Por que eu tenho escrito menos sobre o “universo da maternidade”?



Desde que me tornei mãe, tenho escrito alguns textos sobre o “universo materno” aqui no Meteorópole. Talvez os leitores mais antigos, aqueles que gostam de textos sobre Meteorologia, não tenham muito interesse, mas vocês tem percebido que os textos sobre Meteorologia continuam por aqui.  E tenho certeza que com os textos sobre maternidade, tenho atraído novas leitoras e leitores. E claro, isso me deixa muito feliz. Só que eu tenho sentido menos vontade de escrever sobre o “universo da maternidade”. E eu vou tentar explicar porque.

Fonte: Free Digital Photos
Fonte: Free Digital Photos

Numa rápida busca, encontramos muitos blogs com o tema maternidade. Há inclusive um termo em inglês: mom bloggers. Há blogs muito bons, que trazem opiniões de especialistas, receitas, dicas de lazer, etc. Mas há blogs chatíssimos, com mães que acreditam ser uma espécie de Bree Van de Kamp, o estandarte da perfeição.

Desculpem-me pela sinceridade, tá? Mas na minha opinião, há blogs assim, muito chatos. Eu tenho certeza que cada mãe é a mãe perfeita para o seu filho ou filha. Mas não existe uma competição da mãe mais perfeita do mundo, isso não faz sentido. Cada uma de nós se molda para atender as necessidades dos seus. E ponto. Eu não seria uma boa mãe para outra criança.

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Acima, tomei a liberdade de copiar o banner do portal da queridíssima Uma Mãe das Arábias, também conhecida como Barbara Saleh. Esse é um daqueles blogs de maternidade que são realmente muito bons, com boas informações, dicas importantes e relatos sinceros. Gosto da frase que ela apresenta no banner e que tem tudo a ver com o que quero dizer: “Não existe uma maneira para ser uma mãe perfeita, mas milhares de maneiras para ser uma boa mãe”, Jill Churchill.

Quando escrevo as coisas aqui, claro que elas estão relacionadas ao meu universo de mãe, ao “jeito Samantha” de ser mãe. Não quero parecer uma dessas “talimães“, que acham que sempre tem a razão até quando o assunto é o filho dos outros. Ser mãe é pilotar um avião em pleno voo. A gente vai aprendendo enquanto vai fazendo. Tem que ter humildade, calma, paciência e muita sabedoria. Lembrando que criança é um aviãozinho diferente.

Claro que há questões iguais para todas as mães, mas cada uma lida de maneira diferente com essas questões. Eu gosto de vir aqui no blog e escrever alguma dica ou informação que funcionou para mim. Tento pautar essa dica no mínimo de informação científica, porque esse é o meu jeito de ser. Quando escrevo meus relatos aqui, não quero parecer soberba ou qualquer coisa do tipo. Quero apenas dividir, pois pode ajudar outra mãe. Talvez essa mãe nem “copie” exatamente do jeito que fiz, pois é provável que essa mãe coloque seu temperinho e adapte a informação à sua realidade. Eu faço assim quando leio informações em outros blogs. Mas quando percebo que a mãe faz o estilo ‘talimãe’, nem sinto mais vontade de ler o blog =(. E pensando bem, nem é apenas sobre o “universo da maternidade”, pois gente soberba chateia em qualquer área.

Enfim, quero dizer que tenho escrito menos sobre maternidade porque eu não quero parecer soberba. Às vezes até tenho uma dica ou opinião a respeito de algum tema, mas eu penso bem e desisto de escrever. Não quero “suscitar uma polêmica” ou soar arrogante.

Por exemplo, um assunto que para mim é muito simples, mas que suscita muita polêmica é a Introdução Alimentar, por incrível que pareça. Para mim era só seguir mais ou menos as receitas dadas pela pediatra (adaptando conforme a minha realidade e o bom senso), amassar as comidinhas com o garfo, se munir de paciência e amor (como sempre!) e ir tentando aos pouquinhos. Bom, tenho feito assim e está dando certo. Tem dias que meu filho come mais, tem dias que meu filho come menos. Ele ficou vários dias sem comer direito, porque estava com uma virose. Mas, vida que segue, agora ele está comendo bem. Bom, para mim, a Introdução Alimentar é algo simples, embora desafiador, mas os fundamentos são simples.

Ledo engano. Percebi que complicam isso de maneira inacreditável Re-inventam a roda toda hora. Falta bom senso. Observo muita insegurança e muita desinformação. Pensei em escrever um post sobre como tem sido a Introdução Alimentar com o Joaquim, mas desisti por enquanto. Não quero cair na armadilha da “mãe mais perfeita do mundo”.

Além disso, quando a gente fala um pouco de certos assuntos no universo da maternidade, a gente acaba se expondo. Falamos sobre como fazemos certas coisas e essa exposição, embora possa ajudar muita gente, pode nos prejudicar. Muita gente gosta de julgar a maternagem alheia e isso é inadmissível. Eu não quero ser julgada nem por quem convive comigo e muito menos por pessoas que leem meia dúzia de palavras em um blog e já acham que sabem tudo sobre a sua vida. Desculpem pela franqueza, mas acredito que muitas pessoas que já estão há algum tempo no “universo dos blogs e redes sociais” sabem do que estou falando. Se você posta algumas fotos de um passeio em uma praia paradisíaca, já dizem que você é rica e está com a vida ganha. Não sabem que por trás daquele passeio tem muita coisa: esforço, anos de trabalho sem férias, o fim de um relacionamento, um momento de merecido descanso, etc. Esse tipo de julgamento me desmotiva a produzir qualquer conteúdo ou postar qualquer informação mais particular sobre minha vida!

Em outros posts já mencionei que muitas vezes me sinto desmotivada, sem vontade de produzir conteúdo. A motivação retorna quando alguém elogia meu trabalho, quando alguém diz que um post que escrevi ajudou, etc. Isso me deixa muito feliz e motivada! Fico animada também quando leio algum texto interessante, quando aprendo algo bacana. Espero do fundo do coração que meus textos não sejam mal interpretados, não quero parecer arrogante ou soberba. Mas se parecer também, não posso fazer nada. Todo mundo julga, mesmo não sendo a melhor atitude a se tomar. E a mim, bom, só resta ter cautela e carinho com minhas palavras, para minimizar o risco de magoar ou chatear alguém.