Resenha de livro: Vamos Comer!, de Montse Domènech



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Seu filho não come? Você vai começar a introdução alimentar com seu bebê? Então talvez o livro Vamos Comer?, de autoria da pedagoga catalã Montse Domenèch, possa te interessar.

O livro apresenta um método que promete ensinar as crianças a comerem bem e de tudo. Quem conhece o best seller Nana, Nenê, do pediatra Eduard Estivill vai rapidamente identificar o Método Estivill, desta vez aplicado às rotinas de alimentação dos pequenos. Inclusive, o Dr. Estivill é co-autor de Vamos Comer!.

O Método Estivill não tem a ver com as abordagens da introdução alimentar. As abordagens principais para a introdução alimentar dos pequenos são:

  • BLW – baby led weaning;
  • Abordagem Tradicional

Para conhecer essas abordagens e suas diferenças, recomendo esse post da Ana Abreu. O Método Estivill pode ser aplicado para as duas abordagens, com a criança se alimentando com muita ou com pouca ajuda dos cuidadores.

O Método Estivill aplicado a alimentação é baseado na paciência e na rotina. A paciência é necessária para não se descontrolar, tratar o método com seriedade e transmitir segurança e confiança para a criança. E a rotina é muito importante para que a criança compreenda que está na hora da refeição (seja ela qual for). Para estabelecer essa rotina, o método recomenda que se faça uma associação da hora de comer com objetos: o babador, o prato e os talheres do bebê e o cadeirão.

O método também não recomenda que a criança coma na frente da TV, com um brinquedinho na mão ou em um lugar com muitos estímulos. Em minha opinião, o método ajuda a preparar a criança para o futuro, para que aprenda a comer no refeitório da escola, na casa de parentes, em restaurantes, etc.

No que consiste o método?

Eu falei brevemente sobre ele em vídeo (veja aqui) e também vou escrever, de maneira bem sintetizada, claro. Para mais detalhes, será necessário ler o livro.

Primeiro, é necessário munir-se de paciência e tranquilidade. Assim que for a hora da refeição (seja qual for), é necessário chamar a criança, falar sobre o quanto a refeição está gostosa, colocá-la no cadeirão, vestir-lhe o babador e iniciar a refeição.

Se a criança espernear, fizer bagunça, etc, deve-se tirar a criança do cadeirão, tirar o babador e deixar a criança de lado por 3min. Após essa pausa de 3min, deve-se recomeçar tudo como se nada tivesse acontecido antes e tentar iniciar a refeição.

Novamente, se a criança espernear, fizer bagunça, etc, deve-se tirar a criança do cadeirão, tirar o babador e deixar a criança de lado por 4min. Após essa pausa de 4min, deve-se recomeçar tudo como se nada tivesse acontecido antes e tentar iniciar a refeição.

E finalmente, se a criança mais uma vez não colaborar com suas atitudes, deve-se repetir o processo usando pausas de 5 minutos. Abaixo, uma digitalização do resumo do capítulo 5 do livro, que nos dá detalhes sobre o método.

 

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O que eu achei?

Bom, sem querer eu já estava praticando alguns fundamentos do método no meu cotidiano e também é dessa maneira que atuam na escolinha do meu filho. Nem eu e nem a escolinha são assim tão excessivamente rígidos. Se a criança por exemplo come com um brinquedinho na mão, porém é algo esporádico ou uma mania passageira, a escola permite que isso aconteça.

Meu filho não teve muitas dificuldades para aprender a comer. Deixa eu reformular isso melhor: sim, ele já deu e ainda dá trabalho em alguns dias! Mas eu sou da opinião que se a criança não quiser comer agora, ela vai comer na próxima refeição ou vai tomar leite. Dos 6 meses até 2 anos de idade, a criança ainda está vivendo a fase da introdução alimentar. Então não podemos esperar que a criança coma uma pratada ao longo dessa fase.

Outra coisa, eu tenho plena convicção de que qualidade é bem melhor que quantidade. Cabe aos pais ou cuidadores fornecerem alimentos de qualidade e a criança vai dizer a quantidade. Não me parece saudável forçar a criança a “limpar o prato”, porque isso pode gerar uma relação inadequada com os alimentos no futuro.

Eu acredito que o método (ao menos alguns fundamentos dele) podem realmente ser uma luz no fim do túnel de pais que estejam passando por fases difíceis na alimentação dos pequenos. O método reforça muito a importância de que pais e cuidadores ajam com muita paciência.

Eu pretendo ler o livro Nana, Nenê, que como mencionei acima, segue a mesma linha do ensino da rotina e da firmeza na atitude (sempre com muita paciência e amor). Tem sido um pouco difícil lidar com o sono do meu filho, há dias em que ele reclama muito para dormir e acredito que o livro pode ajudar.

Por fim, acho meio problemático seguir 100% um método ou um livro. Não acredito em gurus ou em fórmulas prontas. Acho que podemos pegar um ensinamento aqui e outro ali e adequar tudo a nossa realidade e projeto de educação. Precisamos lembrar que somos pessoas completamente diferentes e acredito que as pessoas se frustram quando tentam seguir uma fórmula pronta.

Finalizando, eu recomendo o livro, acredito que pode ajudar sim, mesmo que seu filho não tenha problemas com alimentação. Há um capítulo excelente, creio que é o segundo capítulo, intitulado Escola de Pais. Esse capítulo fala da importância da firmeza, da afetividade e do reforço positivo na educação do filho. É um capítulo muito geral, cujos ensinamentos podem ser aplicados tanto na alimentação, quanto em outras questões relacionadas ao processo de educação. Só por esse capítulo, acho que o livro já vale muito!

Além disso, o livro apresenta ‘estudos de caso’, exemplos de problemas que os pais podem ter com a alimentação dos filhos. Como muitos problemas com a educação dos filhos são compartilhados por muitos pais, esses exemplos podem ser uma luz no fim do túnel.