A nobre portuguesa que introduziu o hábito do chá na corte britânica



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Esse é mais um dos diagramas que utilizo para estudar ou que eventualmente faço antes de escrever um post. Veja aqui para saber mais sobre esse assunto.

Quem me acompanha no Instagram sabe que eu gosto muito de chá. É um assunto do qual gosto de ler a respeito e decidi que vez ou outra vou falar sobre isso aqui no blog.

O tema que escolhi para inaugurar essa categoria é a origem do hábito do chá na corte britânica. Sabiam que quem trouxe essa moda para o ingleses foi uma portuguesa? Seu nome era Catarina de Bragança:

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Catherine of Braganza, queen of England. Pintura de aproximadamente 1665, por Sir Peter Lely. Fonte: Wikimedia Commons

Catarina de Bragança (ou Catherine of Braganza) foi Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1662 até 1685. Ela foi esposa do Rei Charles II. Catarina casou-se com o Rei Charles II como uma aliança entre Portugal e Inglaterra, pela Restauração de Portugal. Chegando lá, Catarina encontrou uma cena completamente diferente da que estava acostumada. A começar pela religião: Catarina era católica e isso a fez impopular na corte, sendo alvo de diversos boatos. Foi acusada de traição e conspiração, porém o rei gostava muito dela e sempre a defendia.

Ela não conseguiu conceber filhos e ainda teve que aceitar abertamente as diversas amantes do rei, muitas da realeza. Algumas inclusive tornaram-se suas amigas.

Nesse período, o chá não era consumido na corte britânica, porém era hábito na corte portuguesa. Na época, os portugueses ainda dominavam a navegação (embora um declínio já pudesse ser observado). Com as navegações, os portugueses possibilitaram uma troca cultural entre Ocidente e Oriente. Em meio a essas trocas, o chá foi trazido para Portugal. A Rainha Catarina é considerada a precursora desse hábito na corte britânica. Podemos até dizer que a Rainha Catarina trouxe alguma sofisticação para corte inglesa. Também atribui-se a ela a introdução do uso de garfos e porcelanas em banquetes, além do uso do leque, para refrescar-se no calor e trazer um certo charme ao look. Catarina também introduziu o consumo de frutas exóticas do extremo oriente, tais como tangerinas , laranjas e toranjas.

Brasão da Rainha Catarina. Não entendo nada de heráldica, mas aposto uma caixa de Twining's que esse dragão posicionado do lado direito significa essa influência do Oriente. Lembrando também que na época Portugal detinha territórios na Ásia.
Brasão da Rainha Catarina. Não entendo nada de heráldica, mas aposto uma caixa de Twining’s que esse dragão posicionado do lado direito significa essa influência do Oriente. Lembrando também que na época Portugal detinha territórios na Ásia, o que persistiu até o século XX (falei disso aqui). Fonte: Wikimedia Commons
Placa em Sally Port em The Garrison Walls em Portsmouth, comemorando o momento em que Catarina pisou os pés em solo inglês.
Placa em Sally Port,  em Portsmouth, comemorando o momento em que Catarina pisou os pés em solo inglês. Fonte: Wikimedia Commons

Portanto, Catarina foi provavelmente a principal responsável por popularizar o chá na Inglaterra e consequentemente no Ocidente. Grandes fabricantes como Twining’s são extremamente conhecidos e consumidos no Ocidente. Apesar do papel de Catarina, evidentemente mesmo antes de 1662 já eram preparadas infusões simples, como chás rudimentares, muitas vezes até para finalidades curativas.

Aqui cabe distinguir entre “chá de ervas” (ou tisana), que são chás que não são feitos a partir de partes da planta Camellia sinensis. Essas infusões de ervas variadas sempre foram comuns em diversas culturas, normalmente com finalidades curativas ou terapêuticas. O chá a qual me refiro ao longo do texto, introduzido na Inglaterra por Catarina de Bragança, é o chá feito a partir da planta do chá (Camellia sinensis, já mencionada). Pretendo em breve escrever um post detalhando isso.

Apenas no final do século XIX é que o chá se propagou no continente europeu, principalmente nas grandes cidades. A essa altura, a Inglaterra era uma potência mundial e dominava os mares. O famoso “chá das 5” ou “5 o’clock tea” apareceu na cena mais ou menos em 1830, feito normalmente atribuído à Duquesa de Bedford. O chá das 5 era a oportunidade de reunir as amigas e exibir maravilhosas peças de porcelana e prata durante o serviço. Logo foram criadas regras de etiqueta para o chá, além do surgimento de deliciosos acompanhamentos:  torradas com manteiga, geleia ou mel; scones, muffins, bolos e uma grande variedade de biscoitos e pãezinhos.

Curiosidade: apesar da popularização do chá na Inglaterra, as pessoas consomem mais café do que chá naquele país!

Bibliografia