Calendário do Advento – Dia #10 – Maternidade real



Natal tem tudo a ver com ser mãe. A história é sobre um nascimento. Evidentemente, o personagem central é Jesus, o Salvador. Porém, a presença de uma mulher que passou por enormes dificuldades para dar a luz (viagem longa para cumprir a burocracia de um censo, nascimento do bebê longe de casa e em condições precárias, um monte de gente desconhecida visitando o bebê,  fuga logo em seguida, etc) não deve ser ignorada.

Madonna dei Tramonti, Pietro Lorenzetti (1330). Basílica de São Francisco de Assis.

A escolha dessa obra de arte para ilustrar esse post foi proposital. Primeiro porque é um trabalho lindo na Basílica de São Francisco de Assis.  E na cultura cristã (principalmente Católica), Maria tem um lugar de enorme destaque. Se você perguntar para um católico fervoroso sobre mãe perfeita, ele provavelmente vai responder Santa Maria, sem sequer pestanejar.

Maria certamente foi uma boa mãe, uma mulher de fé que abraçou a missão de ser mãe do Salvador. E pensa em um filho que “deu trabalho”. O homem questionava tudo, andava com pessoas de “reputação duvidosa” e ainda foi crucificado. Não foi nada fácil para Maria.

Nós nos cobramos o tempo todo para sermos “mães perfeitas”. E escolhemos modelos de perfeição equivocados. A atriz, a modelo ou a famosa da rede social acabam sendo modelos. Por exemplo, depois que Gisele Bündchen teve seu parto em casa, tantas outras resolveram aderir a essa tendência.

Eu digo que esses modelos são equivocados, porque essas pessoas pertencem a outra realidade, que muito provavelmente é completamente diferente da sua. Elas tem fama, dinheiro e poder. E claro, tudo o que aparece sobre essas pessoas nas redes sociais e na imprensa é previamente editado e orquestrado. Não se enganem!

Quer um modelo de mãe perfeita? Procure sua mãe, suas avós, irmãs, primas, amigas, tias, vizinhas, etc. Aposto que você conhece bastante gente, gente que é especial para você, que provavelmente te ama e ajudou a te criar. Busque inspiração nessas pessoas reais, que fazem parte do seu dia a dia.

Esse assunto me veio a tona recentemente, em um desabafo no Facebook.

O desabafo em questão foi consequência da leitura desse texto. E vou reproduzir meu desabafo a seguir:

Nada contra a atriz Sophie Charlotte, inclusive a acho bastante bonita e talentosa. E tenho certeza que ela é uma ótima mãe, buscando o melhor para seu bebê. Só fico pensando como algumas pessoas veem nos artistas famosas “modelos” a serem seguidos. É outra realidade, são outras condições financeiras. Parto em casa? Maluquice se você não tem condições de contratar um respaldo para caso dê complicações. Doula, UTI movel, etc, tudo isso é bem caro. Eu gostaria de ter um segundo parto normal, mas quero que seja na maternidade novamente, como foi o primeiro. E na minha próxima gravidez, teoricamente vou precisar de mais cuidado, pois já tenho um filho (e não posso faltar) e estarei mais velha.

E então fica a essa adulação de “nossa, fulana pariu em casa” ou “nossa, fulana amamenta”. Gente, procurem histórias de sucesso dentro de sua própria família e círculo de amizades. Tenho certeza que há mães maravilhosas aí pertinho de você. Parem de se frustrar com idealizações nada a ver!!!!

Vamos procurar modelos reais, queridas! Pessoas de carne e osso. Eu sei, a Sophie Charlotte é de carne e osso também, mas eu não a conheço pessoalmente. Não sei de suas dores e dificuldades. Posso ter acesso àquilo que ela informa nas redes sociais e nos portais de variedades. Mas aquilo é editado. Aquilo não é real. Ela vive de sua imagem e os profissionais que trabalham com ela vão editar tudo direitinho.

Procurem modelos reais, ou seja, próximos da sua realidade.