho.

Repito, quero aprender a dizer não! E isso pode ser fácil ou difícil. Pode ser bom ou ruim. Vou dar dois exemplos relativamente recentes.

Exemplo fácil

Meu blog não é o mais visitado da internet, mas tem alguma audiência. E através da internet, também conheci muita gente. Já fui convidada para escrever textos em portais e em blogs de amigos. Eu sempre dizia SIM para quase todos os convites. E hoje percebo o quanto isso me causou desconforto. Eu tentava, mas não consigo me comprometer a escrever textos periódicos em um blog ou portal, porque eu já tenho o meu blog.

Além disso, algumas pessoas se aproveitaram da minha boa vontade e ao invés de agradecer minha gentileza e compreender que tenho outros compromissos, ficam cobrando, cobrando e cobrando. E em troca, não recebia nenhum tipo de retorno!

Foi quando escrevi esse post, um desabafo sobre o desrespeito cometido contra muitos profissionais. Escrever um texto, produzir, criar algo novo, etc, demanda energia. É o seu talento, anos de estudo, sua experiência e você merece ser recompensado. Por isso, não deixe que as pessoas se aproveitem de você com aquela conversinha fiada de “ah, estaremos divulgando seu trabalho”.

E quando trata-se de blogs de amigos? Depende do caso, né? Seu “amigo” também pode se aproveitar de você. E em outras situações, de amigos de verdade, eu acabava falhando com eles, porque eu não conseguia produzir um texto com a qualidade e na frequência esperada.

Então minha conclusão é: se for para imprimir energia, vai ser nos meus projetos, no meu blog. É aqui que vou investir, centralizar minha produção e só vou dizer SIM para oportunidades que realmente vão mudar minha vida.

E outra coisa, não posso ficar dizendo SIM para tudo, pois vou ter que gastar tempo e energia que eu DEVO aplicar na educação e nos cuidados ao meu filho.

Dizer não nesses casos está sendo fácil. Vamos agora ao exemplo difícil, mas que nem é tão difícil assim.

Exemplo ‘difícil’

E quando te oferecem uma oportunidade, um projeto, do qual você se identifica, vai ser legal e você poderia ganhar uma graninha com isso? Aconteceu isso comigo recentemente. Um amigo querido (o Vinícius), um cara super gentil, lembrou de mim para fazer parte de um projeto bem interessante. Algo que eu poderia fazer bem. Algo que eu sei que eu adoraria fazer. E eu provavelmente receberia um dinheirinho. Seria um freela.

Tenho muito cuidado ao fazer freela. Primeiro porque já só funcionária de um órgão grande, não quero e nem devo usar esse fato para conseguir o freela. Não quero e nem devo misturar as coisas. Peço sabedoria a Deus e ajo com todo o bom senso disponível no meu coração. Eu conseguiria fazer esse trabalho com bom senso e honestidade, mas isso significaria trabalhar mais assim que eu chegasse em casa. E não tem condições! Quando chego em casa, meu filho fica desesperado pela minha atenção e carinho. Eu sinto muita saudade dele, quero aproveitar cada minuto ao lado dele. Preciso cuidar dele, organizar as coisas para o dia seguinte, etc.

Se eu aceitasse esse trabalho, eu ficaria esgotada. Cansada. Eu me sentiria culpada. Há dinheiro que pague isso? Minha paz e meu descanso não tem preço.

Em outras épocas, eu diria SIM sem sequer pensar. Hoje penso um pouco e logo digo não. Pronto, nem foi tão difícil assim. Eu disse não e senti um alívio tão grande, porque isso representou o fim de uma época, um marco. Foi libertador.  Acho que nunca vou esquecer essa ocasião em particular. Agora eu me sinto livre para dizer não mais vezes.

Agora só vou dizer não!

Claro que não! hahahaha.

Claro que se uma amiga ou amigo convidar para escrever um texto esporádico, uma colaboração sem compromisso, eu posso aceitar. Claro, desde que não seja nada absurdamente grandioso, pois realmente quero priorizar meu filho. Essa é a minha escolha de vida e é o que me faz verdadeiramente bem.

O que estou notando é que estou aprendendo a ser seletiva. E estou perdendo o medo de dizer não. Por muitos anos eu tinha medo de perder oportunidades e dizia sim para quase tudo. Isso me colocou em diversas furadas e em situações de muito arrependimento. E eu dizia sim para quase tudo mesmo, não só em situações envolvendo trabalho: relacionamentos, pedidos de ajuda, etc. E alguns se aproveitaram dessa minha característica em diversos momentos. Hoje não quero mais isso.

Sem contar que eu acabava tomando tanta responsabilidade que não fazia as coisas direito, não me dedicava da maneira que a situação merecia. Agora não quero mais saber disso! Prefiro fazer poucas coisas bem feitas do que um milhão de coisas pela metade.

E aprender a dizer não vai ser MUITO importante ao longo de minha vida de mãe. Quantas vezes vou ver aquele rostinho fofo pedindo alguma coisa e eu vou precisar dizer não para educar da maneira que eu julgo ser correta.

Acima de tudo, eu me sinto muito privilegiada por poder dizer não nessa altura da minha vida. Por poder rejeitar trabalhos extras que poderiam me garantir um retorno financeiro. Por me sentir menos cobrada em querer “provar” meu profissionalismo. Eu me sinto mais autoconfiante. Eu me sinto mais feliz.

Dizer não é muito bom, diga não você também!!!! XD