Diferença entre Cientista e Pseudocientista



Há alguns meses, escrevi um post falando da diferença entre Ciência e Pseudociência, usando exemplos e pontos que observei cotidianamente. E é assim que lido com meu blog. Claro que faço pesquisas, leio bastante para escrever posts interessantes, mas muito do que escrevo é  de experiência pessoal embasada com conhecimento adquirido e acredito que esse é o ritmo natural de um blog.

Eu estou lendo O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan. Tenho lido muito devagar, porque estou muito cansada e me falta tempo (mãe de criança pequena e etc). E confesso que a experiência de ler devagar tem me trazido alguns benefícios. Tenho refletido bastante sobre cada capítulo e isso tem me fornecido ideias para escrever posts.

Foi quando pensei no tema “Diferença entre Cientista e Pseudocientista“, como um complemento ao post que mencionei anteriormente. Minhas colocações tem a ver com o comportamento de cada um desses personagens. Além disso, vocês vão testemunhar o embrião da minha escrita. Achei que valia a pena mostrar um pouco das minhas anotações. Veja a listinha que fiz abaixo e que vou transcrever nesse post.

pseudociencia_ciencia

Tenho o costume de usar blocos de anotações, mas os blocos se perdem. Comecei a digitalizar algumas coisas importantes que escrevo, para ficarem guardadas. O papel acaba estragando.

Vamos então discutir cada um desses pontos?

O Cientista

  • Entende que uma hipótese é apenas um “papite” e será apenas um palpite até que vários testes sejam feitos;
  • Essa hipótese é usada para iniciar e direcionar a pesquisa
  • Compreende que nunca poderá provar definitivamente a hipótese, mas poderá “desprová-la”, descartando-a. Por isso, é totalmente aceitável que a conclusão de um trabalho científico (uma dissertação, uma tese ou mesmo um artigo) seja algo como: “olha, fizemos os testes mencionados e essa hipótese não funcionou”. Não há nenhum problema nisso.
  • Sabe que qualquer hipótese deve ser testada, antes de qualquer coisa.
  • O cientista deve “olhar para o próprio rabo” e ser crítico com sua própria hipótese e seu próprio trabalho. Muito cuidado para não ser crítico apenas com o trabalho dos outros.
  • Humildade e resignação (característica que tem a ver com os demais pontos apresentados)

O Pseudocientista

  • Considera-se um gênio. Observe as palestras, entrevistas e até textos escritos por pseudocientistas. A falta de humildade é facilmente observável. Comentários sarcásticos com relação ao trabalho dos outros são bem comuns também.
  • Frequentemente, refere-se aos seus colegas como ignorantes e até os insulta. Argumentum ad hominem é uma prática relativamente comum.
  • Muitas vezes tem um sentimento “vitimista”, dizendo-se perseguido pela comunidade científica. E assim justifica o fato de ter poucas publicações na área da pseudociência defendida.
  • Alguns pseudocientistas divulgam pseudociência de áreas que não tem a ver com sua formação. Existem pseudocientistas que tem boas publicações em outras áreas do conhecimento, sendo muitas vezes autoridade em uma determinada área, no entanto divulgam pseudociência de outra área (o que é uma contradição, como por exemplo o caso do Dr. Ben Carson, mencionado pelo Yuri Grecco)
  • Compara-se com Galileu ou Copérnico, por exemplo, dizendo-se vítima de uma enorme conspiração ou injustiça e tem a esperança de que um dia “todos verão que ele estava certo”.
  • Tem a tendência a atacar teorias científicas bem estabelecidas (a Teoria da Evolução é provavelmente a maior vítima)
  • Usa jargões demasiadamente confusos e sem um padrão. Ou seja, um termo usado por um pseudocientista provavelmente tem outra definição se definido por outro pseudocientista.

Conclusão

Esse levantamento foi feito com base no livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan e de outros livros que mencionarei na bibliografia abaixo. Também usei um pouco de minhas observações pessoais. Claro que outras pessoas terão outros pontos para acrescentar. Se você quiser acrescentar alguma coisa, pode escrever nos comentários.

Um cientista sério, uma pessoa sem inclinações para a pseudociência, pode ter um comportamento pseudocientífico se for motivado por paixões pessoais ou pela manutenção de seu próprio ego. Por exemplo, por insegurança e no afã de tentar provar que sua hipótese está correta e que seu trabalho é impecável, pode se comportar de maneira pseudocientífica, não sendo crítico com relação ao seu trabalho e sendo grosseiro a ponto de desprestigiar seus pares. Dessa maneira, quem gosta de ciência e/ou quem é de fato cientista precisa tomar cuidado para não inserir, sem querer, comportamentos pseudocientíficos em seu trabalho.

Acredito que é muito importante falar das diferenças entre ciência e pseudociência e da diferença entre os comportamentos do pseudocientista e do cientista. Isso ajuda na conscientização da população, para que posam ser céticas com relação a toda informação que leem.

Bibliografia

  • O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan
  • The art of the soluble, de Peter B. Medawar
  • Fads and Fallacies in the name of science, de Martin Gardner
  • Science Fiction and Pseudoscience, de John Sladek.