Por que eu saí de grupos de maternidade?



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Fonte: Free Digital Photos

A gente entra para um grupo de WhatsApp por diversas razões. Porque se identifica com aquelas pessoas, para trocar experiências sobre o tema proposto no grupo, trocar informações, etc. Entretanto, reparei em algo que julgo muito perigoso e vem acontecendo nesses grupos: eles tem se tornado a única fonte de informação para algumas pessoas.

Se você está em um grupo de maternidade no WhatsApp, no Facebook ou em um fórum e se sente acolhida e satisfeita, esse texto não é para você! Esse texto é para quem já teve problemas em grupos ou não se sentiu representada. Esse texto trata de minha experiência e coloco alguns pontos que julgo que merece reflexão.

Acho que isso tem a ver com o fato do WhatsApp ser rápido, quero dizer, as mensagens carregam rapidamente. Além disso, algumas operadoras de celular dão bônus para WhatsApp. Dessa maneira, a pessoa pode a princípio ficar o dia inteiro no WhatsApp, gastando muito pouco. Isso faz com que elas deixem de consultar a internet do jeito tradicional, através de buscas e navegação. E eu considero isso perigoso!

A internet é uma aliada, é a nossa nova forma de se relacionar com o mundo. Com uma simples busca no Google, a gente consegue obter as informações que precisamos. Acredito que as pessoas precisam se educar para fazer boas buscas, sempre prezando informações coerentes e dadas por sites respeitados. E por sites respeitados, quero dizer sites bem escritos, com textos que colocam boas fontes (artigos científicos, textos de divulgação científica coerentes, etc), sempre identificando pseudociência e charlatanismo.

Nos grupos de mães dos quais participei e sempre me frustrei (cedo ou tarde), encontrei as seguintes coisas que me decepcionaram:

  • Pseudociências diversas, como mencionei anteriormente (como na história do colar de amamentação, mães anti-vacinação, etc);
  • Síndrome de Bree Van de Kamp: mães que acham que são globalmente perfeitas, modelos para a sociedade;
  • Julgamentos sobre a maternagem alheia;
  • Síndrome de ‘Mamãe Alfa’, que acha que todas tem que ser iguais a ela, seguindo exatamente tudo o que ela prega.
  • Falta de bom senso: cansei de ler perguntas como “Posso das chuchu pro meu filho de 6 meses?”. Certas perguntas a gente faz para o pediatra, para o nutricionista ou simplesmente usa o bom senso. Também vale muito a pena perguntar para uma pessoa próxima, um familiar.
  • Oversharing: foto do cocô do neném, da assadura, divulgação de nome de escola, etc. Há coisas que a gente não compartilha com desconhecidos. Sim, por mais que tenhamos coisas em comum, precisamos entender que não conhecemos totalmente quem está do outro lado da tela.
  • Ortorexia e outras faltas de bom senso relacionadas.
  • Pessoas extremamente perdidas, pegando qualquer informação dada e seguindo qualquer “guru”.

Essas são algumas das coisas que presenciei. Tudo isso me irritou e fez com que minha permanência nesses grupos se tornasse insuportável. O que fiz para minha própria sanidade? Eu saí de todos os grupos. Quando tenho alguma dúvida sobre a criação dos meus filhos, faço uma pesquisa na internet e converso com pessoas próximas. Colho as informações e tomo minha própria decisão.

Também percebo, que quando o assunto é maternidade, a gente tem muitas dúvidas e inseguranças. Isso é normal e devemos aprender a lidar com isso, para no tornarmos fortes e passarmos segurança para nossos filhos. Nunca vamos ter domínio sobre todos os assuntos e um dos pontos principais para alcançar a auto-confiança é justamente reconhecer suas próprias limitações.

Muitas vezes, uma pessoa como eu que produz conteúdo para a internet, acaba escrevendo um texto para ajudar e acaba sendo mal interpretada, porque a mãe do outro lado que está lendo o texto talvez esteja com dificuldades: inseguranças, depressão pós parto, tristeza, falta de apoio, etc. Se você está lendo esse texto e está passando por essas coisas, quero dizer algumas coisas:

  • Respira fundo: pede para alguém cuidar do seu bebê por alguns instantes, entra no banheiro, toma um banho gostoso e chora tudo o que tem que chorar.
  • Estamos juntas! Eu também tenho meus medos e inseguranças e eles são absolutamente normais. Se esses medos estiverem te incapacitando, busque ajuda médica!
  • Você é capaz! Tenho certeza que você é uma pessoa completa, inteligente e capaz de ser uma boa mãe. Você ama seu filho e sei que vai fazer o melhor. Inseguranças fazem parte a vida, você vai ter que contornar isso e aprender que você é capaz sim!
  • Aceite ajuda de pessoas próximas que se importam com você.
  • E não se irrite com os conselhos dessas pessoas próximas que gostam de você. Entenda, você não é obrigada a seguir conselho nenhum, mas deve ouvir e absorver o que é bom. As pessoas muitas vezes falam por bem, você sorri, agradece o conselho e não é necessário segui-lo. Não precisa se aborrecer =)
  • Aprenda a responder e a impor seus limites. Se eu tivesse feito isso há alguns meses, teria evitado muitas dores de cabeça. Diga educadamente que estão invadindo seu espaço. E essa invasão é comum quando você está “recém-parida” e as pessoas querem te ajudar de maneira invasiva ou estão empolgadas com o bebê e se esquecem do seu espaço de mãe.
  • Saia dos grupos ‘virtuais’ de mães, caso eles tragam mais aborrecimento do que aprendizado.
  • Você pode mudar de ideia, sempre. Muitas vezes temos uma opinião sobre algo, mas depois a gente vê que aquela opinião não serve mais. Não tem nenhum problema em mudar seu ponto de vista ou sua ideia sobre criação dos filhos. Eu tenho certeza que sua mudança visa o melhor para sua família.

Desejo muita força para você e lembre-se: se um ambiente ou grupo te aborrece mais do que ajuda, deixe-o. Temos que aprender a simplificar a vida para uma existência mais harmônica e feliz, para um sossego e paz que vão te ajudar na criação do seu filho.