Ficção Científica e Pseudociência: clichês e temas recorrentes – Parte 5



Vamos continuar nossa série de clichê e temas recorrentes em que a ficção científica e a pseudociência se misturam. Antes de ler esse post, confira as partes anteriores:

Hoje vamos falar apenas de um tema. E como os fãs de Stephen King vão notar, esse tema tem um pouco a ver com o Ka.

Civilização como algo ‘periódico‘:

No século 19, as pesquisas científica estavam começando a dar conta de que Terra tinha milhões de anos de idade (na verdade, é milhares de milhões de anos de idade!). No entanto, o público em geral pouco ou nada sabia sobre biologia ou evolução (francamente, às vezes acho que isso não mudou muito nos dias de hoje rs). Bom, questionamentos como “Mas a história registrada só volta alguns milhares anos! Quais foram os seres humanos do passado mais remoto?” eram comuns. Poucas pessoas compreendiam que não existiram seres humanos na maior parte da história da Terra.

Carl Sagan popularizou o chamado Calendário Cósmico, uma ótima ferramenta para compreendermos a história do Universo e da Terra. Neil deGrasse Tyson posteriormente também popularizou esse calendário, na série Cosmos – A Spacetime Odyssey. No calendário cósmico, os 13,8 bilhões de anos do Universo são colocados em uma escala de 1 ano, para facilitar nossa compreensão da cronologia da historia do Universo e para que possamos ver com muita clareza como a presença da humanidade é extremamente recente.

Se a história do Universo fosse sintetizada em um ano, a Terra surgiria apenas em Setembro. As primeiras formas de vida teriam surgido apenas em Novembro. E os primeiros hominídeos teriam surgido apenas às 20h15min do dia 31 de dezembro 😱. Toda história registrada da humanidade (surgimento da escrita) está concentrada nos últimos 15 segundos do dia 31 de dezembro 😱😱😱.  Cristóvão Colombo teria chegado a América no último segundo do dia 31 de dezembro 😱😱😱😱! Isso mostra o quanto estamos há pouquíssimo tempo estragando as coisas por aí.

 

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Calendário Cósmico. Fonte: Wikimedia Commons

Como a ignorância sobre esses fatos era muito grande no século XIX, escritores e pseudocientistas começaram a sugerir que a civilização fosse periódica: ou seja, a cada “conjunto de alguns milênios” tudo seria destruído e então se repetiria. Eu acho essa ideia fascinante dentro da ficção especulativa e evidentemente ela não tem nenhum respaldo científico que sugira que isso seja um fato. Mas como ficção, é algo incrível e inclusive faz com que eu me lembre de uma das minhas sagas favoritas: A Torre Negra, de Stephen King. Inclusive essa particularidade da saga permitiu que os roteiristas criassem um enredo que aparentemente é bem diferente dos livros para a adaptação no cinema (que deve estrear em janeiro de 2017, com Idris Elba e Matthew McConaughey 😍😍😍nos papéis principais).

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Até aqui, falei bastante de temas relacionados principalmente ao século XIX e início do século XX. Nos próximos posts, vou falar de temas da primeira metade do século XX, mas que também foram bastante explorados na segunda metade. São temas principalmente relacionados com o pós-guerras.

Espero que estejam gostando dessa série. Essa série é inspirada nessa lista.