Como é ser uma mamãe nerd?

Já mencionei em outros posts que acho o rótulo nerd meio estranho, mas já que me acham nerd, então devo ser 😂. Por essa razão, vou contar um pouco do que é ser uma mamãe nerd de acordo com meu ponto de vista.

De acordo com minhas observações, existem vários tipos de ‘nerds’. Tem o nerd que gosta de estudar bastante e se dedica a um ou vários temas específicos. Tem o nerd mais ligado à cultura pop, que gosta de quadrinhos, ficção científica, etc. Tem uma mistura de todas essas coisas. Enfim, acho que fica evidente que não há uma definição única, clara.

O “tipo de nerd” que sou é o que vocês veem no blog: uma mãe que gosta de Ciências, literatura, História, chá, ficção científica, scrapbooking, etc. Eu sou um pouquinho de tudo, exatamente como você também é. E isso é lindo, porque nos torna únicos e possibilita a troca de conhecimento e experiências.

Acho que ser uma mãe nerd é apenas ser uma mãe. Parece uma conclusão simplória e até óbvia, mas eu cuido do meu filho, me preocupo com ele, busco informação e conhecimento para cuidar da melhor maneira possível, procuro manter a calma e a tranquilidade. Acredito que qualquer mãe é assim, tendo ou não o ‘rótulo nerd’.

Uma vantagem que ser mamãe nerd me traz é que eu sempre tento ver o lado mais científico das coisas. Então quando meu filho precisa tomar um remédio ou usar um produto de higiene/limpeza, sempre procuro ler os rótulos e compreender o funcionamento dos princípios ativos e sua atuação no corpo humano. Não sou da área de biológicas, mas tento resgatar um pouquinho do que aprendi no Ensino Médio e em livros de divulgação científica da área. O pouco conhecimento científico que tenho me ajuda a tomar decisões também sobre a alimentação. E nesse sentido, ser mãe vem sendo uma jornada de aprendizado: é exatamente como se eu estivesse fazendo um curso prático. Há situações em que sou autodidata. Há situações em que aprendo de mães mais experientes e com profissionais.

Acredito, portanto, que ser nerd nesse caso tem me auxiliado nessa busca por conhecimento, pois isso já era algo muito natural para mim em outros aspectos de minha vida. Ou seja, eu já sabia buscar conhecimento antes e aplico isso na minha maternagem.

O nerd da cultura pop

Entendam que para mim ser nerd ainda significa gostar de aprender e estudar. Quando me chamaram de nerd pela primeira vez, foi por esse motivo. O fato de eu gostar de Star Trek e ficção científica de um modo geral foi apenas a cereja do bolo, algo que realmente atestou minha esquisitice. Sim, nos meus tempos de adolescente, ser nerd era ser esquisita. Nunca me incomodei com isso, porque aprendi logo cedo que todos nós somos esquisitos de jeitos diferentes.

Atualmente ser nerd está muito associado com cultura pop, com quadrinhos, lançamentos do cinema, etc. Eu sou uma nerd que nem conheço muito sobre quadrinhos e é algo que não faz parte de meus interesses (por favor, não tome minha carteirinha de nerd!). Claro que durante nossas brincadeiras, sempre trago alguma coisa do meu ‘universo nerd’ para meu filho.

img_4758

E isso é maravilhoso, pois por gostar de ficção científica e histórias de fantasia e aventura, invento diversas brincadeiras, crio roteiros e acredito que com isso estou ajudando meu filho a desenvolver sua criatividade e imaginação. A medida que meu filho vai crescendo, claro que ele vai mostrar suas próprias preferências (desenhos, livros, temas específicos, etc). E eu vou ter que permitir uma troca: ele entra no meu universo de preferências e eu vou ter que entrar no dele, me aproximar, aprender novas coisas.

Meu marido também é nerd e claro, ele colabora muito com os níveis de nerdina (enzina que há no corpo dos nerds) lá de casa. Não estou excluindo ele da equação, vejam bem. É que o post é sobre uma mamãe nerd, ele teria que falar da experiência dele como papai nerd.

Acontece que ao meu ver, ser nerd hoje em dia muitas vezes também está associado ao consumo. Não basta gostar daquela franquia nerd, tem que ter um monte de bugiganga cara. Não gente, ninguém é obrigado a comprar nada! Você pode só gostar de De Volta Para o Futuro, não precisa gastar todas as suas economias num DeLorean customizado.

E eu acredito que esse consumo pode muitas vezes ser desenfreado, causando ansiedade e desespero. E de acordo com a minha maneira de pensar, não acho saudável ensinar a criança a consumir de maneira exagerada. Temos que observar nossos próprios comportamentos, como pais e mães, para não inculcar na criança que consumir desenfreadamente é algo normal.

E o que é consumir desenfreadamente? Cada um pode ter uma definição, e isso entra no terreno da psicologia e tal. Vou falar o que eu acho. Para mim é comprar sem realmente precisar daquele item, prejudicando o orçamento doméstico. Além disso, é aquela compra que gera uma angústia. Muitos até escondem a compra de seus companheiros ou mentem sobre o valor gasto. Muitas pessoas precisam de ajuda profissional para se livrar do vício em consumo.

Claro que comprar um action figure, um jogo ou algo nessa linha pode ser saudável e gratificante, desde que não haja os prejuízos mencionados. A questão é que eu acho (vejam, muito daqui é minha opinião, minha vivência) que precisamos ensinar para nossos filhos que há momento certo para comprar e há um orçamento específico para gastar.

Há um excelente documentário chamado Criança, Alma do Negócio (direção: Estella Renner). Ele pode ser assistido na íntegra aqui.

Sinopse: “Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?” Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Esse documentário é excelente, recomendo para todo mundo, principalmente para os pais e responsáveis que estão refletindo sobre o assunto. Ele me ajudou bastante a chegar nas minhas próprias conclusões sobre o consumismo e seus impactos na infância.

Para finalizar, acho que as mamães nerds podem sim apresentar as coisinhas do seu “mundo nerd” para os seus filhos. Claro que sempre com critério e respeitando a faixa etária. No entanto, temos que tomar cuidado para não inculcar, sem querer, o consumismo.

Eu vou me sentir feliz se um dia meu filho preferir uma viagem ou passeio em família a um presente caro. Acredito que transmitir afetividade e bons momentos de compartilhamento e convivência é muito mais importante do que simplesmente comprar. Vejam, não sou uma pessoa radical. Acho que consumir é importante, nos inclui socialmente. Também acho que brinquedos são importantes na formação da criança. O que quero dizer é que o bom senso é necessário. E o lugar do consumo na nossa existência não precisa ser um local de destaque, apenas um local de complemento.