Dúvida do leitor: Profissão



A dúvida de hoje é da leitora Brenda:

Sou Brenda  aluna do CEFET/RJ e estou no último  ano perto de  me formar.  Estou querendo cursar meteorologia na faculdade  mas estou com muitas dúvidas  quanto aos postos de trabalho que posso procurar,se é  uma carreira promissora…, coisas do tipo entende? Devido a falta de informação  sobre o assunto  quando pergunto as pessoas que conheço  isso só deixa-me com mais dúvidas  ainda.Gostatia de saber se vc pode informar-me sobre o assunto.
Grata,
Brenda.

Sempre comento por aqui que recebo muitas perguntas sobre a carreira do Meteorologista. Algumas perguntas  são sobre o curso de Bacharelado em Meteorologia (matérias, grau de dificuldade, etc) e outras são focadas no mercado de trabalho.

No Sobre Mimlink aqui do blog, falo brevemente de minha trajetória profissional. Depois que eu me formei, cogitei seguir a carreira acadêmica e fiz o Mestrado. Depois fui percebendo que não era exatamente isso o que eu queria. Concluí o mestrado e fui trabalhar em uma empresa de previsão do tempo. Trabalhei pouco tempo nessa empresa, mas aprendi bastante por lá.

Depois fui trabalhar no INPE, como bolsista em um projeto de pesquisa da área de interação entre oceano e atmosfera. Fiquei lá por 1 ano de depois prestei um concurso e atualmente trabalho na Estação Meteorológica do IAG-USP. Então a minha maior experiência é na área de instrumentos meteorológicos convencionais, controle de qualidade de dados, gerenciamento de banco de dados, atendimento de cultura e extensão universitária (divulgação científica). Gosto muito de todas as coisas que faço no trabalho, mas o atendimento ao público é o mais especial para mim. Tanto que nas minhas horas vagas eu posso dizer que trabalho aqui no Meteorópole (ganhando pouquíssimo 🙁 ), escrevendo textos sobre meu estilo de vida, variedades e claro, sobre Meteorologia.

Bom, essa é a minha experiência como meteorologista e talvez seja um pouco diferente da experiência de outros profissionais, já que muitos trabalham na Previsão do Tempo, outros trabalham na área de Energia Renovável, conheço colegas que trabalham em bancos (nossos conhecimentos em estatística e programação podem ser aplicados em outras áreas também), colegas acadêmicos etc. Dessa maneira, cada profissional vai ter uma opinião sobre o fato da carreira ser ou não promissora, baseando-se em suas experiências profissionais positivas ou não. É uma questão muito subjetiva.

Eu tenho observado que, com a crise político-econômica que nosso país está vivendo, menos vagas de trabalho tem surgido nos grupos virtuais (e-mail, Facebook, etc) dos quais faço parte. É uma percepção minha e talvez eu tenha razão, mas isso tem a ver com o momento que nosso país vive. Talvez isso melhore, não sei prever isso. Um exemplo bobo é a área de Engenharia Civil. No começo dos anos 2000, pouca gente que entrava na Poli-USP queria a área de Civil, porque ela estava em crise. Naquela época, os ingressantes da Poli-USP em sua maioria queriam a área de Telecomunicações, pois ela estava em seu auge. Anos depois, a situação parece ter se invertido ou pelo menos se equilibrado.

Enfim, eu diria que é uma carreira promissora sim, desde que você goste daquilo que faz. Porque pelo menos para mim é difícil prever essas oscilações do mercado e da política. Nem entendo nada disso.

Recentemente escrevi um post sobre salários em meteorologia que foi muito elogiado por alguns colegas. Então acho que o post ficou bom, hehehe. Brenda (e outros leitores interessados), se quiser ler esse post em questão, clique aqui.

Como recebo muitas as perguntas sobre o curso de Bacharelado em Meteorologia e sobre a carreira de um modo geral, escrevi um “dossiê” sobre o assunto. Leia todos os posts que já escrevi sobre o assunto clicando aqui.

Pense com muito carinho e cuidado, mas entenda que as coisas no momento estão difíceis para quase todas as áreas. Isso de “carreira promissora” depende muito do esforço de cada um e das possibilidades que vão além do esforço, como apoio da família e situação financeira. Sim, situação financeira! Digo isso pois pelo menos na USP, onde estudei, o curso é praticamente integral, já que há matérias no período da manhã e da tarde (e até da noite, se você for doido rs). Dessa maneira torna-se quase obrigatório dedicar-se integralmente aos estudos universitários e fica difícil trabalhar convencionalmente (8h por dia, num escritório, etc).

Não gente, minha família não é rica,  longe disso. Para me “sustentar” enquanto eu trabalhava, contei com a ajuda do meu pai (que comida e roupa do Brás nunca negou, hehehe), trabalhei em eventos, fiz Iniciação Científica e monitorias. Eu também tinha um dinheirinho guardado de um período que trabalhei antes da faculdade. E outra, eu não tinha luxos: não comprava roupas em shoppings, não viajava, não comia coisas diferentes, não tinha gadgets, etc. Eu tinha uma vida super modesta, porque eu não tinha dinheiro para comprar nada. Estou falando a realidade para vocês, aqui no blog eu gosto de incentivar todo mundo, porém sempre falando a verdade. No meu caso, posso dizer que esse esforço todo valeu a pena sim.

Espero ter te ajudado, Brenda, trazendo informações práticas e verdadeiras. Não, minha experiência não é a ideal ou a única possível, mas é uma experiência válida que pode servir de referência para pessoas que tem dúvidas sobre carreira.

Um grande abraço e um excelente feriado para todos.