Abrigo para sensor de temperatura (radiation screen) caseiro



Hoje é segunda-feira e é o dia em que destaco alguma foto relacionada com meteorologia. Vou falar na verdade de uma sequência de fotos enviadas pelo Francisco Albano Corrêa Jr, biólogo que gerencia a Estação Agrometeorológica Terra Prometida (EAMet Terra Prometida). Vocês podem conferir a fanpage da EAMet Terra Prometida, na qual o Francisco fala dos equipamentos utilizados na Estação e do cotidiano de observações.

De acordo com a descrição da fanpage:

Visa o envio de dados microclimáticos de nossa região, com o intuito de auxiliar agricultores pesquisadores, membros da sociedade e defesa civil.

A EAMet Terra Prometida está localizada na região de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Portanto, se você é da região, precisa de dados meteorológicos ou quer trocar uma ideia sobre o assunto, fala com o Francisco. Ele é super atencioso e tem uma enorme preocupação em transmitir conhecimento para a população interessada.

A iniciativa do Francisco é o que chamam de citizen scientist, que é um termo maravilhoso em inglês. Em português, já vi o termo cientista cidadão. Confesso que aprendi sobre esse termo muito recentemente, lendo material do site da NASA. E eu achei o termo fantástico, muito mais adequado e simpático do que cientista amador. O termo “amador” muitas vezes é empregado como algo de “menor qualidade”, é não é o caso do que vemos por aí. Vemos pessoas realmente preocupadas em aprender, muitas vezes de maneira totalmente auto-didata e muito preocupadas com a metodologia de seus trabalhos. Por isso, quando eu escrever meteorologista amador nesse texto (ou em qualquer outro do blog) não estou de maneira nenhuma desmerecendo ou diminuindo o trabalho desses entusiastas, que ajudam em muito aqui no Brasil, um país como o nosso que é tão grande em território e tem uma quantidade insuficiente de estações meteorológicas (muitas vezes, mal distribuídas).

Ciência do cidadão é a investigação científica e realizado, no todo ou em parte, por cientistas amadores ou não profissionais {x}. Em outras palavras, é a participação do público na investigação científica. Astrônomos fazem isso há bastante tempo. A astronomia amadora é provavelmente a maneira mais conhecida de se contribuir com a ciência e se você quiser ser astrônomo amador, recomendo esse link do wikihow e esse post daqui do blog (dou dicas de livros muito bons).

Conheça aqui uma iniciativa de meteorologistas amadores (ou se preferir, meteorologistas cidadãos). E se você é de São Paulo-SP e gostaria de saber mais sobre Meteorologia (para quem sabe, se tornar um meteorologista amador e contribuir com uma estação meteorológica particular), conheça os cursos da Estação Meteorológica do IAG-USP. Boa parte dos posts daqui do meu blog também podem te ajudar.

Mas vamos voltar ao título do post. Vou mostrar aqui, seguindo relatos  e fotos, como o Francisco construiu um abrigo de temperatura. Eu falei sobre a importância sobre abrigos de temperatura nesse post.

Acima, um radiation screen (ou radiation shield) comercial da Eijkelkamp. Radiation Screen é um protetor para sensores eletrônicos, como os de temperatura e umidade relativa. Informações técnicas sobre esse radiation screen específico aqui.

Na imagem acima, temos um radiation screen (RS) comercial. Esses produtos são caros e são importados, o que dificultam sua aquisição. No entanto, é possível construir uma opção caseira, econômica e com bastante potencial. Claro que o ideal, do ponto de vista para um trabalho científico, seria testar dois sensores iguais na mesma localidade: um com um RS comercial e outro com um RS caseiro. Fica portanto a dica para quem quer realizar um trabalho acadêmico diferente.

A base para a construção do RS foi um cano de PVC

A base para a construção do RS do Francisco foi um tubo de PVC. Essas marcações azuis de caneta permanente é onde ele vai serrar para criar fendas no cano e permitir a circulação de ar.

Colagem dos pratos. Isso mesmo, são pratos de festa de aniversário. Vamos falar deles daqui a pouco.

Foram utilizados pratos de festa, isso mesmo, pratos de festa de aniversário. O Francisco notou que os pratos translúcidos são mais resistentes (eles parecem ser feitos de acrílico, não sei se é esse o material). Da próxima vez que você for a uma loja de festas, observe que os pratos leitosos são mais flexíveis e mais fáceis de quebrar e esses transparentes são até um pouco mais caros. O Francisco escolheu esses pratos por serem mais resistentes e dessa maneira podem aguentar mais tempo ao ar livre. Lembre-se, além do vento e da radiação solar, eles podem ser atingidos por granizo.

Observe que os pratos são colados entre cada fenda. A fenda (resultado da ação da serra nos locais marcados com caneta permanente, cano de PVC) precisa ficar livre para que ocorra circulação de ar no interior do cano. A cola utilizada para fixar os pratos é uma cola de silicone, dessas de uso geral e que normalmente vem num bastão bem grande com um bico aplicador.

Resultado final. Observe que o Francisco usou um prato leitoso no acabamento superior, para servir como “refletor”. Veja mais a seguir.

No entanto, o Francisco colocou um  prato leitoso acabamento pois ele de certa forma ajuda no bloqueio da luz solar. Repare que ele colou o prato leitoso no primeiro prato de acrílico, dando assim uma maior resistência.

A base inferior do RS  deve esta vedada para não permitir a entrada de insetos, por isso o Francisco improvisou, utilizando para isso uma cúpula acrílica dessas lampadas estroboscopias de rosca (veja na foto acima).

Eu estava conversando com o Francisco sobre uma possibilidade de pintar os pratos de acrílico na cor branca. Pensei na radiação solar espalhada nas mais diversas direções e sobre como ela pode ter um efeito no arranjo e no sensor de temperatura (ah sim, o sensor de temperatura vai dentro do tubo de PVC). Uma ideia que me ocorreu foi o uso de um primer. Conheço o produto da marca Acrilex. Há alguns anos, fiz uma aula demonstrativa de artesanato no stand da Acrilex (foi na Mega Artesanal, falei do evento aqui). Nessa aula demonstrativa, utilizamos esse produto em um pote de vidro. A professora garantiu que funcionava em PET e metais, e então deduzo que funcione sim nesses pratos acrílicos de festa. Após a aplicação do primer, seria possível usar uma tinta em spray branca da marca Colorgin, por exemplo.

Espero que esse “tutorial” possa inspirar muitos entusiastas da meteorologia. Se você tem outras ideias ou se fez algo semelhante, porém de outro jeito, fique a vontade para informar nos comentários ou através do formulário de contato do site.