O que observei antes de escolher uma escolinha para meu filho



Fonte: Free Digital Photos
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Toda mãe que também trabalha fora de casa quer se sentir segura, tranquila, sabendo que seus filhos estão sendo bem cuidados. Algumas optam por babás. Outras tem a possibilidade de que alguém da própria família cuide da criança. E outras ainda optam por colocar a criança em um berçário, como foi meu caso. Vou falar um pouco de minha experiência e mencionar o que levei em consideração para escolher uma boa escolinha.

A cara de dó/julgamento dos outros

Se você tem um perfil parecido com o meu, já deve ter participado do seguinte diálogo.

_ Que gracinha seu filho! Você trabalha fora?

_Sim.

_E quem cuida dele?

_Deixo ele na escolinha.

_Ah [o interlocutor faz uma cara de dó/julgamento]. Que dó, tão novinho.

Tão novinho.

Já escutei isso tantas vezes. No começo eu ficava me sentindo a pior mãe do mundo. E depois de já me sentir péssima, eu ia ler qualquer coisa sobre o “universo materno” na internet e me sentia pior ainda, porque algumas pessoas concluem que terceirizamos a educação do nosso filho. Uma das razões porque saí de grupos/fóruns de maternidade.

Em primeiro lugar, empodere-se. Vou usar a palavra “da moda”, mas empoderamento é aquilo que precisamos e o termo é bem forte, explicativo. Primeiro conscientize-se de que muitas vezes as pessoas não julgam por mal. Elas apenas não tem o que dizer e querem preencher aquele vazio de palavras com qualquer coisa que já ouviram antes. Outras vezes, o julgamento está apenas na cabeça da gente. Cuidado para não ter um comportamento passivo-agressivo diante da vida.

Além disso, mesmo que a pessoa esteja realmente te julgando e te achando a pior mãe do mundo, observe seu próprio coração e suas atitudes: você é a pior mãe do mundo? Duvido que seja. Tenho certeza que você ama seu filho, mas precisa se dedicar a outros afazeres. Você tem uma profissão, algo que faz parte de você, algo com o qual você contribui na sociedade também e que evidentemente é uma fonte de renda, o que não pode ser desprezado. Não é toda família que tem uma segurança financeira bacana a ponto de possibilitar que um dos cônjuges deixe de trabalhar.

O que tem que ser dosado é o excesso. Se você puder, evite trabalhar muito. Pela sua saúde, pelo seu bem-estar, pela sua convivência em família e pelo seu bebê. Evite se estressar, tente buscar o equilíbrio. E eu realmente acredito que o equilíbrio começa dentro da gente. Leia, medite, faça orações, converse com pessoas positivas, que te colocam para cima e te fazem críticas amorosas e construtivas. Evite gente negativa. Tente entender, em linhas gerais, porque as pessoas agem de maneira negativa. Muitas vezes elas agem assim por ignorância, numa tentativa de “querer ajudar” ou simplesmente porque querem preencher o vazio do silêncio. A gente não precisa absorver tudo o que ouve.

Portanto, ignore essas caras de dó/julgamento que você vai encontrar pelo caminho. Além disso, escola não é algo ruim. Meus pais nunca tiveram dó de mim porque eu estou acordando cedo para ir para a escola. A escola é um local de aprendizado, convivência e compartilhamento. Seu bebê vai ter que ir para a escola, seja cedo ou tarde.

Escolinha x Babá x Familiar

A escolha de quem vai cuidar da criança depende muito de cada família. Lembrando que para contratar uma babá, é necessário levar em conta todos os custos trabalhistas, além de pagar um salário digno. E isso pode ser complicado, talvez seja necessária até uma conversa com um contador, para fazer tudo direitinho. E claro, checar referências para verificar as competências da profissional. Além disso, sua casa precisa oferecer condições mínimas para que a criança e a babá fiquem confortáveis e tranquilos ao longo do dia todo. Por exemplo, ter um quintal ou uma área comum no condomínio é muito importante, para garantir atividades ao ar livre.

Se você tem um familiar disposto a cuidar da criança, observe se essa pessoa poderá se comprometer. Além disso, esse familiar terá que te respeitar, para não fazer todas as vontades da criança e assim atrapalhar você e seu/sua companheiro(a) na criação e educação da criança.

Como já mencionei anteriormente, eu optei pela escolinha. Levei várias coisas em consideração e a escolinha foi a mais adequada para minha realidade, em termos financeiros e práticos.

Como escolher uma boa escolinha? 

Acredito que essas dicas valem tanto para berçário público quanto para berçário particular. Eu sei que muitas vezes as mães não tem muita escolha, pois a escola mais próxima de suas casas é designada, é mandatório. Em casos assim, aconselho vocês a serem participativas e ativas, participando de reuniões, conversando com outras mães e mantendo contato com todas as funcionárias da escola, sempre de maneira amigável e cordial. Lembre-se, a educação formal de seu filho também depende de você, da sua participação. É legal começar com esse hábito logo cedo.

Se sua opção for uma escolinha particular, minhas dicas são:

  • Peça indicações. Eu comecei a procurar indicações quando eu ainda estava grávida. Pergunte na academia, no trabalho, para outras mães de sua convivência que também trabalham fora (vizinhas, familiares, etc);
  • Procure saber se a escolinha está registrada na Secretaria Municipal/Estadual da Educação;
  • Faça visitas a diversas escolas antes de tomar qualquer decisão. Observe os entornos das escolas, veja se é fácil estacionar o carro, se é fácil chegar até o local, se a vizinhança é tranquila, etc.
  • Tente conhecer outras mães que tem filhos naquela escolinha, pergunte se as crianças gostam, etc.
  • Ao fazer a visita na escola, avalie a recepção da pessoa que te atendeu, avalie a limpeza do local, itens de segurança (grades, portõezinhos, etc);
  • Pergunte quantas berçaristas e quantas crianças estão no berçário. Opte por lugares com uma boa proporção de crianças por berçaristas;
  • Acho bacana também ver se o local possui uma área para as crianças tomarem sol  e brincarem ao ar livre;
  • Pergunte sobre as atividades das crianças. Mesmo bebezinhos, eles tem atividades que ajudam em seu desenvolvimento. A escola precisa ter uma área adaptada para a circulação dos bebês, deve contar com brinquedoteca, deve ter um plano pedagógico adequado para a faixa etária e deve seguir uma linha pedagógica com a qual você tenha afinidade, que tenha a ver com o projeto de vida que você e seu companheiro/a imaginam para sua família.
  • Observe o comportamento das funcionárias, veja como elas olham para as crianças, observe se há amor e paciência. Acredito que as mães e pais conseguem notar isso.
  • Observe o preço da mensalidade e adicionais (férias, passeios, etc). É necessário ver se tudo cabe em seu orçamento.
  • Se você levou todos esses pontos em consideração e finalmente escolheu uma escola, porém observa que a criança chora demasiadamente e não se adapta, talvez a escola não seja tão boa assim. Escola boa é aquela em que a criança, após a fase de adaptação, fica feliz ao ser recebida na entrada. Quando começam a conversar, falam apenas da escola, com muito entusiasmo. Então se o seu “sexto sentido” perceber algo errado, considere desmatricular a criança.

Considerações finais

Eu coloquei aqui os principais pontos observados pela minha pequena experiência. Recomendo esse texto do Baby Center para mais informações sobre o que levar em consideração na escolha de um berçário.

Infelizmente, nós mães sempre somos julgadas. Esse julgamento muitas vezes surge como “conselho”. As pessoas querem ajudar, mas não estão em sua própria pele e nem sempre essa ajuda é bem vinda ou boa. Aprenda a “filtrar” certas coisas que você ouve, pela sua própria sanidade. E claro, não reproduza esse mesmo comportamento.

E somos julgadas de qualquer maneira, pois aposto que se você tivesse optado por ficar em casa cuidando de seus filhos e da casa, apareceriam pessoas que te julgariam por isso também. Outro dia li o relato de uma moça que é dona de casa em tempo integral e também cuida de sua filhinha. Ela dizia que era muito comum, em algumas reuniões sociais, que as pessoas a tratassem como se ela não fosse alguém interessante ou com conhecimento/experiência. E claro, isso a incomodava.

Portanto, já que o julgamento vai acontecer de qualquer maneira, faça aquilo que é melhor para você e sua família.