Considerações sobre minha experiência com a amamentação: a vida de mãe



Cada indivíduo é único. Muito óbvio e clichê, porém esse fato é recorrentemente esquecido nos dias de hoje. As pessoas se comparam frequentemente e tenho a impressão que as redes sociais dão cada vez mais munição para essa comparação.

Sua história de vida é única. Pode sim ter pontos em comum com as histórias de vida de outras pessoas, mas não é exatamente igual. Somos únicos em tudo. Lembre-se sempre disso. E tenha orgulho dessa unicidade.

Fonte: Free Digital Photos
Fonte: Free Digital Photos

Se você é mãe ou pretende ser um dia, acredito esse fato precisa ficar ainda mais claro. Primeiro porque você não pode se comparar com outras mães, isso vai te gerar angústia. Além disso, você vai ser o mais forte elo de construção na autoestima de um novo serhumaninho. Esse serhumaninho vai precisar crescer forte e com a autoestima elevada e eu realmente acredito que isso só se consegue através do exemplo, quando essa pessoinha que está em seus braços perceber que seus pais tem orgulho de sua própria história.

Já escrevi aqui no blog diversos relatos contendo minha experiência com amamentação. São vários relatos, pois a amamentação é um processo que muda, se transforma. Cada fase tem suas peculiaridades.

Agora que meu filho tem 13 meses (e ainda mama no peito!), faço uma análise crítica de todos os posts que já escrevi abordando o tema. Se quiser me acompanhar nesse exercício de autocrítica, continue lendo o texto.

  • O post do susto: o relato do parto: nesse post, relato o parto de meu filho com alguns detalhes. Eu procurei não me expor demais, mas tive que falar de assuntos espinhosos, como episiotomia. Relendo esse texto, percebo que eu estava assustada e o escrevi principalmente porque uma amiga perguntou no Instagram. Acho que fui bastante sincera e até hoje gosto desse post.
  • Um pouco de “sabetudismo” do primeiro mês: nesse post eu fui um pouco ambiciosa. Meu filho tinha apenas um mês e eu já achei que poderia escrever algo grande. Calma, Samantha! Hoje eu teria esperado um pouco mais para escrever esse post. Fato é que a amamentação não está sendo um processo muito difícil/impossível para mim, tem dado bastante certo. Claro que eu não tenho dormido direito e estou muito cansada, mas acredito que isso faz parte. Eu devo esse sucesso principalmente à naturalidade com que o assunto sempre foi tratado pelas mulheres da minha família. Só não amamentou quem realmente não pode (motivos de saúde ou dificuldade na produção de leite). As minhas tias e minha mãe sempre incentivaram o aleitamento materno, tendo uma postura de apoio integral. Lendo outros relatos, vejo o quanto fui beneficiada por isso. Além disso, tenho uma qualidade da qual me orgulho: não crio expectativas irreais ou da possibilidade de bônus sem ônus. E isso me ajuda em diversos pontos de minha vida.
  • Depois desses dois primeiros posts, percebi que os outros posts sobre o tema tiveram uma tônica mais amigável e menos ambiciosa. Tentei abordar aspectos sociais e científicos da amamentação (como sobre a composição do leite materno, por exemplo). Percebi que para falar de amamentação, a gente precisa ter muito cuidado. Há mães que não conseguem amamentar e se sentem inadequadas por isso, não devem se sentir assim! Evidentemente não é meu objetivo fazer com que alguém se sinta inadequado ou passar a ideia de que sou uma mãe perfeita, coisa que claro que não sou.

A partir de então, sempre que escrevo sobre amamentação ou qualquer tema do “universo materno”, tento manter na minha mente um foco daquilo que pretendo transmitir. Pretendo transmitir amor e tolerância. Escrevendo meus textos, eu me ajudo e espero também ajudar outras mães a conquistar uma melhora na autoestima, na segurança e na paciência. Quero que você, mãe que está lendo esse texto, entenda que você é uma boa mãe do seu jeito. E que você certamente está buscando uma melhoria, uma evolução no seu ser, como qualquer pessoa deve buscar. Algumas pessoas farão com que você se sinta inadequada, mas prefiro acreditar que na maioria vezes elas não fazem isso por mal. Elas falam certas coisas porque não tem tato, porque passaram a vida toda ouvindo aquela mesma ladainha, porque não conseguem ficar quietas (a palavra é prata, mas o silêncio é ouro!), porque querem ajudar de qualquer maneira, etc. Apenas retenha o que é bom, ignore o restante e não reproduza a mesma coisa com outras mães. Se for alguém de sua família, peça por gentileza que se afaste ou simplesmente releve. Você não precisa levar em conta tudo aquilo que ouve! 

História maluca para finalizar

Era fevereiro, por volta das 17h e eu estava caminhando com meu filho na rua. Estava calor, eu estava transpirando e ele também. Meu filho estava com um body, calça fina e sem meias. Uma senhora desconhecida me parou e disse:

_ Olha, seu bebê tá com frio. Trabalhei com crianças por 515615778 anos e sei do que falo.

Sorri, agradeci e continuei. Não dei muita trela. Passaram os meses, chegou abril. Meu filho estava de body de manga comprida, calça, meias, mas a calça tinha subido um pouquinho conforme ele se movimentava em meu colo e acabava mostrando parte da canela. Não era um dia frio. De repente ouço uma voz bem ao meu lado, dizendo:

_Seu filho tá com frio, coitadinho.

Olhei pro lado, ERA A MESMA MULHER! Eu decoro facilmente a fisionomia das pessoas e essa senhora tem uma voz bem peculiar. Agradeci novamente e segui a vida.

Então chegou maio e eu estava no consultório médico, onde várias especialidades são atendidas, incluindo pediatria. Meu filho tinha começado a usar tênis. Só que ele estava entediado com a espera e acabou arrancando o calçado, o que é bem típico dele 😂😂😂. Eu estava sentada conversando com uma mãe super novinha (uns 20 anos, no máximo) e que tem um bebê da idade do meu. De repente, ouvi uma voz:

_ O tênis caiu no chão.

Peguei, guardei na bolsa, agradeci e pensei ter reconhecido aquela voz esganiçada.

_ Coloca o tênis no seu filho, tá frio, tadinho.

ERA A MESMA MULHER DAS OUTRAS DUAS VEZES. A MESMA MULHER DE VOZ ESGANIÇADA SENHOR JESUS. ESSA MULHER TÁ ME PERSEGUINDO, SÓ PODE.

RESPIREI FUNDO PARA NÃO RESPONDER GROSSEIRAMENTE.

Agradeci, mas não coloquei o tênis. Ele já iria entrar em sua consulta, teria que tirar o tênis de qualquer maneira. A mulher deu um ou dois resmungos com a pessoa que a acompanhava sobre meu ‘descaso’, mas ignorei. Vendo que fiquei desconfortável, a mãe novinha que conversava comigo olhou pra mim e disse baixinho:

_Você é a mãe, sabe o que faz! Não liga.

Fiquei tocada. Quanta sabedoria.

Conclusão: vai saber por que essa mulher é tão obcecada com o suposto frio que bebês estariam passando. Talvez ela tenha uma história de vida trágica a respeito disso. O melhor que me aconteceu foi não ter sido grosseira com ela. Eu teria me arrependido depois, me conheço. Foi bom, uma oportunidade para testar meu domínio próprio.

Texto recomendado

Simplesmente apaixonada por esse relato sincero, de uma mãe de duas meninas. A amamentação foi um processo difícil para ela, principalmente no caso da primeira filha. Um relato sincero, feito por uma ‘mãe de verdade’, que também fala como foi a introdução alimentar para o caso de cada uma das meninas. Leiam!