Filatelia e Meteorologia – parte 2 – selos dos Estados Unidos com diferentes tipos de nuvens



Na primeira parte desse post (escrita em Abril de 2014), fale da coleção de selos do Prof. Mario Festa, com selos comemorativos em homenagem ao Dia Meteorológico Mundial. São selos de diversos países do mundo, homenageando a data internacional. Há selos inclusive de países que já não existem de mais do ponto de vista político (mudaram de nome, por exemplo). Então vale a pena conferir. 🙂

Eu nem imaginei que quase dois anos depois eu ainda teria material para falar sobre o assunto. Mas então eu encontrei esse link da UCAR com curiosidades sobre nuvens. E uma das curiosidades é uma série de selos que o serviço postal dos Estados Unidos (USPS) lançou em 2004. Fora 15 selos, representando nuvens altas, médias e baixas:

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Muita gente não sabe, mas as nuvens possuem nomes!

Trata-se de uma classificação feita por Luke Howard no início do século XIX e usada até hoje. Alguns nomes foram acrescentados, mas a lógica segue a mesma: nomes em latim, que descrevem a aparência das nuvens, numa classificação que lembra em muito a criada por Carolus Linnaeus (ou Carlos Lineu) para classificar os seres vivos. Provavelmente não é mera coincidência, já que a classificação de Lineu (como é conhecida), foi criada no século anterior, em XVIII.

Alturas dos diferentes tipos de nuvens. Adaptado de AHRENS, C.D.: Meteorology Today 9th Edition

Eu falei sobre a classificação das nuvens em diversos posts aqui no Meteorópole, como nesse. Uma figura muito recorrente que apresento nesses posts é a figura acima, que mostra ilustrações dos principais tipos de nuvens e sua classificação que leva em conta a altura e o formato das nuvens.

O que eu não mencionei em outros posts (eu acho rs) foi que as nuvens podem ter um “sobrenome”, como é indicado na reprodução dos selos. Esse sobrenome serve para ressaltar uma característica peculiar daquele tipo de nuvem, servindo como uma subclassificação. Reparem que o primeiro nome da nuvem começa com letra maiúscula  e o segundo com letra minúscula (como em Stratus opacus), o que lembra ainda mais a classificação dos seres vivos criada por Lineu.

Stratus opacus, por exemplo, é uma nuvem baixa tipo Stratus, mas que tem uma característica peculiar de ser bem opaca. Cumulonimbus mammatus tem esse nome porque na base da nuvem Cumulonimbus há protuberâncias que lembram mamas. E assim por diante. Esses sobrenomes também são discutidos por instituições científicas até chegar num consenso sobre utilizar a nova classificação ou não. E claro, precisam seguir o padrão de classificação vigente.

Imagem de Rafael Toshio, divulgada nesse post. Nuvens Cumulonimbus mammatus normalmente estão associadas com tempestades severas.

Com relação aos sobrenomes, o uso mais “comum” é com relação a classificação das nuvens tipo Cumulus, de acordo com o tamanho da nuvem:

  • Cumulus humilis: pequena
  • Cumulus mediocris: média
  • Cumulus congestus: grande, antes de “evoluir” para Cumulonimbus (e que passa a ter aquela aparência que lembra uma bigorna)

No dia a dia do meteorologista, essa subclassificação não é tão importante. O importante é saber a classificação principal, que eu mostrei nesse post. Entretanto, se você gosta de classificação de nuvens e gosta de apreciá-las, aprender essa subclassificação pode ser interessante. No Reino Unido, há uma associação chamada The Cloud Appreciation Society, que reúne em seu grupo de membros pessoas que gostam de observar nuvens como hobby, sem serem necessariamente meteorologistas. No site da associação, há informações sobre como se afiliar e há material para download. Há inclusive um app para iPhone que promete ajudar quem pretende aprender os nomes das nuvens através de fotos e textos.

Aproveito o post para lembrar que não se “traduz” o nome das nuvens. Não se deve escrever Cúmulo, Cirro ou Estrato, como já vi até em materiais didáticos. O padrão internacional, criado pela Organização Meteorológica Mundial, é utilizar os nomes em latim, sempre. Da mesma maneira que ninguém traduz os “nomes científicos” dos seres vivos, não traduzimos os nomes das nuvens.