Afinal de contas, o que é o chá?

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Acima, linda ilustração do artista Jean Plout. Confira mais de seu trabalho aqui.

No Brasil, o termo chá é uma designação genérica para qualquer infusão de folhas, flores, frutos ou raízes de qualquer planta. Ou seja, não se faz a distinção entre o que chamarei de chá verdadeiro (feito a partir da planta Camellia sinensis) e chá de ervas ou tisana.

Em outras palavras, no Brasil, o termo chá serve para qualquer planta, usando tradicionalmente plantas como Camomila (Matricaria chamomilla), Capim-cidreira (Cymbopogon citratus), Hortelã (diversas plantas do gênero botânico Mentha),  Boldo-do-Chile (Peumus boldus), dentre outras. Muitas vezes, há um forte componente terapêutico e até folclórico nesses chás. Como mencionado anteriormente, a palavra tisana designa esse tipo de ‘chá’ de ervas que não são a Camellia sinensis. A palavra tisana é utilizada em espanhol e também em italiano. Em francês, o termo é tisane. Em inglês, utiliza-se a expressão herbal tea e em alemão, kräutertea.

Dependendo da parte da planta utilizada para fazer a tisana (e também dependendo da espécie da planta), há um modo de preparo específico. Normalmente, quando se trata de folhas, costuma-se ferver a água, desligar o fogo e colocar as folhas. Abafa-se a panela por 15 minutos e então a tisana está pronta.

Comercialmente, para separar entre o chá verdadeiro e a tisana, normalmente nas embalagens vem escrito o termo “chá de [nome da planta]” para especificar que se trata de uma tisana e não de um chá feito a partir da Camellia sinensis.

A partir de agora, no texto, toda vez que eu mencionar a palavra chá, estarei me referindo ao chá verdadeiro, o chá feito a partir da Camellia sinensis. Achei importante fazer essa distinção logo no início, pois não achei que ela ficou muito clara nesse post que escrevi recentemente. 

O chá vai adquirir um sabor, um aroma e até uma coloração característica dependendo de qual parte da planta  Camellia sinensis foi utilizada. Além disso, essas características também vão depender do processo pela qual essa planta passou: oxidação, fermentação, estágio da colheita, contato com outras ervas, especiarias e frutos, etc.

O nome Camellia sinensis vem do latim, assim como o nome científico de qualquer ser vivo (classificação de Lineu). O nome significa Camélia da China, designando a origem dessa planta.

São tantas as variações de chá, com tantas aromatizações e processamentos, que a Mariage Frères, renomada casa francesa especializada em chás desde 1854, trabalha com mais de 300 tipos de infusões do mundo todo e para diversas ocasiões. Há chás feitos especialmente para o verão, quando o consumo de bebidas quentes costuma diminuir.

Os chineses produzem e bebem o chá desde a Antiguidade. Inicialmente, era consumido como tônico ou medicamento e não cotidianamente. Nos séculos IV e V d.C já haviam diversas plantações do chá no vale do Rio Yangtze (conhecido também como Rio Amarelo). E já nessa época, haviam distinções: chás especiais para o Imperador e chás mais populares. Por volta dessa época também, folhas de chá eram usadas como moeda de troca com os turcos, na fronteira ocidental da China.

A lenda narra que o imperador Shin Nung teria descoberto o chá acidentalmente por volta de 2737 a.C. Esse imperador gostava de estudar Botânica e por razões de higiene, segundo conta a lenda, gostava de consumir água fervida. Acidentalmente, algumas partes da planta Camellia sinensis teriam caído no recipiente em que sua água estava sendo fervida. O imperador não se importou e bebeu a água mesmo assim. Ele teria achado a bebida saborosa e revigorante.

Shennong bencao jing: trabalho atribuído ao imperador Shen Nung (também conhecido como Shennong) sobre plantas, raízes e seus usos.

Shennong bencao jing: trabalho atribuído ao imperador Shen Nung (também conhecido como Shennong) sobre plantas, raízes e seus usos. Fonte: Wikimedia Commons

O chá chegou ao Japão em 729, levado por monges budistas. Nesse período, havia uma intensa troca cultural entre os dois países e os monges atuavam como emissários da corte. O chá demorou muitos anos para se popularizar no Japão. Porém, no século XVI já era amplamente consumido e os portugueses (os primeiros ocidentais a terem contato com os japoneses) conheceram a bebida, levando-a para o Ocidente. E parte dessa história já contei no blog, falando como Catarina de Bragança revolucionou a corte britânica, introduzindo o consumo da bebida.

Como está virando "modus operandi" aqui do blog, apresento as anotações que deram origem a esse post =)

Como está virando “modus operandi” aqui do blog, apresento as anotações que deram origem a esse post =). Quem me acompanha no Instagram já conhece o meu Tea Notebook =)

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Bibliografia